

Ministério da Saúde anuncia ampliação do acesso a medicamentos oncológicos no SUS, com novos tratamentos, exames e investimentos para fortalecer a assistência aos pacientes com câncer no Ceará e em todo o Brasil. | Foto: Erika Mavignier/MS
22 de outubro de 2026 – O Ministério da Saúde iniciou a ampliação da oferta de medicamentos oncológicos de alta tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS), com a previsão de disponibilizar 23 novos fármacos até o fim de 2026. A medida contempla pacientes com diferentes tipos de câncer, incluindo tumores de mama, próstata, pulmão e linfomas, e prevê atender 100% da demanda pelos medicamentos incluídos nessa etapa.
O anúncio foi feito na terça-feira (20) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante uma agenda em São Paulo, acompanhada por representantes do ministério em 14 estados e no Distrito Federal. No Ceará, a superintendente do Ministério da Saúde no estado, Kelly Arruda, participou da programação no Hospital Universitário do Ceará (HUC), em Fortaleza.
“Estamos ampliando e qualificando a rede de câncer em todo o país com o que tem de mais moderno e avançado. É uma transformação que coloca os pacientes no centro do cuidado, garantindo mais acesso a exames, diagnósticos precisos e tratamentos adequados, no tempo certo”, afirmou Alexandre Padilha.
Segundo o ministério, nove medicamentos começaram a ser disponibilizados nesta etapa, com 13 indicações diferentes para tratamento do câncer. A previsão é beneficiar mais de 116 mil pessoas, inicialmente em 20 centros de tratamento distribuídos pelas regiões brasileiras, com expansão para os demais serviços até o fim do ano.
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A iniciativa inclui medicamentos que já estavam incorporados ao SUS, mas ainda não eram ofertados efetivamente nos serviços de saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, a mudança foi estruturada por meio da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), vinculada à iniciativa Agora Tem Especialistas, lançada em 2025.
Entre os medicamentos contemplados estão o abemaciclibe, indicado para determinados casos de câncer de mama; o pazopanibe, utilizado no tratamento do câncer renal metastático; e o trastuzumabe, cujo uso foi ampliado para pacientes com câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.
A lista inclui ainda medicamentos destinados ao tratamento de tumores neuroendócrinos, câncer de próstata, câncer de pulmão de células não pequenas, câncer diferenciado de tireoide, leucemias e linfomas, além de outras indicações específicas.
O ministério estima um investimento anual de R$ 155,4 milhões na aquisição dos nove medicamentos desta etapa. Para viabilizar a oferta dos 23 fármacos previstos até dezembro, a estratégia combina compras diretas, negociações de preços e ampliação dos repasses para custear tratamentos oncológicos. O impacto financeiro total estimado é de R$ 4 bilhões por ano.
Durante a agenda realizada em Fortaleza, a superintendente do Ministério da Saúde no Ceará, Kelly Arruda, ressaltou a importância de ampliar o acesso aos serviços e acelerar o atendimento de pacientes oncológicos.
“Todas essas medidas têm como objetivo ofertar à população mais serviços em tempo oportuno porque o diagnóstico, sendo dado precocemente, faz com que a gente ganhe mais tempo e agilidade no tratamento para que as consequências sejam diminuídas e o impacto seja positivo na vida de cada um dos nossos cearenses e brasileiros que tanto dependem do SUS”, destacou.
Além da ampliação da oferta de medicamentos, o pacote de medidas prevê investimentos em exames, procedimentos cirúrgicos e serviços especializados, com o objetivo de reduzir o tempo entre a investigação da doença, a confirmação do diagnóstico e o início do tratamento.
Outra medida anunciada pelo Ministério da Saúde é a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal. A implementação será gradual nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com início previsto para novembro nas capitais e nos municípios com mais de 500 mil habitantes.
O exame será utilizado para identificar pessoas que precisam realizar colonoscopia para confirmação diagnóstica. A estratégia é direcionada a homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos.
O teste detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem estar associadas a pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal. Segundo o ministério, o método apresenta precisão de até 92%.
O pacote também prevê R$ 46 milhões por ano para custear cirurgias videotorácicas oncológicas no SUS, utilizadas principalmente no tratamento de câncer de pulmão.
A técnica minimamente invasiva utiliza pequenas incisões, câmera e instrumentos específicos. Entre os benefícios apontados estão a redução do tempo de internação e a diminuição das complicações após a cirurgia.
O Ministério da Saúde também anunciou reajustes nos valores de procedimentos oncológicos e diagnósticos. Na iodoterapia, utilizada no tratamento do câncer de tireoide, o financiamento anual será ampliado em 246%, passando de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões.
Os repasses para procedimentos com medicamentos administrados por via intravenosa serão quadruplicados, enquanto os valores destinados aos medicamentos orais serão dobrados, conforme as novas regras anunciadas.
Outra frente contempla o fortalecimento dos serviços de anatomia patológica e telepatologia, responsáveis pela análise de amostras e biópsias. A estratégia inclui centros regionais e parcerias para acelerar os resultados dos exames, além de investimentos em sequenciamento genético e testes de biologia molecular.
Entre as iniciativas anunciadas está a criação de um grupo de trabalho para desenvolver a primeira linha de cuidado do câncer infantojuvenil no Brasil voltada ao retinoblastoma, tumor que afeta a retina.
A proposta pretende organizar o atendimento no SUS, estabelecendo referências para o diagnóstico precoce, os fluxos de encaminhamento e o acesso aos serviços especializados.
Um dos principais sinais de alerta para o retinoblastoma é o reflexo branco na pupila, que pode ocorrer acompanhado ou não de estrabismo. A doença atinge principalmente crianças com menos de cinco anos.
O Ministério da Saúde também informou que o incentivo fiscal do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) será prorrogado até 2031. O edital destinado a instituições privadas sem fins lucrativos está com inscrições abertas até 26 de outubro de 2026.
As medidas integram a estratégia federal para ampliar a capacidade de atendimento oncológico, melhorar o acesso a tratamentos e fortalecer o diagnóstico precoce na rede pública de saúde.
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