

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) elevou para 4,9% a previsão de crescimento da carga de energia no Brasil em outubro de 2026. O órgão também estima aumento das afluências às hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, enquanto Nordeste e Norte permanecem com indicadores abaixo da média histórica | Foto: REUTERS/Washington Alves
17 de outubro de 2026 – O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou para cima a previsão de crescimento da carga de energia elétrica no Brasil durante o mês de outubro. Segundo boletim divulgado nesta sexta-feira (16), a estimativa passou de 3,8% para 4,9% em relação ao mesmo período de 2025, alcançando 86.358 megawatts médios (MWm). O levantamento também aponta melhora nas expectativas de afluência de água às hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, regiões fundamentais para o abastecimento energético nacional.
A atualização integra o Programa Mensal de Operação (PMO), documento utilizado pelo ONS para acompanhar as condições de geração, transmissão e atendimento à demanda de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN).
Além do aumento previsto na carga, o boletim apresenta diferenças importantes entre as condições hidrológicas das regiões brasileiras. Enquanto o Sul deverá registrar afluências superiores ao dobro da média histórica, o Nordeste e o Norte continuam com estimativas abaixo do padrão esperado para outubro.
Os dados reforçam a importância do monitoramento permanente das condições climáticas e dos níveis dos reservatórios para o planejamento da operação do sistema elétrico.
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A nova projeção do ONS indica que a carga média de energia elétrica no Brasil deverá atingir 86.358 MWm ao longo de outubro de 2026, representando crescimento de 4,9% em comparação com o mesmo mês do ano passado.
Na avaliação anterior, divulgada uma semana antes, a expectativa era de expansão de 3,8%.
A revisão representa um aumento de 1,1 ponto percentual na estimativa de crescimento anual da carga.
A carga de energia é um indicador utilizado para dimensionar a quantidade de eletricidade necessária ao atendimento do sistema. Ela considera a demanda dos consumidores e as perdas associadas ao transporte da energia pela rede.
Os megawatts médios expressam a potência média ao longo de determinado período, permitindo avaliar as necessidades energéticas e planejar a utilização das diferentes fontes de geração.
O aumento da carga não representa necessariamente elevação proporcional nas contas de luz, uma vez que as tarifas dependem também de fatores como custos de geração, encargos, tributos e condições regulatórias.
O boletim também trouxe perspectivas mais favoráveis para as afluências de água às usinas hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Segundo o ONS, a previsão passou de 128% para 156% da média histórica de outubro.
Isso significa que o volume de água que deverá chegar aos reservatórios e às usinas dessas regiões está estimado em 56% acima do padrão histórico para o mês.
A melhora representa um fator positivo para a operação do sistema elétrico, pois a disponibilidade hídrica influencia a capacidade de geração das hidrelétricas e as decisões sobre a utilização de outras fontes de energia.
O Sudeste e o Centro-Oeste concentram parte significativa dos principais reservatórios hidrelétricos do país, desempenhando papel estratégico na segurança do abastecimento nacional.
Entretanto, chuvas acima da média não significam automaticamente recuperação proporcional dos reservatórios. O armazenamento também depende da geração de energia, das vazões liberadas e das condições operacionais de cada usina.
A região Sul também deverá apresentar condições hidrológicas favoráveis ao longo de outubro, com previsão de afluências equivalentes a 209% da média histórica.
Apesar de continuar em um patamar elevado, a estimativa representa uma redução em relação à semana anterior, quando a projeção era de 228%.
Mesmo com essa revisão, o volume esperado permanece mais que duas vezes acima do padrão histórico para o período.
A disponibilidade de água nas hidrelétricas da região pode contribuir para a oferta de energia no Sistema Interligado Nacional, dependendo das condições de geração e transmissão.
O monitoramento das afluências permite ao ONS ajustar as estratégias de operação e avaliar a necessidade de utilização de outras fontes para atender à demanda nacional.
Enquanto Sudeste, Centro-Oeste e Sul apresentam estimativas favoráveis, o Nordeste permanece com perspectivas de afluência inferiores à média histórica.
O ONS reduziu a previsão de 67% para 61% da média mensal, indicando que o volume de água esperado para as hidrelétricas da região está 39% abaixo do padrão histórico de outubro.
A situação merece acompanhamento, especialmente diante da importância dos reservatórios para a geração hidrelétrica e a gestão dos recursos hídricos.
Apesar das condições menos favoráveis, o Nordeste conta com participação expressiva de outras fontes de geração de eletricidade, especialmente energia eólica e solar.
O Ceará se destaca nesse cenário pela presença de empreendimentos de geração renovável e pelo potencial dos ventos e da radiação solar.
Essas fontes contribuem para a diversificação da matriz elétrica, embora sua produção também dependa das condições meteorológicas e da disponibilidade das redes de transmissão.
Os dados do boletim não indicam, por si só, risco de desabastecimento no Nordeste ou necessidade de adoção de medidas emergenciais de consumo.
Na região Norte, o ONS estima afluências equivalentes a 50% da média histórica para outubro.
O percentual representa uma pequena melhora em relação à previsão da semana anterior, quando o indicador estava em 46%.
Apesar do avanço, o volume esperado permanece em apenas metade da referência histórica mensal.
A diferença entre as regiões evidencia a diversidade das condições climáticas e hidrológicas brasileiras, que exigem planejamento integrado para garantir a operação do sistema elétrico.
O acompanhamento dessas variações é fundamental para avaliar a disponibilidade de geração hidráulica e definir estratégias para o atendimento da demanda em todo o país.
O ONS também atualizou a projeção para o nível de armazenamento dos reservatórios hidrelétricos do Sudeste e Centro-Oeste.
Segundo o levantamento, a expectativa é de que essas instalações encerrem outubro com 56,6% de sua capacidade de armazenamento.
Na semana anterior, a estimativa era de 56,3%, o que representa uma revisão positiva de 0,3 ponto percentual.
Embora a diferença seja pequena, o indicador é relevante porque a região concentra uma parcela importante da capacidade nacional de armazenamento de energia em reservatórios hidrelétricos.
O armazenamento contribui para o planejamento da geração, especialmente em períodos de menor ocorrência de chuvas.
A situação dos reservatórios também é considerada nas decisões sobre o despacho de usinas termelétricas e outras fontes capazes de complementar a produção de eletricidade.
PREVISÃO PARA OUTUBRO DE 2026 — PERCENTUAL DA MÉDIA HISTÓRICA
0%55%110%165%220%SulSudeste/Centro-OesteNordesteNorte
Fonte: ONS, Programa Mensal de Operação, revisão divulgada em 16 de outubro de 2026. Percentuais acima de 100% indicam afluências superiores à média histórica.
As revisões periódicas realizadas pelo ONS são fundamentais para o funcionamento do sistema elétrico brasileiro.
O operador acompanha a evolução da demanda, as condições meteorológicas, os níveis de armazenamento e a disponibilidade das diferentes fontes de geração.
Com base nessas informações, define estratégias operacionais para assegurar o atendimento à população e às atividades econômicas.
A previsão de aumento da carga de energia em outubro, combinada com diferenças expressivas nas condições hidrológicas regionais, reforça a necessidade de planejamento integrado.
Para os consumidores, o levantamento não representa anúncio de reajuste tarifário ou mudança imediata nas bandeiras tarifárias.
Os dados funcionam como indicadores técnicos para orientar a operação do sistema e acompanhar as condições de abastecimento de energia elétrica no país.
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