

Especialistas alertam para a importância de investigar alterações nas mamas em todas as idades e ampliar a conscientização sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama durante o Outubro Rosa. | Foto: José Cruz/Agência Brasil
22 de outubro de 2026 – O diagnóstico tardio do câncer de mama é um desafio importante entre mulheres jovens no Brasil. De acordo com o relatório Panorama da Atenção ao Câncer de Mama no SUS, elaborado pelo Observatório de Oncologia, 70% das pacientes de 20 a 29 anos atendidas pela rede pública descobrem a doença nos estágios 3 ou 4, considerados avançados.
O índice diminui conforme a idade aumenta, mas continua elevado entre mulheres adultas. Na faixa dos 30 aos 39 anos, 62,7% dos diagnósticos ocorrem em estágios avançados. Entre as pacientes de 40 a 49 anos, o percentual é de 54,6%. Já no grupo de 50 a 69 anos, faixa prioritária para o rastreamento, o índice chega a 47,9%.
Os dados reforçam a importância de ampliar a conscientização sobre o câncer de mama para além do público tradicionalmente associado às campanhas de prevenção. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) citadas no levantamento, o Brasil deve registrar 78.610 novos casos por ano no triênio 2026–2028, com uma taxa estimada de 71,57 diagnósticos por 100 mil mulheres.
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A investigação do câncer de mama em mulheres jovens apresenta particularidades. A mamografia de rotina não é indicada para todas as mulheres com menos de 40 anos, mas exames de imagem podem ser solicitados pelo médico diante de sintomas ou alterações suspeitas.
Além disso, a maior densidade do tecido mamário nessa fase da vida pode dificultar a identificação de determinadas lesões pela mamografia, tornando a ultrassonografia um recurso complementar importante em situações específicas.
De acordo com Desirée Castro Cordeiro, mastologista da Clínica SiM, alguns tumores diagnosticados em pacientes jovens apresentam características biológicas mais agressivas, incluindo os subtipos triplo-negativo e HER2 positivo, que podem ter crescimento acelerado.
“Quando a paciente com menos de 30 ou 40 anos percebe um nódulo ou alteração, cada semana de espera conta significativamente. O tecido mamário jovem é denso, o que reduz a precisão da mamografia isolada e exige o uso complementar da ultrassonografia para a diferenciação rápida entre lesões císticas benignas e tumores sólidos”, destaca a especialista.
A percepção de que o câncer de mama afeta principalmente mulheres mais velhas pode contribuir para que sintomas em pacientes jovens sejam subestimados. Alterações nas mamas podem ser atribuídas a variações hormonais ou a nódulos benignos, retardando a busca por avaliação médica.
Segundo o Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama citado no material, 86% das mulheres desconhecem que exames como mamografia e ultrassonografia podem ser realizados em qualquer idade quando há indicação médica motivada por sintomas.
A ginecologista Milena Lordão Pereira, da Clínica SiM, ressalta a importância do acompanhamento ginecológico desde o início da vida adulta e da investigação de alterações persistentes.
“A consulta ginecológica periódica deve ser o porto seguro da mulher desde o início da vida adulta. Ao notar qualquer nódulo persistente, saída espontânea de líquido pelo mamilo, retração na pele ou gânglios palpáveis na axila, a paciente precisa passar por uma avaliação minuciosa sem presumir que a idade a protege de complicações graves”, afirma.
A atenção às mudanças no corpo é importante em todas as faixas etárias. Entre os principais sinais que precisam ser avaliados por um profissional de saúde estão:
A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, mas exige avaliação médica. A investigação deve considerar os sintomas, o histórico da paciente e os exames indicados para cada caso.
A identificação do câncer de mama em fases iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento e favorecer melhores resultados. Segundo as informações divulgadas pela Clínica SiM, as chances de cura podem chegar a cerca de 90% quando a doença é identificada no estágio 1.
Nesses casos, dependendo das características do tumor, podem ser indicados procedimentos cirúrgicos conservadores, radioterapia e tratamento hormonal.
Nos estágios avançados, a abordagem tende a ser mais complexa e pode incluir quimioterapia, cirurgias de maior porte e radioterapia, conforme a avaliação médica e as particularidades de cada paciente.
A estratégia de cuidado varia de acordo com a idade, os fatores de risco e os achados clínicos. A partir dos 40 anos, a avaliação para rastreamento deve considerar as recomendações vigentes e as características individuais. Para mulheres mais jovens, o aparecimento de sintomas suspeitos requer investigação, mesmo que não estejam na faixa etária habitual do rastreamento.
A agilidade na realização de consultas e exames de imagem pode contribuir para reduzir atrasos na investigação diagnóstica. Nesse contexto, serviços de saúde com consultas e exames a preços acessíveis podem ampliar as possibilidades de atendimento para mulheres que enfrentam dificuldades de acesso.
A Clínica SiM, integrante da SiMco – Healthcare Platform, oferece consultas com ginecologistas e mastologistas, além de exames de ultrassonografia e mamografia. A empresa atua nos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco e informa ter mais de 230 mil beneficiários ativos.
Durante o Outubro Rosa, a principal mensagem dos especialistas é que a atenção à saúde das mamas não deve se restringir a uma idade específica. Reconhecer alterações, buscar orientação profissional e realizar os exames indicados são medidas importantes para que o diagnóstico aconteça no momento adequado.
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