

Sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal sobre Paulo Gonet foi vista internamente como contraponto ao debate no STF | Foto: Gustavo Moreno/STF
26 de setembro de 2026 – Integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliaram a sessão que analisou mensagens envolvendo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso Banco Master, como um contraponto à sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiu a possível abertura de inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo subprocuradores ouvidos pela CNN Brasil, o debate no Conselho Superior do Ministério Público Federal ocorreu de forma ordeira, com base em argumentos jurídicos e sem a participação do alvo do pedido de apuração.
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A análise das mensagens que citavam Paulo Gonet foi marcada por um consenso entre integrantes que defendiam a abertura de investigação e aqueles que pregavam o arquivamento do caso.
A convergência, segundo a avaliação interna, foi o recado institucional enviado ao STF dez dias depois da tentativa frustrada dos ministros de decidir sobre a instauração de um inquérito contra Alexandre de Moraes.
A percepção é compartilhada tanto por aliados de Gonet quanto por subprocuradores que defendiam a abertura de uma apuração sobre as relações do procurador-geral com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Integrantes da PGR destacaram diferenças entre as duas sessões.
No STF, o julgamento foi marcado por discussões acaloradas, interrupções, ofensas, desrespeito entre ministros e momentos em que o presidente do tribunal teria sido desautorizado por colegas.
A sessão também terminou sem definição, com adiamento da conclusão do caso.
Já no Conselho Superior do MPF, subprocuradores das duas vertentes afirmaram que o tema foi discutido de maneira institucional, com base em princípios, limites de atribuição e convicções jurídicas.
Segundo esses integrantes, não houve confusão, agressões ou apartes durante o debate.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal decidiu, por 5 votos a 4, contra o avanço da apuração envolvendo Paulo Gonet.
Para um subprocurador ouvido pela CNN, o placar apertado mostra que o colegiado não buscou “passar pano” nem ser “dócil e subserviente” ao procurador-geral.
Integrantes que foram vencidos na sessão avaliam que, apesar do resultado contrário à abertura da apuração, o ponto positivo foi o enfrentamento do tema pelo colegiado.
Outro ponto destacado por integrantes do Ministério Público foi a ausência de Paulo Gonet durante a discussão sobre seu próprio caso.
Gonet, que preside o colegiado, não votou e sequer participou da sessão que discutiu seu futuro.
Na avaliação de subprocuradores, esse fato diferencia a análise no MPF da sessão do STF.
No Supremo, Alexandre de Moraes participou das discussões sobre o processo relacionado a ele e votou na questão de ordem que buscava postergar o julgamento.
As discussões envolvem mensagens relacionadas ao caso Banco Master e citações a autoridades em diálogos atribuídos a Daniel Vorcaro.
A análise sobre Gonet ocorreu no âmbito do Conselho Superior do Ministério Público Federal, enquanto a discussão sobre Moraes ficou sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal.
Os dois episódios passaram a ser comparados por integrantes do sistema de Justiça pelo modo como cada instituição conduziu os respectivos debates internos.
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