

Fachin se reúne com o diretor da PF para discutir citações a ministros do STF no caso Master e possíveis encaminhamentos à PGR. | Foto: Rosinei Coutinho/STF
13 de outubro de 2026 – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, reúne-se nesta terça-feira (13) com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, para discutir as menções a integrantes da Corte nas investigações relacionadas ao Banco Master.
O material foi solicitado por Fachin ao diretor-geral da PF, que pediu a realização do encontro. Em ofício, o presidente do Supremo afirmou que nenhum fato ou pessoa deve ficar de fora das apurações.
Dos 10 ministros do STF, pelo menos seis magistrados ou seus familiares foram citados em diferentes circunstâncias relacionadas ao caso. Também há referências a integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
A movimentação da Polícia Federal pode ampliar a crise interna no Supremo, instalada desde setembro, e aumentar a pressão para que Fachin defina como serão tratados os elementos reunidos sobre os integrantes da Corte.
Até o momento, as divergências internas estavam concentradas principalmente nos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, cujas posições expuseram publicamente as divisões entre integrantes do tribunal.
A expectativa da PF é que a reunião permita esclarecer eventuais divergências com o Supremo e contribua para a continuidade das investigações. Nas últimas semanas, os investigadores trabalharam para individualizar as citações e identificar os elementos relacionados a cada pessoa mencionada.
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Uma das posições discutidas nos bastidores é a de que todos os elementos reunidos pela Polícia Federal sobre os integrantes do STF sejam encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR). A proposta conta com apoio de aliados de Alexandre de Moraes e André Mendonça e busca permitir uma avaliação técnica dos registros.
A defesa desse encaminhamento considera que todos os citados devem receber tratamento semelhante, com base no conjunto de informações identificado pela PF. A medida também poderia ajudar a reduzir as tensões entre os ministros e criar condições para uma solução institucional.
Parte dos integrantes da Corte avalia que novos desdobramentos devem ser conduzidos com cautela até o fim das eleições. Nesse contexto, a análise pela PGR é apontada como uma alternativa para evitar decisões precipitadas e dar respaldo técnico aos próximos passos.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também foi citado no caso. Segundo informações divulgadas sobre o episódio, uma apuração envolvendo seu nome foi rejeitada pelo Conselho Superior do Ministério Público.
O envio dos elementos à PGR poderia, ainda, abrir espaço para novas tentativas de entendimento entre as diferentes alas do Supremo. Apesar disso, interlocutores avaliam que uma composição interna continua sendo difícil.
Ministros ouvidos reservadamente apontam uma melhora no ambiente interno do STF após o primeiro turno das eleições. As divergências, entretanto, permanecem.
Alexandre de Moraes e André Mendonça ainda não retomaram o diálogo, segundo relatos de bastidores. A mesma situação é apontada na relação entre Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques.
A reunião entre Fachin e Andrei Rodrigues ocorre, portanto, em um momento decisivo para a condução institucional do caso Master e para a definição dos procedimentos a serem adotados diante das referências a integrantes do Judiciário.
As ligações de integrantes do Supremo ao caso Banco Master começaram a ganhar repercussão pública em abril de 2025, quando a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou a contratação do escritório da mulher de Alexandre de Moraes pela instituição financeira para atuar em determinadas ações.
Em dezembro, foi divulgado que o contrato teria valor aproximado de R$ 130 milhões. Neste ano, informações atribuídas à Polícia Federal apontaram que Moraes teria sido interlocutor de pelo menos 52 mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, inclusive no dia da prisão dele.
Posteriormente, vieram a público informações sobre negócios envolvendo o ministro Dias Toffoli e fundos relacionados ao Banco Master, no contexto de uma sociedade ligada a um resort da família do magistrado no Paraná. Toffoli deixou a relatoria do caso e declarou-se suspeito para analisar questões relacionadas à investigação na Segunda Turma do STF.
No mês passado, também foram divulgadas mensagens que mencionariam Nunes Marques e seu filho em questões relacionadas a contratações envolvendo Vorcaro. O filho do ministro Luiz Fux também foi citado em informações sobre um suposto pedido de ajuda em um processo.
Em relação a André Mendonça, foram divulgadas informações sobre uma fotografia com um advogado de Vorcaro, um encontro com o banqueiro e um pedido de investigação de uma possível relação entre o Banco Master e o Instituto Iter, ligado ao ministro.
Já no caso de Gilmar Mendes, foi noticiada a contratação de Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do magistrado, por Vorcaro, além de uma reunião e tentativas de aproximação.
Todos os ministros mencionados e seus familiares negam irregularidades ou envolvimento indevido com Daniel Vorcaro. As citações, por si só, não comprovam a prática de ilícitos.
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