

O encontro ocorre após divergências sobre decisões judiciais envolvendo o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp. | Foto: Luiz Roberto/TSE
13 de outubro de 2026 – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reúne-se nesta terça-feira (13) com coordenadores das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno das eleições para a Presidência da República.
O encontro tem como objetivo discutir as condutas das campanhas durante a disputa eleitoral. Nas últimas semanas, as equipes dos candidatos protagonizaram uma série de disputas judiciais no TSE, com pedidos de liminares e decisões relacionadas à propaganda política e ao conteúdo divulgado nas redes sociais.
O episódio mais recente envolve o canal de WhatsApp denominado “Exército do Lula”, que teve o funcionamento suspenso por determinação de Nunes Marques no domingo (11), mas foi reativado horas depois por decisão do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.
A controvérsia provocou manifestações das duas campanhas e ampliou as críticas à atuação do tribunal. A palavra final sobre o caso deverá ser definida pelo plenário do TSE.
Lula criticou a condução de processos eleitorais pela Corte na segunda-feira (12). O presidente afirmou que a Justiça Eleitoral não pode favorecer nenhum grupo político e questionou decisões que, segundo ele, prejudicam sua campanha.
“Isso é visível. Já foi denunciado”, declarou Lula ao comentar o que considera excessos nas decisões de alguns ministros. O presidente também afirmou que o TSE não pode ter “lado na política”.
A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, divulgou uma nota na qual acusa o canal ligado ao adversário de utilizar estratégias para apagar mensagens de forma sistemática e compartilhar links com o objetivo de contornar os mecanismos de fiscalização da Justiça Eleitoral. A equipe do candidato do PL também informou que pretende encaminhar um novo relatório de provas ao tribunal.
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Na segunda-feira (12), a equipe técnica do TSE informou que não encontrou novas publicações com as notícias falsas denunciadas pela campanha de Flávio Bolsonaro no canal “Exército do Lula”. A análise foi elaborada a pedido de Nunes Marques, após a discussão sobre a suspensão do grupo.
O relatório apontou que não foram localizadas novas mensagens que reproduzissem os conteúdos já examinados no processo, com ressalva para vídeos que, devido à urgência da análise, ainda não haviam sido transcritos.
“Não foram localizadas novas publicações que reproduzam os conteúdos examinados nos autos, ressalvando o conteúdo de vídeos que, pela urgência, não foram transcritos”, diz o documento.
A avaliação técnica ocorreu após a sequência de decisões envolvendo o canal de WhatsApp. No domingo (11), Nunes Marques determinou a suspensão do espaço digital em resposta a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou a divulgação de informações falsas contra o candidato.
Horas depois, Ricardo Villas Bôas Cueva suspendeu os efeitos da determinação e restabeleceu o funcionamento do canal.
Ao justificar a suspensão da ordem de Nunes Marques, Ricardo Villas Bôas Cueva afirmou, por meio de sua decisão, que o processo estava sob sua relatoria. O corregedor-geral, entretanto, manteve a proibição de divulgar conteúdos falsos que já tenham sido analisados pela Justiça Eleitoral.
A decisão de restabelecimento do canal tem caráter preliminar e deverá ser submetida à análise do plenário do TSE, responsável por decidir sobre a controvérsia.
Até a definição do caso, permanece a determinação que impede a divulgação dos conteúdos considerados falsos já examinados pelo tribunal. O descumprimento da medida poderá resultar em uma nova suspensão do canal.
A reunião desta terça-feira ocorre em meio à intensificação das disputas judiciais entre as campanhas e às críticas dirigidas à atuação da Justiça Eleitoral. A expectativa é que o encontro contribua para esclarecer os limites de conduta durante o segundo turno e reduzir novos conflitos relacionados à propaganda política e ao uso das plataformas digitais.
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