

O Tribunal Superior Eleitoral registra número recorde de ações judiciais na eleição presidencial de 2026. Até 21 de outubro, foram contabilizados pelo menos 804 processos, envolvendo principalmente propaganda eleitoral, redes sociais, WhatsApp e inteligência artificial | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
22 de outubro de 2026 – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registra um volume recorde de ações judiciais relacionadas à eleição presidencial de 2026. Até a noite desta quarta-feira (21), a Corte havia recebido pelo menos 804 processos, mais que o dobro dos 325 contabilizados no mesmo período de 2022 e acima dos 388 registrados em 2018.
Na reta final do segundo turno, marcado para domingo (25), as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram as disputas jurídicas, principalmente em questões envolvendo propaganda eleitoral, redes sociais, canais de WhatsApp e conteúdos produzidos por inteligência artificial.
Entre os principais desafios enfrentados pelo tribunal estão a definição das responsabilidades das campanhas sobre canais mantidos por apoiadores e os limites para o uso de deepfakes, conteúdos sintéticos capazes de reproduzir imagens e vozes com elevado grau de realismo.
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As mais de 800 ações protocoladas no TSE envolvem denúncias de possíveis irregularidades e violações da legislação eleitoral.
No início do ano, os processos estavam concentrados principalmente em acusações de propaganda eleitoral antecipada. Com o avanço da campanha, passaram a tratar também da divulgação de informações falsas, impulsionamento de conteúdos negativos, realização de showmícios e questionamentos sobre propaganda no rádio e na televisão.
As representações convencionais costumam ter tramitação mais rápida, especialmente quando envolvem pedidos de retirada de publicações ou suspensão de propagandas consideradas irregulares.
Já as ações de investigação judicial eleitoral (AIJEs), destinadas à apuração de possíveis abusos de poder político, econômico ou de autoridade, exigem produção de provas e podem resultar em cassação e inelegibilidade, caso as irregularidades sejam comprovadas.
Um dos principais conflitos envolve os canais Exército do Lula, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), e Tropa do Flávio, ligado a apoiadores do candidato do PL.
Segundo levantamento divulgado pelo g1, o Exército do Lula alcançou aproximadamente 7,5 milhões de participantes, enquanto o Tropa do Flávio reunia cerca de 2 milhões.
A campanha de Flávio Bolsonaro acionou o TSE contra o canal favorável ao presidente Lula, alegando disseminação de informações falsas. O episódio resultou em decisões judiciais conflitantes sobre suspensão, registro e restabelecimento do canal.
Após as controvérsias, o TSE aprovou, em 16 de outubro, novas regras para o funcionamento dessas ferramentas.
Pela decisão, canais que recebam recursos financeiros, suporte técnico ou divulgação oficial das campanhas devem ser registrados na Justiça Eleitoral. O apoio espontâneo a um candidato, entretanto, não estabelece automaticamente vínculo com sua campanha.
A Corte também discutiu a possibilidade de estabelecer restrições temporárias a canais de WhatsApp com mais de 200 mil participantes nas 48 horas anteriores ao segundo turno.
A proposta foi debatida por ministros do tribunal, mas o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, manifestou-se contrário à adoção de mudanças nas regras tão próximo da votação.
Outro tema que mobilizou a Justiça Eleitoral foi o uso de deepfakes na propaganda política.
A discussão ganhou destaque após a divulgação de um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro, produzido com inteligência artificial, durante a convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro.
O tribunal manteve a proibição de deepfakes nas campanhas, considerando a necessidade de avaliar o grau de realismo das peças para caracterizar infrações. No caso do vídeo apresentado na convenção, a maioria dos ministros decidiu não aplicar multa nem determinar sua retirada.
Além das representações, o TSE recebeu 30 pedidos de investigação judicial eleitoral. Desse total, 12 ações já haviam sido admitidas para tramitação pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.
A campanha de Lula apresentou seis pedidos contra Flávio Bolsonaro, dos quais cinco foram admitidos e um aguardava análise.
Já a campanha de Flávio Bolsonaro protocolou oito ações contra Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin, com seis admitidas, uma delas parcialmente. Outros dois processos apresentados pelo Partido Novo contra Lula também foram admitidos.
Entre os questionamentos estão o suposto uso de perfis de influenciadores para favorecer candidaturas, a utilização de estruturas públicas em atividades eleitorais e a participação de agentes políticos em ações de campanha.
A admissão de uma investigação não representa reconhecimento de culpa. Significa apenas que o pedido reúne condições processuais para ser analisado.
Diante do aumento de processos, o TSE reuniu representantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro em 13 de outubro para discutir medidas destinadas a reduzir a judicialização e combater a desinformação.
No encontro, os representantes concordaram em desistir de determinadas representações relacionadas à pré-campanha e de pedidos de direito de resposta referentes ao primeiro turno.
Apesar da iniciativa, as divergências sobre canais digitais e propaganda eleitoral permaneceram.
O volume recorde de ações evidencia a importância das novas tecnologias na disputa presidencial e amplia os desafios da Justiça Eleitoral para assegurar o cumprimento das regras até a votação de domingo (25).
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