

Demanda de energia dos data centers cresce na área da CPFL, mas limitações da rede elétrica dificultam novas conexões | Foto: reprodução
15 de agosto de 2026 – O consumo de energia dos data centers voltou a acelerar na área de concessão da CPFL Energia no segundo trimestre de 2026.
O avanço reforça a pressão que a expansão da inteligência artificial e da computação em nuvem começa a exercer sobre a infraestrutura elétrica brasileira.
De acordo com o CEO da CPFL Energia, Gustavo Estrella, a demanda de eletricidade dessas instalações cresceu 35,8% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.
O avanço supera o ritmo observado anteriormente e ocorre mesmo diante das limitações da rede elétrica para receber novos empreendimentos.
“Temos crescimentos expressivos de consumo de energia vindo de data centers de 35,8% na comparação com o trimestre do ano passado. É um desafio da indústria de crescer no seu potencial. Temos muitos pedidos de conexão de data centers que têm sido negados”, afirma Gustavo Estrella.
O dado mostra uma nova aceleração de um movimento que já vinha ganhando força desde o início do ano.
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Em maio, Estrella havia informado que a demanda de energia dos data centers na área da CPFL havia aumentado 24% entre 2025 e 2026.
O crescimento foi puxado principalmente por instalações voltadas à inteligência artificial e a serviços de computação em nuvem na região da Grande Campinas.
Naquele momento, o segmento já correspondia a 8% do consumo da classe comercial da distribuidora.
A influência dos data centers sobre o mercado da companhia também já aparecia nos números da classe comercial.
O consumo desse grupo havia avançado 2,9%, dos quais cerca de 1,4 ponto percentual vinha exclusivamente da expansão dos centros de dados.
Agora, com a alta de 35,8% registrada no segundo trimestre, o CEO da CPFL avalia que o movimento está longe de ser pontual e deve continuar sustentando taxas elevadas de crescimento nos próximos períodos.
Apesar do crescimento da demanda, a infraestrutura elétrica ainda é um entrave para a expansão do setor.
“Vejo o copo meio cheio de crescer com essa força no trimestre e que não é pontual (…). O copo meio vazio é reconhecer a dificuldade de expansão da rede para atender a demanda que tenho não apenas em nossa área de concessão, mas no Brasil inteiro”, afirma Gustavo Estrella.
A avaliação indica que o desafio não está apenas na procura por energia, mas na capacidade do sistema de acompanhar o ritmo dos novos projetos.
O problema ganha dimensão adicional porque data centers têm um perfil de consumo diferente do de clientes convencionais.
Essas instalações operam de forma contínua, 24 horas por dia, concentram grande quantidade de equipamentos de processamento e exigem sistemas robustos de refrigeração.
Em projetos de maior escala ligados à inteligência artificial, a demanda de um único complexo pode se aproximar do consumo de uma cidade de médio porte.
A Grande Campinas se consolidou como um dos principais polos do mercado de data centers no Brasil.
A região reúne fatores como proximidade com a capital paulista, disponibilidade de fibra óptica, presença de empresas de tecnologia e condições de acesso ao sistema elétrico.
Com o aumento da procura, porém, cresceu também a necessidade de investimentos em linhas de transmissão, subestações e novos pontos de conexão.
Para Estrella, além da expansão física da rede, outro fator importante para o crescimento da indústria é a criação de condições tributárias mais favoráveis ao setor.
O executivo cita a expectativa em torno do Redata, iniciativa que prevê tratamento tributário específico para data centers.
Na avaliação dele, a medida seria fundamental para permitir que a indústria ganhe escala no Brasil.
O crescimento da demanda por energia em data centers expõe um desafio estratégico para o país.
De um lado, a inteligência artificial, a computação em nuvem e a digitalização ampliam oportunidades econômicas e tecnológicas.
De outro, a expansão depende de capacidade energética, planejamento de infraestrutura e ambiente regulatório que permita a conexão de novos projetos.
A pressão observada na área da CPFL sinaliza uma tendência que pode se repetir em outras regiões do Brasil nos próximos anos.
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