

Tensão no Estreito de Ormuz provoca alta do petróleo, avanço do dólar e queda da Bolsa brasileira | Foto: Shady Alassar/Anadolu/Getty Images
13 de julho de 2026 – A escalada de tensão no Oriente Médio voltou a pressionar os mercados globais nesta segunda-feira (13). O preço do petróleo disparou após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a cobrança de um pedágio de 20% sobre cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio mundial de energia.
O movimento provocou alta expressiva do barril, avanço do dólar e queda do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira. A reação dos investidores reflete o temor de impactos sobre o abastecimento global de petróleo, inflação internacional e juros.
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O Estreito de Ormuz é considerado uma das passagens mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. Qualquer instabilidade na região tem potencial de afetar preços internacionais, custos de frete, combustíveis e expectativas de inflação.
A tensão aumentou depois de uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã no fim de semana. Em meio ao agravamento do cenário, Trump afirmou que Washington retomaria bloqueios relacionados a portos iranianos e passaria a cobrar pela segurança da região.
“Estamos restabelecendo o bloqueio iraniano, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos”, declarou Donald Trump.
O presidente norte-americano também afirmou que os Estados Unidos seriam reconhecidos como “o guardião” do Estreito de Ormuz.
“Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como o guardião do Estreito de Ormuz, mas, como tal, e por uma questão de justiça, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada”, afirmou Trump.
A reação no mercado de energia foi imediata. O petróleo Brent, referência internacional, fechou em forte alta, enquanto o WTI, usado como base no mercado norte-americano, também avançou de forma significativa.
A alta do petróleo tende a pressionar custos de combustíveis, transporte, produção industrial e cadeias logísticas. Para países importadores ou dependentes de preços internacionais, a volatilidade pode afetar inflação e política monetária.
No Brasil, o efeito foi sentido diretamente no mercado financeiro. O dólar subiu diante do real, enquanto investidores buscaram proteção em ativos considerados mais seguros.
O Ibovespa operou em queda durante a tarde, pressionado pelo cenário externo e pelo aumento da aversão ao risco.
Mesmo com ações ligadas ao petróleo apresentando desempenho positivo, o índice brasileiro não conseguiu sustentar alta diante da pressão sobre outros setores, como mineração, bancos, consumo e empresas sensíveis aos juros.
Papéis da Petrobras avançaram, beneficiados pela valorização do petróleo no exterior. Ainda assim, o movimento não foi suficiente para compensar a cautela generalizada dos investidores.
O dólar também avançou frente ao real, acompanhando o fortalecimento global da moeda norte-americana em momentos de instabilidade.
A alta da divisa reflete a busca por segurança diante do risco de agravamento geopolítico.
Para o Brasil, dólar mais alto pode pressionar preços de produtos importados, combustíveis e insumos industriais, além de afetar expectativas de inflação.
Embora os efeitos imediatos estejam concentrados nos mercados financeiros, a continuidade da crise pode chegar ao consumidor.
Se a alta do petróleo persistir, combustíveis, passagens, transporte de cargas, alimentos e produtos industrializados podem sofrer pressão de custos.
O cenário também pode influenciar decisões de bancos centrais, especialmente em países que ainda enfrentam inflação resistente.
No Brasil, o Banco Central acompanha o impacto de choques externos sobre as expectativas de inflação e sobre o ritmo de queda dos juros.
Nos próximos dias, investidores devem acompanhar novas declarações dos Estados Unidos, a resposta do Irã e eventuais decisões sobre tráfego marítimo na região.
A evolução do conflito pode definir o comportamento do petróleo, do dólar e da Bolsa brasileira.
Em um cenário de alta sensibilidade geopolítica, qualquer sinal de bloqueio, retaliação ou interrupção no fluxo de navios pode ampliar a volatilidade nos mercados globais.
Leia também | Trump defende controle dos EUA sobre Estreito de Ormuz
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