

Especialistas avaliam que a isenção de visto para chineses pode ampliar os negócios entre fabricantes da China e empresas brasileiras. | Foto: reprodução
13 de julho de 2026 – A isenção de visto para cidadãos chineses que viajam ao Brasil por até 30 dias pode produzir impactos que vão além do turismo. Na avaliação de especialistas em comércio exterior, a medida tende a aproximar fabricantes chineses de compradores brasileiros, alterando a dinâmica das importações e exigindo um novo posicionamento das empresas que atuam na intermediação de negócios.
A regra entrou em vigor em 11 de maio e permite a entrada de cidadãos chineses no Brasil para viagens de turismo, negócios e participação em eventos. A decisão é uma reciprocidade à política adotada pela China, que desde 2025 já dispensava a exigência de visto para brasileiros. O anúncio foi feito em Fortaleza durante o Salão do Turismo, e a medida deverá permanecer válida até o fim de 2026.
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Para o sócio-fundador da PBF Comex e diretor do grupo ProHospital, Arcelino Calado, o principal efeito da nova política será a redução das barreiras que dificultavam a presença de empresários chineses no país.
“Antes, o visto brasileiro para o chinês era caro e demorado. Esse atrito, por menor que pareça, segurava muita coisa. Tirar o atrito muda o jogo, e nem todo mundo vai gostar do novo jogo”, afirma.
Segundo o especialista, a mudança tende a fortalecer as negociações diretas entre fabricantes chineses e clientes brasileiros, diminuindo a dependência de intermediários.
“Ficou muito mais fácil para o fabricante chinês vir ao Brasil, sentar na frente do cliente final e vender direto. Sem o atravessador. E o atravessador, em muitos casos, é o empresário brasileiro que vive de comprar lá e revender aqui sem agregar quase nada”, explica.
Apesar da maior facilidade de contato entre fornecedores e compradores, Arcelino Calado ressalta que a importação continua exigindo conhecimento técnico e domínio das normas brasileiras.
“Continua existindo a barreira regulatória — registro na Anvisa, certificação no Inmetro. Continua existindo o risco de qualidade, de lote fora de especificação. Continua existindo a logística, o desembaraço, o câmbio, a garantia, o pós-venda”, pontua.
Na avaliação do especialista, empresas que atuam na importação precisarão ampliar os serviços oferecidos para permanecer competitivas.
Ele defende que os importadores brasileiros devem investir em consultoria, controle de qualidade, regularização dos produtos, suporte logístico e relacionamento com fabricantes internacionais.
“O intermediário que só fazia ponte está ameaçado. O intermediário que resolve problema está mais valioso do que nunca”, avalia.
Para Arcelino Calado, a isenção de visto representa uma transformação no ambiente de negócios e deve favorecer empresas capazes de oferecer soluções completas aos clientes.
“É uma mudança de regra que vai premiar quem agrega valor real e punir quem só ocupava espaço. Em mercado que ficou mais aberto, ninguém se protege fechando os olhos. Se protege sendo difícil de substituir”, conclui.
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