

Governo federal encerra imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 e consumidores esperam redução nos preços. | Foto: Reuters
13 de maio de 2026 – O governo federal anunciou o fim da chamada “taxa das blusinhas”, imposto de importação de 20% aplicado sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por meio do programa Remessa Conforme.
A medida foi oficializada por meio de uma Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (12), junto a uma portaria do Ministério da Fazenda.
Com a decisão, especialistas apontam que os preços de produtos importados devem cair imediatamente, impactando diretamente consumidores que compram em plataformas internacionais como Shein, Shopee e AliExpress.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
Segundo Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, o efeito tende a ser rápido no comércio eletrônico.
“O efeito tende a ser imediato, com produtos importados — muitos deles vindos da China — ficando mais baratos sem a incidência desse imposto”, afirmou.
Ele também destacou a influência da valorização do real frente ao dólar, fator que contribui para reduzir ainda mais os preços dos produtos importados.
De acordo com o especialista em comércio exterior Jackson Campos, a cobrança ficará restrita ao ICMS, imposto estadual que continua incidindo sobre as compras internacionais.
“Com o fim do imposto de importação, a cobrança ficará restrita ao ICMS. Com isso, o preço final tende a cair imediatamente. Os e-commerces também vão se ajustar rapidamente para retirar a cobrança no momento da compra”, explicou.
Antes da mudança, uma compra de US$ 50 passava a custar cerca de US$ 72,29 após a incidência do imposto de importação e do ICMS, chegando a aproximadamente R$ 354.
Agora, sem a cobrança federal de 20%, o valor final deve cair para cerca de US$ 60,24, o equivalente a aproximadamente R$ 295, dependendo da cotação do dólar e da alíquota estadual do ICMS.
O ICMS continua sendo calculado “por dentro”, ou seja, o próprio imposto integra a base de cálculo do valor final da compra.
Apesar da redução nos preços para os consumidores, representantes da indústria e do varejo nacional criticaram a medida.
O economista André Galhardo, da consultoria Análise Econômica, avalia que a antiga tributação funcionava como proteção para a indústria brasileira.
“Do ponto de vista macroeconômico, a medida ajudava a defender empregos nacionais e foi relevante para o país”, afirmou.
A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) classificou o fim da taxa como um “grave retrocesso econômico” e um “ataque direto à indústria e ao varejo nacional”.
Já a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria afirmou que a medida amplia a concorrência desleal com empresas brasileiras.
Nos quatro primeiros meses de 2026, a Receita Federal arrecadou R$ 1,78 bilhão com o imposto sobre encomendas internacionais, valor 25% maior que o registrado no mesmo período de 2025.
A chamada taxa das blusinhas havia sido criada em agosto de 2024 após aprovação do Congresso Nacional.
Segundo analistas, o fim da cobrança pode impactar a arrecadação federal em um momento em que o governo busca cumprir metas fiscais e reduzir o déficit nas contas públicas.
Com informações da equipe do g1 e da TV Globo em Brasília.
Leia também | Prêmio ACADi bate recorde de inscrições em 2026
Tags: taxa das blusinhas, compras internacionais, Shein, Shopee, AliExpress, imposto de importação, Remessa Conforme, governo Lula, economia, Receita Federal, ICMS, comércio eletrônico, varejo brasileiro, indústria nacional, Ministério da Fazenda, Portal Terra da Luz