

Anvisa amplia o uso de medicamentos para tratamento de lúpus e esclerose múltipla em crianças e adolescentes, reforçando o acesso a terapias mais precoces. | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
22 de julho de 2026 – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação das indicações de dois medicamentos para o tratamento de doenças autoimunes em crianças e adolescentes. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, autoriza novas faixas etárias para o uso do belimumabe, indicado contra o lúpus eritematoso sistêmico (LES), e do ocrelizumabe, utilizado no tratamento da esclerose múltipla.
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O medicamento Benlysta (belimumabe), da GSK Brasil, passa a ser indicado como terapia complementar para crianças a partir de 5 anos com lúpus eritematoso sistêmico ativo.
O tratamento é destinado a pacientes com elevada atividade da doença que já utilizam terapias convencionais, como corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides e outros imunossupressores.
A ampliação também contempla a versão em caneta aplicadora (autoinjetora), oferecendo mais comodidade às famílias e reduzindo a necessidade de deslocamentos até centros de infusão. A formulação intravenosa já possuía autorização para uso pediátrico.
A Anvisa também aprovou a ampliação da indicação do Ocrevus (ocrelizumabe), da Roche, para adolescentes a partir de 12 anos de idade e com peso igual ou superior a 40 quilos.
O medicamento é indicado para o tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR), forma caracterizada por surtos da doença seguidos de períodos de recuperação parcial ou completa. O ocrelizumabe é um anticorpo monoclonal recombinante que reduz a atividade inflamatória relacionada à doença.
“O reconhecimento da indicação pediátrica do ocrelizumabe é uma notícia muito positiva para neurologistas, pacientes e familiares. Contar com uma terapia de alta eficácia a partir dos 12 anos de idade permite um tratamento mais precoce e direcionado da esclerose múltipla, com potencial para melhorar o prognóstico em longo prazo”, afirma o neurologista e neuroimunologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Caio Disserol.
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória autoimune que pode comprometer diversos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e cérebro. Em casos graves, quando não tratado adequadamente, pode levar ao óbito.
Os sintomas mais frequentes incluem febre, dores e rigidez muscular, inchaços, lesões na pele agravadas pela exposição ao sol, aumento dos linfonodos e queda de cabelo.
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, entre 150 mil e 300 mil brasileiros convivem com a doença, que afeta principalmente mulheres entre 20 e 45 anos. O diagnóstico envolve exames laboratoriais e de imagem, enquanto o tratamento busca controlar a atividade da doença e reduzir complicações.
A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica do sistema nervoso central, na qual o sistema imunológico ataca a mielina, estrutura responsável por proteger as fibras nervosas.
Os sintomas mais comuns incluem fadiga intensa, dormência, formigamentos, alterações visuais, fraqueza muscular, dificuldades de equilíbrio e alterações no controle da bexiga.
Embora a manifestação antes dos 18 anos seja considerada rara, especialistas alertam que os casos pediátricos costumam apresentar maior gravidade, tornando o diagnóstico precoce e o tratamento adequado fundamentais para preservar a qualidade de vida.
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