

Drone sendo lançado pelo Irã durante ataque contra alvos militares dos EUA nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein. | Foto: Divulgação/Irib
02 de setembro de 2026 – Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques nesta quarta-feira (2), aumentando os sinais de que a trégua que mantinha o conflito relativamente controlado pode estar chegando ao fim. A nova escalada ocorre após uma das mais significativas ofensivas registradas entre os dois países nas últimas semanas.
Washington afirmou que poderá realizar novos ataques, enquanto Teerã denunciou vítimas civis e ameaçou países que ofereçam apoio às forças americanas na região.
O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos informou que atingiu, na terça-feira (1º), sistemas de defesa aérea, radares, equipamentos marítimos, estruturas de colocação de minas e instalações de comunicação ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
A imprensa iraniana relatou que diversos alvos foram atingidos nas proximidades do Estreito de Ormuz. O Irã, por sua vez, afirmou ter atacado instalações militares americanas na Jordânia e no Iraque. Veículos de imprensa iranianos também informaram sobre ataques contra o Bahrein.
Apesar da afirmação do IRGC de que um grande número de militares americanos teria sido morto na Jordânia, dois funcionários dos Estados Unidos disseram à Reuters que as avaliações iniciais não apontaram vítimas.
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As Forças Armadas da Jordânia informaram que seus sistemas de defesa aérea interceptaram 10 dos 13 mísseis balísticos que entraram no espaço aéreo do país. Os outros três caíram em áreas remotas.
O Bahrein também afirmou que drones iranianos foram interceptados e destruídos.
O IRGC declarou ainda que suas forças terrestres realizaram ataques combinados com mísseis e drones contra bases americanas em Erbil, no norte do Iraque. Segundo a Guarda Revolucionária, a ofensiva teria provocado mortes entre militares dos Estados Unidos.
Até o momento, porém, nem o governo iraquiano nem as autoridades americanas confirmaram as informações sobre vítimas em Erbil.
A retomada dos ataques encerra um período de meses marcado por uma relativa suspensão das ofensivas diretas. Desde julho, Estados Unidos e Irã mantinham os ataques em grande parte interrompidos, mas sem avançar para uma negociação capaz de estabelecer uma solução para o conflito.
A guerra aumentou a pressão sobre a economia iraniana e enfraqueceu suas forças convencionais. Do lado americano, o Exército dos Estados Unidos também enfrenta impactos relacionados ao consumo de armamentos.
Segundo informações divulgadas pela Reuters no mês passado, os militares americanos utilizaram uma parcela significativa de seu estoque global de mísseis de precisão de longo alcance, o que levantou preocupações sobre a capacidade do país de se preparar para futuros conflitos.
Mesmo diante das dificuldades, os dois governos voltaram a adotar um tom de confronto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera favorável a atual situação americana no conflito.
“Gosto muito mais da nossa posição agora, com controle quase total do Estreito de Ormuz e a economia deles entrando em colapso total”, disse Trump.
O presidente americano também provocou o governo iraniano ao afirmar:
“Eles estão apenas adiando o inevitável. Quando o povo iraniano vai se levantar e lutar?”
Em resposta, o comando militar conjunto do Irã ameaçou países que apoiarem as forças americanas na região.
“Qualquer país que ajude o mal americano na região será alvo de respostas mais pesadas, mais amplas e devastadoras, e qualquer país que coopere com o agressivo Exército americano terá de aceitar suas consequências perigosas”, afirmou o comando iraniano.
A nova escalada também provocou efeitos nos mercados internacionais. Os Estados Unidos ameaçam ampliar as sanções contra o Irã e pressionar ainda mais a economia do país.
Ao mesmo tempo, o governo Trump enfrenta impactos econômicos internos provocados pelo conflito, principalmente com a alta dos preços dos combustíveis às vésperas das eleições parlamentares americanas de novembro.
As bolsas asiáticas registraram queda nesta quarta-feira após a retomada dos ataques aéreos americanos. O petróleo atingiu o maior preço em cinco semanas, enquanto o rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em 10 anos alcançou o maior nível em quase três anos.
O movimento ampliou a pressão sobre o mercado global de títulos.
Um dos episódios mais graves envolvendo civis ocorreu perto de Sirik, região costeira localizada próxima ao Estreito de Ormuz.
Segundo o Crescente Vermelho Iraniano, cinco pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas durante um casamento. A agência Mehr informou que uma criança de quatro anos estava entre os mortos. Já a agência estatal IRNA, citando um funcionário provincial, informou que o número de feridos chegou a 68.
As autoridades americanas ainda não comentaram o episódio.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou o ataque e afirmou que o episódio faz parte de uma sequência de ações contra civis.
“Essa crueldade não pode ser dissociada da cadeia de atrocidades que a precedeu”, afirmou o porta-voz da pasta, citando também a explosão em uma escola de Minab que, segundo autoridades iranianas, matou 160 pessoas no primeiro dia da guerra.
O Pentágono ainda não apresentou uma conclusão oficial sobre o ataque em Minab. Segundo duas fontes ouvidas pela Reuters, o episódio pode ter ocorrido após o uso de dados de localização de alvos desatualizados pelas forças americanas.
Separadamente, sete pessoas morreram e oito ficaram feridas em ataques com mísseis americanos contra três locais na província iraniana de Khuzistão durante a noite, segundo o vice-governador da região, conforme informações da imprensa estatal iraniana.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã prometeu responder aos ataques.
“Os governos e instituições internacionais que permanecem em silêncio diante de tamanha barbárie, ou que tentam justificar tais atos, precisam entender que seu silêncio não é neutralidade”, afirmou o governo iraniano.
“Aqueles que permanecerem em silêncio hoje não estarão imunes às consequências amanhã.”
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