

Ministro André Mendonça confirmou ter recebido Daniel Vorcaro uma única vez para tratar de processo sobre precatórios no STF | Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo
02 de setembro de 2026 – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quarta-feira (2) que se reuniu com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em março de 2025.
Segundo nota divulgada pelo gabinete do ministro, o encontro ocorreu uma única vez, por iniciativa do empresário, para tratar de um processo sobre precatórios em julgamento no Supremo.
“O ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo”, diz a nota.
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De acordo com Mendonça, a reunião tratou da Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, em tramitação no STF.
O processo discutia créditos de precatórios de interesse do Banco Master e, na data do encontro, estava sob pedido de vista de outro ministro.
Ainda segundo o gabinete, no mesmo mês, Mendonça também recebeu o advogado do empresário e mantém nos registros do gabinete os memoriais escritos entregues na ocasião.
A manifestação do ministro ocorreu após a divulgação de mensagens atribuídas ao advogado Ciro Rocha Soares, próximo de Vorcaro.
As conversas foram retiradas do celular de Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero.
“Opa, Dani!!! Preciso muito falar com você. O A.M. quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes”, escreveu o advogado a Vorcaro, segundo as mensagens divulgadas.
Em outro trecho, enviado em 7 de fevereiro de 2025, o advogado afirmou: “Muito importante sua ida nele junto comigo”.
“Marca quarta”, respondeu Vorcaro.
Segundo o material divulgado, o advogado retomou o assunto no dia seguinte e enviou uma foto ao lado de André Mendonça.
“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele”, disse o advogado a Vorcaro, em provável referência ao deputado Cezinha de Madureira (PL-SP).
Nos registros, Ciro Rocha Soares também teria escrito: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”.
O gabinete de Mendonça informou que o ministro não comenta diálogos privados entre terceiros.
Na nota, André Mendonça afirmou que sua atuação jurisdicional no caso foi contrária aos interesses defendidos por Daniel Vorcaro.
“Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos.”
Mendonça também destacou que a reunião ocorreu antes de ele se tornar relator do caso Banco Master no STF, o que aconteceu em fevereiro de 2026.
O caso citado por Mendonça envolve uma medida apresentada pelo governo para evitar o pagamento de precatórios milionários de interesse do Banco Master.
Esses precatórios teriam sido emitidos antes da definição final do valor correto das dívidas pela Justiça.
O Banco Master adquiriu o direito de receber os créditos em 2023, por meio de fundos de investimento que lhe cederam os valores.
Esses fundos eram administrados por empresas que hoje são investigadas na Operação Compliance Zero.
Precatórios são dívidas que a União, estados ou municípios devem pagar após decisões judiciais definitivas, quando não há mais possibilidade de recurso.
O pagamento segue uma ordem cronológica e depende da inclusão dos valores no Orçamento público.
Por esse motivo, esses créditos podem ser negociados no mercado financeiro.
Nesse mercado, precatórios costumam ser comprados com desconto porque o pagamento pode levar anos. Fundos e bancos antecipam recursos a credores e esperam lucrar quando o poder público quitar a dívida integralmente no futuro.
“Sobre a reportagem publicada nesta data, o ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro.
Em todas as ocasiões, o assunto tratado foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava sob julgamento do Supremo Tribunal Federal e que discutia créditos de precatórios de interesse do Banco, mas que se encontrava, na exata data da reunião, com pedido de vista de outro Ministro. Como já noticiado pela imprensa, o empresário buscou interlocução semelhante com outros integrantes do STF para tratar do mesmo assunto.
Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos.
Por fim, o ministro não comenta diálogos privados entre terceiros, cujo teor não lhe cabe confirmar. Sua atuação, pública e privada, é pautada pela legalidade e pela impessoalidade.”
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