

Soldado ucraniano atua a bordo de avião soviético na região de Kherson para interceptar drones russos em pleno voo | Foto: divulgação/Exército da Ucrânia
27 de julho de 2026 – Em uma cena que revela a mistura de improviso, habilidade e escassez de equipamentos na guerra entre Ucrânia e Rússia, um soldado ucraniano tem chamado atenção por derrubar drones russos utilizando apenas um fuzil de alto calibre.
O piloto Stanislav, integrante da 11ª Brigada Independente de Aviação do Exército ucraniano, atua na região de Kherson, no sul da Ucrânia, a bordo de um avião de hélices soviético Yak-52.
Em vídeo divulgado pela brigada, ele aparece no assento de passageiro da aeronave usando um fuzil equipado com mira ótica para atingir drones russos em pleno voo.
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A operação chama atenção pelo caráter não convencional.
Em vez de utilizar sistemas modernos de defesa antiaérea, Stanislav combate os drones a partir de um avião de hélices fabricado ainda no período soviético.
A estratégia mostra como a guerra na Ucrânia tem sido marcada por adaptações no campo de batalha, diante da necessidade de enfrentar ataques aéreos frequentes e da limitação de equipamentos militares adequados.
A própria brigada afirma que atua para repelir os ataques russos “apesar das condições difíceis e dos desafios tecnológicos”.
Stanislav opera na região de Kherson, uma das áreas mais sensíveis do sul da Ucrânia desde o início da invasão russa.
A presença constante de drones, ataques aéreos e bombardeios tornou a defesa do espaço aéreo uma das prioridades das forças ucranianas.
Nesse contexto, métodos improvisados passaram a fazer parte da rotina militar, especialmente contra drones de menor velocidade e difícil detecção.
A guerra entre Ucrânia e Rússia está em seu quinto ano e segue sem perspectiva de encerramento.
Os drones russos abatidos no vídeo divulgado pela brigada ucraniana parecem ser do modelo Shahed, de origem iraniana.
Esse tipo de equipamento passou a ser utilizado em larga escala pela Rússia ao longo do conflito e também começou a ser fabricado pelo país durante a guerra.
Os drones Shahed percorrem longas distâncias e voam em velocidades menores que as de mísseis, característica que pode facilitar sua interceptação em determinadas condições.
Mesmo assim, representam uma ameaça relevante por causa do baixo custo, da capacidade de saturar defesas aéreas e da dificuldade de detecção por radares tradicionais.
Os drones se tornaram um dos símbolos da guerra na Ucrânia.
De baixo custo e alto impacto operacional, esses equipamentos são utilizados para vigilância, ataques contra infraestrutura, reconhecimento de posições inimigas e ações ofensivas em profundidade.
Tanto Ucrânia quanto Rússia passaram a empregar drones em larga escala, transformando o conflito em um laboratório de novas táticas militares.
A adaptação de aeronaves antigas e armamentos convencionais para abater drones demonstra como as forças em combate buscam alternativas diante de ataques constantes.
Em entrevista ao site ucraniano Censor.net, Stanislav afirmou que a sensação de dever cumprido vem após o retorno à base e a confirmação de que não há mais ameaças no céu.
“As melhores sensações após cumprir uma missão de combate não são sentidas no céu. A verdadeira percepção vem quando você retorna ao aeródromo de base, vê o céu limpo e ouve no rádio: ‘não há mais alvos aéreos’. É aí que você sente satisfação e tranquilidade”, afirmou Stanislav.
A declaração resume a rotina de tensão vivida por militares que atuam na defesa aérea em meio a ataques frequentes.
A guerra continua provocando mortes e destruição em diferentes regiões.
Nesta segunda-feira (27), cinco pessoas, incluindo uma criança, morreram em um ataque noturno com drones ucranianos em Rostov do Don, no sul da Rússia, segundo autoridades locais.
Na Ucrânia, bombardeios russos também deixam mortos e feridos quase diariamente.
O avanço da tecnologia dos drones, combinado ao prolongamento do conflito, ampliou o impacto dos ataques sobre áreas militares, infraestrutura e populações civis.
O episódio envolvendo Stanislav evidencia uma guerra prolongada, marcada por desgaste, improvisação e inovação no campo de batalha.
Ao mesmo tempo em que drones mudam a lógica dos combates, soldados precisam adaptar táticas e equipamentos para responder a ameaças constantes.
No quinto ano do conflito, a guerra entre Rússia e Ucrânia segue sem sinais claros de solução diplomática, enquanto ataques aéreos continuam a atingir os dois lados.
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