
Pesquisadores da Uece e profissionais da Energia Pecém realizaram um teste industrial com biocarvão produzido a partir de cascas de coco verde. O Projeto Carvão Híbrido busca avaliar a substituição parcial do carvão mineral na geração termelétrica, contribuindo para a inovação e a sustentabilidade no Ceará | Foto: divulgação
21 de outubro de 2026 – A Universidade Estadual do Ceará (Uece), em parceria com a Usina Termelétrica (UTE) Energia Pecém, do Grupo Diamante Energia, realizou um teste inédito de co-combustão utilizando biocarvão produzido a partir da casca de coco verde misturado ao carvão mineral. O experimento ocorreu em 14 de outubro, no Complexo Termelétrico Pecém, e integra o Projeto Carvão Híbrido, desenvolvido no âmbito do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A iniciativa transforma um resíduo agroindustrial abundante no Ceará em combustível com potencial de aplicação energética. A proposta é avaliar uma alternativa para reduzir parcialmente a dependência do carvão mineral, estimular a economia circular e contribuir para a descarbonização industrial.
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O experimento foi desenvolvido pela Uece, por meio do Laboratório de Conversão Energética (LCE/LAIS), coordenado pela professora Mona Lisa Moura.
Segundo a pesquisadora, o teste representa um avanço para a pesquisa aplicada e a inovação no setor energético cearense, ao levar a tecnologia para avaliação em ambiente industrial, correspondente ao nível de maturidade tecnológica TRL 6.
A iniciativa também busca conciliar segurança energética, eficiência operacional e sustentabilidade, utilizando a infraestrutura industrial existente.
“Mais do que um teste industrial, a atividade simboliza a integração entre universidade, ciência, tecnologia e setor produtivo, reunindo pesquisadores, estudantes, engenheiros, técnicos e profissionais comprometidos com o desenvolvimento de soluções energéticas inovadoras”, ressalta a professora Mona Lisa Moura, coordenadora do projeto na Uece.

Durante o desenvolvimento do projeto, foram processadas mais de 19 toneladas de casca de coco verde, resultando na fabricação de mais de seis toneladas de pellets, utilizados posteriormente para produzir aproximadamente 1,5 tonelada de biocarvão.
O material foi empregado em mistura com carvão mineral no teste realizado na termelétrica.
Os resultados técnicos e ambientais serão importantes para avaliar o desempenho do combustível, sua viabilidade operacional e o potencial de redução da pegada de carbono da geração termelétrica.
O Projeto Carvão Híbrido envolve, direta e indiretamente, mais de 40 profissionais e estudantes de diferentes áreas do conhecimento.
Participam pesquisadores e professores da Uece, da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade de Fortaleza (Unifor) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com atuação em Engenharia, Química e Energia.
A iniciativa também conta com estudantes dos programas de pós-graduação em Ciências Naturais e Ciências Físicas Aplicadas da Uece, além de graduandos dos cursos de Física, Química e Ciência da Computação.
A parceria entre universidade e setor produtivo busca desenvolver soluções tecnológicas para o aproveitamento de resíduos agroindustriais e ampliar as possibilidades de inovação na geração de energia no Ceará.
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