

Presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, apresenta a programação do FNE para 2027 durante evento em Fortaleza. | Foto: Fernando Cavalcante
04 de setembro de 2026 — O Banco do Nordeste (BNB) anunciou que disponibilizará R$ 60,9 bilhões do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) em 2027. O valor representa um crescimento de 15,9% em relação ao orçamento previsto para 2026, que até então era o maior da história do Fundo.
Os recursos serão destinados ao financiamento de projetos produtivos em toda a área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que compreende os nove estados nordestinos, além de 249 municípios de Minas Gerais e 31 municípios do Espírito Santo.
O FNE financia iniciativas de diferentes setores da economia, com foco na geração de emprego e renda, modernização da produção, expansão de cadeias produtivas e criação de novos negócios. Os recursos também podem ser destinados à infraestrutura necessária para atrair investimentos.
O montante foi apresentado nesta quinta-feira (3), em Fortaleza, pelo presidente do BNB, Paulo Câmara, durante evento que marcou a abertura do processo de elaboração da programação do FNE para 2027. Participaram também o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, e o secretário Nacional de Fundos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Eduardo Tavares.
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Segundo Paulo Câmara, o Fundo Constitucional é uma das principais ferramentas para impulsionar a economia regional.
“O Fundo representa uma injeção de recursos fundamental para todos os setores produtivos. É um instrumento financeiro que contribui de maneira estratégica para aumentar a competitividade da Região Nordeste”, afirmou.
De acordo com estimativas do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), área de pesquisa do BNB, os recursos do FNE geraram impactos, em 2025, de R$ 33,2 bilhões sobre o Valor Bruto da Produção, R$ 15,2 bilhões em valor adicionado à economia, R$ 6,3 bilhões em massa salarial e R$ 1,6 bilhão em arrecadação tributária.
O presidente do BNB também destacou a política de priorização do crédito. Pelo menos 62% dos recursos são destinados a portes prioritários, com destaque para micro e pequenas empresas e beneficiários do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado, nas áreas urbana e rural.
Com esse percentual, a previsão é de que mais de R$ 37,8 bilhões sejam destinados a esses públicos em 2027.
A aplicação do FNE segue critérios estabelecidos pelo Conselho Deliberativo da Sudene (Condel). Entre eles estão os limites de distribuição dos recursos entre os estados da área de atuação do Fundo.
Segundo o diretor de Planejamento do BNB, José Aldemir Freire, cada estado deverá receber entre 5% e 30% dos recursos.
“Nós precisamos aplicar entre 5% e 30% em cada estado. Esses limites servem para garantir que toda área de atuação seja atendida respeitando, claro, as necessidades locais”, explicou.
Também existem limites para a distribuição entre os setores da economia. No caso da infraestrutura, a aplicação poderá representar até 35% do total dos recursos do FNE.
Ao longo de setembro, serão realizadas reuniões setoriais nos estados para receber contribuições de diferentes segmentos da sociedade para a elaboração do Plano de Aplicação dos Recursos do FNE 2027.
A proposta final deverá ser aprovada pelo Condel até dezembro. A previsão é que o planejamento entre em vigor em janeiro de 2027, quando a execução dos recursos passará a ser acompanhada conjuntamente pelo BNB, Sudene e MIDR.
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