

O Ministério Público do Ceará deflagrou a Operação “Aletheia” em Juazeiro do Norte e Barbalha para investigar suspeitas de fraudes em licitações, contratações públicas e desvio de recursos. | Foto: divulgação/MPCE
02 de setembro de 2026 – O Ministério Público do Ceará (MPCE), por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), deflagrou nesta quarta-feira (2) a Operação “Aletheia”, que investiga suspeitas de fraudes em licitações, contratações públicas e desvio de recursos em contratos de obras e serviços de engenharia celebrados com o município de Juazeiro do Norte.
A ação contou com apoio do Núcleo de Apoio Técnico à Investigação (Nati/MPCE) e da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em Juazeiro do Norte e Barbalha.
A Justiça também determinou medidas cautelares contra um agente público municipal que exercia a presidência da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte e que atualmente estava licenciado. Entre as medidas estão a suspensão do exercício do cargo e da função pública, além da proibição de contato com outros investigados e de frequentar determinados locais.
As decisões foram expedidas pelo 1º Núcleo Regional de Custódia e das Garantias, com sede em Juazeiro do Norte.
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Segundo o MPCE, as investigações apuram um suposto esquema de direcionamento de licitações, fraude em contratações públicas e desvio de recursos relacionados a contratos de obras e serviços de engenharia. O valor estimado dos contratos investigados supera R$ 43 milhões.
De acordo com os elementos reunidos até o momento, empresas formalmente distintas seriam controladas, na prática, por um mesmo núcleo. Pessoas ligadas ao principal investigado teriam sido colocadas em posições estratégicas para viabilizar o direcionamento de contratos e a manipulação de procedimentos licitatórios.
As apurações também investigam o possível uso de empresas de fachada e de pessoas interpostas para ocultar as práticas e o destino dos recursos públicos.
As buscas ocorreram em residências, sedes e endereços comerciais de pessoas físicas e jurídicas investigadas. Os agentes procuraram aparelhos eletrônicos, documentos empresariais, contábeis e financeiros, além de outros materiais que possam contribuir para o avanço da investigação.
Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e o acesso a dados telemáticos.
Também foi autorizada a extração do conteúdo dos dispositivos eletrônicos apreendidos durante a operação.
Segundo o Ministério Público, as medidas são consideradas importantes para identificar possíveis outros envolvidos, esclarecer a dinâmica dos fatos e rastrear o destino dos recursos públicos que teriam sido desviados.
O nome “Aletheia” tem origem no grego e está relacionado ao conceito de verdade como desvelamento, ou seja, aquilo que deixa de permanecer oculto.
Segundo o MPCE, a escolha faz referência ao objetivo da investigação de revelar estruturas empresariais que, em tese, teriam sido utilizadas para ocultar os verdadeiros controladores das empresas contratadas e os possíveis beneficiários dos recursos públicos.
A investigação apura, em tese, os crimes de fraude a licitações e contratações públicas, peculato e corrupção ativa e passiva.
O material apreendido será encaminhado ao setor responsável pela extração e análise dos dados. Como o procedimento tramita sob sigilo, o Ministério Público informou que não divulgará outros detalhes neste momento.
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