

Escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro gerou divisão entre aliados da candidatura presidencial do PL | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
05 de agosto de 2026 – A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República provocou divisão entre aliados do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo avaliação de uma ala do bolsonarismo, o parlamentar teria potencial eleitoral limitado, não ajudaria a reduzir o desgaste da candidatura junto ao eleitorado feminino e não agradaria o mercado financeiro, setor que ainda vê a candidatura de Flávio com desconfiança.
A indicação foi anunciada por Flávio Bolsonaro em declaração à imprensa nesta quarta-feira (5).
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Entre as críticas feitas por integrantes do PL está a falta de conhecimento nacional de Alfredo Gaspar.
Uma ala do partido considera o deputado “inexpressivo”. Aliados também usaram expressões como “sem recall” e “sem voto” para definir o escolhido.
Outro ponto mencionado por críticos da indicação é a ausência de maior apelo junto ao mercado financeiro.
A ex-presidente da Caixa Daniella Marques, que chegou a ser cotada para a vice, tinha simpatia de parte desse setor.
Logo após o anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, ainda no fim do ano passado, aliados próximos afirmavam que o perfil considerado ideal para a vice seria o de uma mulher.
A preferência, segundo interlocutores, era por uma candidata evangélica, nordestina e filiada a um partido de centro.
Alfredo Gaspar não atende a esses requisitos, o que aumentou as críticas internas à escolha.
Além das avaliações políticas, Alfredo Gaspar responde a um inquérito de estupro de vulnerável no Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação se baseia em áudios que indicariam que o deputado teria supostamente mantido relações com uma adolescente de 13 anos.
O parlamentar nega as acusações, que vieram à tona durante a leitura do relatório final da CPMI do INSS.
Alfredo afirmou ter sido alvo de “perseguição política”. Ele também declarou que se submeteu a um exame de DNA para provar sua inocência.
Apesar das críticas, aliados de Flávio Bolsonaro defendem a indicação de Alfredo Gaspar pelo perfil ligado à área jurídica e ao combate à corrupção.
O senador destacou, no anúncio, que o deputado foi promotor e poderia reforçar o discurso contra a corrupção e o crime organizado em eventual governo.
Gaspar também foi relator da CPMI do INSS, ponto visto por apoiadores da chapa como ativo político para tentar desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha.
A estratégia de parte dos aliados de Flávio é explorar investigações que envolvem pessoas próximas ao presidente Lula.
O filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é alvo de três inquéritos no STF.
As investigações apuram possíveis crimes de tráfico de influência e corrupção em parceria com Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Outro caso citado por aliados envolve Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe do gabinete pessoal da Presidência da República.
Ele deixou o cargo para trabalhar na campanha de reeleição de Lula, mas comunicou desistência da função após a revelação de que recebeu dinheiro da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e ligada ao Careca do INSS.
Outro fator considerado positivo por defensores da escolha de Alfredo Gaspar é sua origem nordestina.
A avaliação é que a presença de um nome do Nordeste na chapa poderia contribuir para ampliar o diálogo da candidatura em uma região onde Lula costuma ter forte apoio eleitoral.
Aliados de Flávio também têm destacado o perfil que classificam como “íntegro” e “firme” do deputado.
A indicação, no entanto, segue sendo debatida nos bastidores do PL e do bolsonarismo.
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