

Gianni Infantino desistiu do projeto FIFA Forward Enterprise após repercussão negativa e resistência de confederações internacionais | Foto: divulgação/FIFA
01 de agosto de 2026 – O presidente da Fifa, Gianni Infantino, desistiu do projeto que previa vender parte da entidade máxima do futebol mundial para investidores externos.
A decisão foi comunicada nesta sexta-feira (31), após intensa repercussão negativa e oposição de confederações à proposta.
Em comunicado oficial publicado nas redes sociais, Infantino afirmou que a iniciativa não terá continuidade porque o projeto gerou divisões e deixou de atender ao objetivo original de fortalecer o futebol em escala global.
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O plano, chamado FIFA Forward Enterprise (FFE), previa a criação de uma nova subsidiária com controle majoritário da Fifa.
A estrutura seria responsável por consolidar operações comerciais e algumas das principais competições organizadas pela entidade.
Na prática, a proposta foi interpretada como uma forma de transferir parte da exploração comercial de torneios da Fifa, incluindo competições como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes, para uma nova estrutura com participação de investidores externos.
A repercussão provocou reação de confederações e ampliou a pressão sobre Infantino.
No comunicado oficial, o presidente da Fifa defendeu que a proposta foi criada para fortalecer associações nacionais, especialmente em países que mais precisam de apoio.
“O projeto FIFA Forward Enterprise foi concebido para criar uma base que permitisse fortalecer ainda mais as Associações-Membro da FIFA e o nosso esporte em todo o mundo, especialmente nos países onde o apoio é mais necessário. E, mais importante, desde o início deixamos claro que isso só seria feito se houvesse o apoio da maioria das Associações-Membro da FIFA e sempre sujeito a um processo de consulta com elas, com o Conselho da FIFA, as Confederações e as demais partes interessadas”, afirmou Gianni Infantino.
Segundo ele, após ouvir diferentes posicionamentos, ficou claro que a proposta não cumpriria mais o papel pretendido.
“Depois de ouvir atentamente todos os pontos de vista, ficou claro que o projeto criou divisões que, independentemente do nível de apoio recebido, já não atendem ao objetivo que motivou sua criação”, declarou o presidente da Fifa.
Infantino afirmou que o objetivo da entidade deve ser unir e fortalecer o futebol.
“Nosso propósito sempre foi — e sempre será — unir e fortalecer. Como resultado, essa proposta não terá continuidade”, destacou.
O dirigente também disse que pretende reunir novamente as partes interessadas nos próximos dias e semanas.
“Daqui para frente, minha intenção é reunir novamente todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, em um espírito de interesse comum pelo nosso esporte, com o objetivo de continuar promovendo o crescimento do futebol em todo o mundo, especialmente nos países que mais precisam do nosso apoio”, completou Gianni Infantino.
A proposta enfrentou resistência de diferentes confederações continentais.
A Conmebol se manifestou sobre o plano nesta sexta-feira (31), sendo a última confederação a tornar pública sua posição.
A Uefa, responsável pelo futebol europeu, foi uma das primeiras a criticar a iniciativa, emitiu notas contra a proposta e chegou a ameaçar um boicote caso o projeto avançasse.
A Concacaf, das Américas do Norte e Central, também demonstrou rejeição ao plano. A AFC, da Ásia, criticou a iniciativa da Fifa.
Já a CAF, da África, e a OFC, da Oceania, divulgaram notas convocando reuniões para avaliar a proposta, em movimento semelhante ao adotado pela Conmebol.
A Fifa afirmava que a criação da FIFA Forward Enterprise dependeria da aprovação dos membros associados.
Com o novo investimento, a entidade projetava que cada federação receberia US$ 20 milhões no ciclo 2027-2030, valor equivalente a cerca de R$ 102 milhões.
Atualmente, a cota prevista é de US$ 8 milhões, aproximadamente R$ 41 milhões, com expectativa de crescimento gradual nos ciclos seguintes.
A proposta era apresentada como uma forma de ampliar recursos para federações nacionais e impulsionar o desenvolvimento do futebol em diferentes regiões.
Apesar da justificativa financeira, o projeto provocou preocupação sobre o controle comercial dos principais torneios da Fifa.
Críticos da iniciativa apontavam risco de aumento na influência de investidores sobre competições, calendário, número de jogos e formato de torneios.
A discussão também reacendeu o debate sobre expansão de competições, calendário internacional e equilíbrio entre arrecadação, desempenho esportivo e preservação dos atletas.
Com o recuo, a Fifa encerra, ao menos por enquanto, a tentativa de avançar com o modelo proposto pela FIFA Forward Enterprise.
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