

No Setembro Amarelo, a informação e a escuta são importantes para ampliar o cuidado com a saúde mental. | Foto: Alex Green/Pexels
18 de setembro de 2026 – O sofrimento emocional nem sempre aparece acompanhado de um pedido explícito de ajuda. Em muitos casos, os primeiros sinais podem surgir em mudanças na rotina e no comportamento, como isolamento, irritabilidade, alterações no sono, perda de interesse por atividades habituais e queda no rendimento escolar ou profissional.
Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à promoção da saúde mental, a atenção a essas mudanças pode contribuir para que adolescentes e adultos recebam apoio e orientação antes que o sofrimento se agrave.
Para a psicóloga Mirella Martins Lippi, da Clínica SiM, observar alterações persistentes é importante para diferenciar mudanças pontuais de situações que podem exigir atenção profissional.
“É natural que as pessoas passem por momentos de tristeza, irritação ou desânimo. O que merece atenção é quando essas mudanças se tornam frequentes, intensas ou começam a interferir na rotina, nos relacionamentos e nas atividades que antes faziam parte da vida daquela pessoa. Nesses casos, é importante conversar e considerar a busca por avaliação profissional”, explica.
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Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados pelo IBGE em 2026, mostram a dimensão do tema entre adolescentes brasileiros de 13 a 17 anos.
De acordo com o levantamento, 32% dos estudantes afirmaram ter sentido vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores à pesquisa. O percentual foi de 43,4% entre meninas e 20,5% entre meninos.
Outro indicador investigado pelo estudo está relacionado à percepção de apoio e às relações sociais. 26,1% dos estudantes disseram sentir, na maioria das vezes ou sempre, que ninguém se preocupa com eles. Entre as meninas, o índice chegou a 33,3%, enquanto entre os meninos foi de 19%.
A pesquisa também apontou que 28,9% dos adolescentes se sentiram tristes na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à entrevista. O percentual foi de 41% entre meninas e 16,7% entre meninos.
Apesar do índice, o indicador nacional apresentou redução em relação a 2019, quando 31,4% dos estudantes haviam relatado esse sentimento.
Entre os sinais que podem indicar sofrimento emocional estão o afastamento repentino de familiares e amigos, a perda de interesse por atividades que antes despertavam satisfação, alterações persistentes no sono ou no apetite, irritabilidade frequente, queda no desempenho escolar ou profissional e mudanças significativas na maneira de se relacionar.
Segundo Mirella Lippi, que também é especialista em Psicanálise, Neurociências e Comportamento, reconhecer esses sinais não significa tentar diagnosticar uma pessoa. A atenção deve estar voltada à identificação de mudanças importantes em relação ao comportamento habitual.
A psicóloga ressalta que conversar, oferecer escuta e considerar a busca por avaliação profissional podem ser caminhos importantes diante de mudanças persistentes ou intensas.
A edição mais recente da PeNSE passou a investigar de maneira mais ampla diferentes aspectos relacionados à saúde mental dos adolescentes.
O levantamento inclui questões sobre sentimentos de tristeza, preocupação, irritação e desamparo, além da percepção de apoio, da sensação de que a vida não vale a pena ser vivida e da ocorrência de autoagressão.
Os dados ajudam a dimensionar experiências vivenciadas por adolescentes e podem contribuir para a discussão sobre prevenção, acolhimento e acesso a cuidados em saúde mental.
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