

Ministro André Mendonça, do STF, autorizou dois inquéritos da Polícia Federal envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha | Foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo/AE
01 de agosto de 2026 – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, em dois dias, a abertura de dois inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As investigações foram solicitadas pela Polícia Federal (PF) e têm como objetivo apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção.
Os pedidos foram analisados em meio a um cenário de tensão entre a PF e o ministro André Mendonça, relator de apurações sensíveis no Supremo.
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Na quinta-feira (30), Mendonça autorizou a instauração de um inquérito para apurar se Lulinha teria atuado para intermediar interesses junto ao Ministério da Saúde.
A investigação deve analisar negociações relacionadas ao processo de autorização para comercialização de cannabis medicinal.
O pedido foi apresentado pela Polícia Federal ao STF no dia 24 de julho e distribuído ao ministro André Mendonça.
O magistrado também é relator do inquérito que apura desvios bilionários no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), investigados na Operação Sem Desconto, caso em que também há menção a Lulinha.
Um dia depois de autorizar a primeira investigação, o ministro do STF deu aval a outro pedido da Polícia Federal.
Nesse segundo caso, a apuração mira possível tráfico de influência de Lulinha junto à Dataprev, empresa de tecnologia do governo federal.
A PF quer investigar se o filho do presidente teria atuado em favor de uma empresa interessada em contratos com a estatal vinculada ao Executivo.
Segundo as informações do pedido, a corporação suspeita que um empresário do setor de tecnologia ligado à Dataprev tenha atuado com Lulinha, com o chamado “Careca do INSS” e com a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, na tentativa de firmar contratos com o governo federal.
A investigação também deve apurar se esse empresário teria bancado ao menos uma viagem de Lulinha.
A suspeita é que, em troca, ele receberia ajuda do filho do presidente para buscar negócios com órgãos subordinados ao governo federal.
As apurações ainda estão em fase inicial e têm como objetivo verificar a existência ou não de irregularidades.
Até o momento, as informações disponíveis tratam de autorizações para abertura de inquéritos, e não de conclusão sobre responsabilidade criminal.
As decisões ocorrem em meio a um atrito entre a Polícia Federal e André Mendonça.
A corporação acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) em busca de um caminho jurídico para contestar medidas de controle impostas pelo ministro sobre a condução da Operação Sem Desconto.
Segundo o documento enviado ao órgão jurídico do governo, a PF pede a identificação de um instrumento judicial para “rebater a determinação do ministro”.
A divergência envolve a decisão de Mendonça que determinou que todos os atos da investigação sejam imediatamente juntados ao processo que tramita em seu gabinete.
André Mendonça também determinou que qualquer afastamento de policiais da equipe responsável pela investigação seja comunicado previamente ao ministro.
A medida ampliou o incômodo dentro da corporação, que busca preservar a condução operacional da apuração.
O episódio adiciona tensão institucional a investigações que envolvem temas sensíveis, como contratos públicos, suspeitas de intermediação de interesses e possíveis irregularidades em órgãos federais.
Com as autorizações concedidas, caberá à Polícia Federal avançar nas diligências, sob supervisão do STF.
Os inquéritos devem reunir documentos, depoimentos e elementos capazes de esclarecer se houve ou não prática de crimes.
As apurações envolvendo o Ministério da Saúde e a Dataprev ainda não representam denúncia formal nem condenação.
A abertura de inquérito é uma etapa investigativa destinada a apurar suspeitas e verificar se há elementos suficientes para eventual responsabilização.
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