

A Polícia Federal apura denúncia de suposta omissão patrimonial envolvendo o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, em declarações apresentadas à Justiça Eleitoral. | Foto: Junior Pio/Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece)
14 de julho de 2026 – A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para apurar uma denúncia de suposta ocultação de patrimônio pelo prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), durante os registros de candidatura apresentados à Justiça Eleitoral nas eleições de 2022 e 2024.
A investigação foi aberta a pedido da 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza, após a publicação de uma reportagem do jornal O Otimista. O procedimento busca esclarecer se houve prática de falsidade ideológica eleitoral, crime previsto no artigo 350 do Código Eleitoral, relacionado à eventual omissão de bens nas declarações obrigatórias de candidatura.
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Segundo a denúncia, Evandro Leitão teria deixado de declarar uma mansão localizada no condomínio Alphaville Fortaleza, situado no município do Eusébio. O imóvel teria sido adquirido e construído em 2021, antes da eleição de 2022, mas não constaria nas declarações de bens apresentadas naquele ano nem na disputa eleitoral de 2024.
O inquérito também apura a aquisição de um apartamento de 212 metros quadrados no Edifício Maison Isabel, no bairro Aldeota, em Fortaleza. Conforme a investigação, o imóvel teria sido adquirido em 2026 em nome de um dos filhos do prefeito, por meio da empresa SL Negócios Imobiliários LTDA, ligada à família.
No despacho que solicitou a abertura do inquérito, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) destacou a importância da declaração de bens para garantir a transparência do processo eleitoral e permitir o acompanhamento da evolução patrimonial dos candidatos.
O órgão também solicitou que fosse verificado se, durante a campanha eleitoral, Evandro Leitão utilizou o patrimônio declarado como argumento para reforçar sua imagem pública.
“A declaração de bens apresentada no pedido de registro de candidatura constitui documento eleitoral obrigatório, cuja veracidade possui relevância para a transparência do processo eleitoral e para o controle público da evolução patrimonial dos candidatos”, destacou o MPCE.
No dia 19 de junho, a Polícia Federal determinou o levantamento patrimonial de Evandro Leitão, de sua esposa e de seus filhos. Também requisitou documentos relacionados a registros imobiliários, pagamento de tributos sobre propriedades e informações sobre a empresa SL Negócios Imobiliários LTDA e outras pessoas jurídicas eventualmente vinculadas ao grupo familiar.
Em nota, Evandro Leitão informou que suas declarações de bens foram aceitas pela Justiça Eleitoral nos pleitos de 2022 e 2024 e afirmou não possuir pendências junto à Receita Federal.
Segundo o prefeito, os imóveis mencionados na investigação não foram declarados porque não estão registrados em seu nome.
“Os dois imóveis citados no documento não foram declarados pois não estão registrados em seu nome, e sim no de familiares seus, devidamente declarados junto à Receita Federal. Evandro possui uma conduta ilibada, sem mácula em sua carreira pública, e se coloca à disposição para prestar os devidos esclarecimentos”, diz a nota.
Procurada, a Polícia Federal informou que não comenta investigações em andamento. Já o Ministério Público do Estado do Ceará informou que o procedimento tramita sob sigilo.
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