

Especialistas alertam que manter o cérebro ativo com desafios diários e reduzir a dependência da Inteligência Artificial pode ajudar a preservar a memória e a saúde cognitiva ao longo do envelhecimento. | Foto: divulgação
14 de julho de 2026 – O crescimento do uso da Inteligência Artificial (IA) nas atividades do dia a dia tem facilitado a rotina de milhões de pessoas. No entanto, especialistas alertam que a dependência excessiva dessas ferramentas pode provocar um fenômeno conhecido como sedentarismo cognitivo, reduzindo os estímulos necessários para manter o cérebro saudável ao longo da vida.
Às vésperas do Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho, a psicopedagoga Danniela Rolim Medeiros reforça a importância de exercitar continuamente funções como memória, atenção, raciocínio lógico e tomada de decisão. Segundo ela, atividades simples, como fazer cálculos mentais, memorizar números de telefone ou encontrar um caminho sem recorrer ao GPS, ajudam a preservar a saúde cerebral.
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Franqueada do Super Cérebro Longevidade – Unidade Aldeota, em Fortaleza, Danniela atua com adultos a partir dos 45 anos e destaca que o envelhecimento cerebral é um processo natural, mas sua velocidade depende diretamente dos hábitos adotados ao longo da vida.
“A boa notícia é que o cérebro mantém sua capacidade de adaptação ao longo da vida. As experiências e os conhecimentos acumulados são preservados, mas precisam ser continuamente estimulados. Quando delegamos tarefas simples à tecnologia e deixamos de exercitar nossas habilidades cognitivas, favorecemos um verdadeiro sedentarismo cerebral”, afirma a psicopedagoga Danniela Rolim Medeiros.
Ela ressalta que, especialmente após os 60 anos, manter o cérebro ativo é fundamental para preservar a autonomia e a qualidade de vida.
A especialista cita exemplos observados tanto na vida pessoal quanto no ambiente profissional para demonstrar como o uso excessivo do celular pode reduzir os estímulos cognitivos.
Ela conta que sua mãe, de 92 anos, já foi encontrada pela cuidadora utilizando o celular durante a madrugada, enquanto muitos de seus alunos acima dos 60 anos relatam passar boa parte do tempo em família manuseando aparelhos eletrônicos.
Para Danniela, é importante incentivar atividades em grupo, jogos que estimulem concentração, memória, raciocínio e vocabulário, além de aulas monitoradas de informática e momentos de convivência social.
“A longevidade avançada vem, muitas vezes, acompanhada de perdas. Ter um olhar atento e cuidadoso com o seu ente querido faz toda a diferença para a manutenção do repertório que foi adquirido durante as diferentes fases da vida. E no mundo em que as facilidades estão se sobressaindo à plasticidade cerebral, que é quando o conhecimento é ampliado, é preciso se policiar e usar menos GPS, menos calculadora e menos agenda de telefone”, orienta Danniela Rolim Medeiros.
Segundo a psicopedagoga, apenas situações patológicas, como doenças neurodegenerativas — entre elas o Alzheimer — ou a ausência prolongada de estímulos mentais e sociais podem comprometer significativamente a capacidade de aprender.
Ela lembra ainda que o cérebro permanece ativo durante o sono.
“É nesse período de descanso que as informações recebidas durante o dia são processadas e formam a nossa memória”, explica.
Entre as curiosidades destacadas pela especialista, o cérebro humano possui cerca de 86 bilhões de neurônios, pesa aproximadamente 1,4 kg e consome cerca de 20% da energia produzida pelo organismo. Também é capaz de processar imagens extremamente rápidas e possui enorme capacidade de armazenamento de informações.
Apesar dos avanços tecnológicos, Danniela reforça que nenhuma ferramenta consegue substituir plenamente as funções cerebrais.
“A IA tem sua utilidade e vem contribuindo em muitas áreas, mas é preciso saber usar e não ficar dependente dela. Do contrário, a perda da memória será o preço a ser pago em um futuro breve.”
Como recomendação, a especialista orienta que as pessoas valorizem uma boa qualidade do sono, reduzam o tempo de exposição às distrações digitais e procurem manter o cérebro constantemente desafiado por meio de atividades intelectuais e sociais.
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