

Barcos ancorados ao largo da península de Musandam, no norte de Omã. | Foto: AFP
09 de julho de 2026 – O conflito entre Irã e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (9), após as Forças Armadas iranianas anunciarem ataques contra infraestruturas militares norte-americanas localizadas em países do Golfo Pérsico. A ofensiva ocorreu em resposta aos recentes bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra províncias costeiras do sul e do leste do território iraniano, elevando a tensão na região e colocando ainda mais pressão sobre o acordo de cessar-fogo.
Ao mesmo tempo, o Irã se prepara para o funeral do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, morto em um ataque aéreo norte-americano no início da guerra, em 28 de fevereiro. O sepultamento será realizado em Mashhad, cidade considerada um dos principais centros religiosos do país, após uma semana de cerimônias e manifestações populares.
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Segundo a agência iraniana Fars, a Força Aérea do Irã empregou caças MiG-29 para reforçar a segurança do espaço aéreo durante o cortejo fúnebre em Mashhad, localizada no nordeste do país.
A cerimônia ocorre em meio ao agravamento do confronto militar e ao aumento da preocupação internacional com a estabilidade da região.
Em comunicado divulgado pela imprensa estatal, o Exército iraniano informou que utilizou drones para atingir sistemas antimísseis Patriot dos Estados Unidos instalados no Kuwait, uma instalação de alerta antecipado — composta por uma antena de satélite — no Catar e um depósito de combustível utilizado pelas forças norte-americanas no Bahrein.
As autoridades do Kuwait informaram que suas forças de defesa interceptaram um míssil de cruzeiro, três mísseis balísticos e dez drones que cruzaram o espaço aéreo do país. Uma pessoa ficou ferida após ser atingida por estilhaços.
Na Jordânia, sirenes de alerta também foram acionadas após a detecção de mísseis lançados do Irã. Segundo a agência estatal jordaniana, oito projéteis foram interceptados sem registro de vítimas ou danos materiais.
De acordo com a mídia estatal iraniana, os ataques norte-americanos realizados nos dias 8 e 9 de julho provocaram a morte de 14 pessoas e deixaram outras 78 feridas em cinco províncias.
A agência Fars informou que uma das ofensivas atingiu uma ponte ferroviária utilizada para o transporte de cargas entre o Irã, a Rússia e a China.
Explosões também foram registradas nas cidades de Bushehr e Bandar Abbas. Em Bushehr, onde está localizada a principal usina nuclear construída pela Rússia em território iraniano, um projétil atingiu a área do perímetro da instalação, segundo autoridades locais.
Ainda conforme o governo provincial, outros ataques atingiram uma instalação militar e um cais de pesca, sem registro de vítimas.
A escalada militar continua concentrando atenções sobre o Estreito de Ormuz, corredor estratégico responsável por cerca de um quinto do transporte mundial de petróleo antes do início do conflito.
Segundo autoridades norte-americanas, os bombardeios realizados pelos Estados Unidos tiveram como objetivo garantir a livre navegação na região após ataques atribuídos ao Irã contra petroleiros que cruzavam o estreito.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que aproximadamente 90 alvos militares iranianos foram atingidos, incluindo sistemas de defesa aérea, radares costeiros, depósitos de mísseis e drones, bases navais e estruturas logísticas.
Em comunicado, o Centcom afirmou que “os Estados Unidos estão responsabilizando o Irã pela recente agressão injustificada contra navios comerciais e tripulações civis que navegavam livremente por uma via navegável internacional vital”.
O Catar, que abriga a maior base militar dos Estados Unidos no Oriente Médio e atua frequentemente como mediador entre Washington e Teerã, voltou a defender uma solução diplomática para a crise.
Em conversa telefônica com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, o primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani, condenou os ataques contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz e reforçou o apelo pelo diálogo.
Embora o Irã não tenha assumido oficialmente a autoria dos ataques aos navios, analistas internacionais avaliam que essas ações fazem parte da estratégia de pressão de Teerã nas negociações com os Estados Unidos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os ataques representam uma resposta às ações iranianas contra embarcações comerciais.
“Trata-se de uma retaliação ao bombardeio de navios pelo Irã ontem. Se isso acontecer novamente, a situação ficará muito pior!”, escreveu o presidente na plataforma Truth Social.
Durante participação na cúpula da Otan, realizada em Ancara, Trump também declarou que não acredita que os confrontos evoluam para uma guerra de grandes proporções.
“Tudo o que acontecer vai acabar muito rapidamente e só vai tornar a situação mais segura, inclusive para o petróleo“, afirmou a jornalistas.
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Tags: Irã, Estados Unidos, Donald Trump, Ali Khamenei, Oriente Médio, Golfo Pérsico, Estreito de Ormuz, Kuwait, Catar, Bahrein, Jordânia, Centcom, petróleo, geopolítica, conflito internacional, guerra, diplomacia, Portal Terra da Luz