

Trump afirma que acordo com o Irã está em fase avançada e prevê reabertura do Estreito de Ormuz, mas mídia iraniana contesta a versão americana | Foto: Alex Wong/Getty Images
24 de maio de 2026 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, neste sábado (23), que um acordo mais amplo entre Washington, Teerã e outros países está “em grande parte negociado” e pode abrir caminho para a reabertura do Estreito de Ormuz. A declaração sinaliza possível avanço nas tratativas para encerrar a guerra que já dura meses.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump disse que o entendimento ainda depende de ajustes finais. “Um acordo foi em grande parte negociado, sujeito à finalização, entre os Estados Unidos da América, a República Islâmica do Irã e os diversos outros países”, escreveu o presidente americano.
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A agência estatal iraniana Fars contestou a fala de Trump e informou que o Estreito de Ormuz continuará sob controle de Teerã, conforme a versão mais recente da proposta trocada entre os dois países.
Segundo a agência, as declarações do presidente americano sobre a reabertura da passagem marítima “não são verdadeiras” e seriam “inconsistentes com a realidade”.
“Embora o Irã tenha concordado em permitir que o número de embarcações que passam retorne aos níveis pré-guerra, isso de forma alguma significa ‘livre passagem’ como existia antes da guerra”, informou a Fars.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, também afirmou que qualquer mecanismo relacionado ao Estreito de Ormuz deve ser acordado entre o Irã, Omã e os países que fazem fronteira com a hidrovia. Para ele, os Estados Unidos “não têm nada a ver” com essa definição.
Versões recentes do memorando de entendimento indicam que Trump estaria próximo de finalizar um acordo para encerrar as hostilidades com o Irã. A proposta incluiria a reabertura gradual do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio americano aos portos iranianos.
O acordo também desbloquearia parte dos ativos iranianos mantidos em bancos fora do país e abriria um prazo de pelo menos 30 dias para negociações sobre pontos ainda sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano e o destino do estoque de urânio enriquecido de grau quase bélico de Teerã.
Trump afirmou que detalhes finais do acordo ainda estão sendo discutidos e podem ser alterados antes do anúncio oficial.
“Os aspectos e detalhes finais do Acordo estão sendo discutidos e serão anunciados em breve. Além de muitos outros elementos do Acordo, o Estreito de Ormuz será aberto”, disse o presidente americano.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, parabenizou Trump pelos “esforços extraordinários para buscar a paz”, mas não mencionou diretamente um acordo nem a reabertura do Estreito de Ormuz. Islamabad tem atuado como mediador central nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
Sharif citou uma “ligação telefônica muito útil e produtiva” entre Trump e líderes de países do Golfo, Turquia, Egito, Jordânia e Paquistão, representado pelo chefe militar Asim Munir.
“As discussões proporcionaram uma oportunidade útil para trocar opiniões sobre a situação regional atual e como avançar nos esforços de paz em curso”, afirmou Sharif.
Segundo uma fonte regional ouvida pela CNN, Estados Unidos e Irã estariam se aproximando de um entendimento preliminar para construir um pacto mais detalhado no futuro. Autoridades americanas e iranianas também indicaram avanços após mediações conduzidas por Catar e Paquistão em Teerã.
Trump afirmou ter conversado separadamente com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em uma ligação que classificou como “muito bem-sucedida”.
A principal preocupação de Israel é que um eventual acordo provisório apenas estenda o cessar-fogo, reabra o Estreito de Ormuz e alivie sanções contra o Irã, sem tratar dos pontos considerados centrais por Tel Aviv, como o programa nuclear iraniano e o enriquecimento de urânio.
Segundo uma fonte israelense, os Estados Unidos têm buscado tranquilizar Israel sobre a questão nuclear. Netanyahu deve reunir ministros e autoridades de segurança para discutir os desdobramentos das negociações.
Apesar dos avanços diplomáticos, autoridades iranianas mantiveram discurso de cautela e resistência. O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país não abrirá mão de seus direitos nacionais.
O porta-voz Esmail Baghaei confirmou que prazos de 30 e 60 dias foram incluídos no texto do memorando, mas ressaltou que o acordo ainda não está finalizado.
“Ao longo da última semana, os pontos de vista têm se aproximado”, disse Baghaei.
“Devemos aguardar para ver o que acontecerá nos próximos três ou quatro dias”, acrescentou.
Em entrevista à Axios, Trump afirmou que as chances de acordo com o Irã eram “sólidas de 50/50” antes das conversas com líderes regionais. O presidente americano disse ainda que poderia decidir até domingo se retomaria a ação militar, caso as negociações não avancem.
O cenário permanece incerto, mas os sinais de diálogo entre Washington, Teerã e mediadores regionais indicam uma nova etapa nas tentativas de reduzir a tensão no Oriente Médio e restabelecer a circulação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
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