

Plano lançado pelo governo visa atenuar efeitos da seca no país | Foto: Gabriel Carvalho/Setur-BA
17 de dezembro de 2025 – Considerada um dos principais sumidouros de gás carbônico do país e essencial para a infiltração de água no solo e a recarga de aquíferos, a Caatinga é hoje o bioma brasileiro mais ameaçado pela desertificação. Para enfrentar esse cenário, o governo federal lançou o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil), que prevê a recuperação de 10 milhões de hectares de terras degradadas no bioma.
O plano foi apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) nesta terça-feira (16), em Brasília, e reúne 175 iniciativas voltadas ao combate à desertificação e à recuperação de áreas degradadas em todos os biomas brasileiros até o ano de 2045.
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Segundo o diretor do Departamento de Combate à Desertificação do MMA, Alexandre Pires, o objetivo do plano é promover uma restauração que vá além do aspecto ambiental, integrando desenvolvimento social e econômico.
“Queremos alavancar todo o processo de restauração socioprodutiva, assegurando a recuperação do solo degradado, da recomposição vegetal, da disponibilidade de água, da produção de alimentos saudáveis, da geração de trabalho e emprego e de outros serviços ecossistêmicos”, afirmou.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a desertificação resulta principalmente do uso inadequado do solo e da intensificação das secas provocadas pelas mudanças climáticas. O fenômeno representa a perda da capacidade produtiva da terra e afeta, sobretudo, regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas.
Estimativas globais indicam que até 75% da população mundial pode ser impactada pela degradação do solo nas próximas décadas.
No Brasil, estudo divulgado em junho pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) aponta que a desertificação ameaça cerca de 18% do território nacional, concentrado majoritariamente na Região Nordeste, onde vivem aproximadamente 39 milhões de pessoas.
Além da Caatinga, o Cerrado e a Mata Atlântica já enfrentam processos avançados de degradação. Um relatório apresentado durante o lançamento do PAB-Brasil revelou ainda que, pela primeira vez, foram identificadas áreas suscetíveis à desertificação no Pantanal.
Diante desse cenário, o plano incluiu povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares no cadastro de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), política pública que remunera quem contribui para a conservação e a melhoria do meio ambiente.
“Somente juntos vamos avançar no combate à desertificação e na mitigação dos efeitos da seca”, destacou a secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Edel Moraes.
Entre as iniciativas previstas no plano estão a criação do Sistema de Alerta Precoce de Desertificação e Seca, o apoio financeiro para elaboração de planos estaduais, a criação de novas unidades de conservação e a ampliação da conectividade ambiental por meio da recuperação da vegetação nativa.
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