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Opinião: Instabilidade, Incerteza e Insegurança no Mundo Contemporâneo Por Élcio Batista, Cientista Social, Professor e Líder em Inovação. Coordenador do Programa Cidade +2°C do Centro de Estudos das Cidades | Laboratório Arq.Futuro | Insper

Instabilidade, Incerteza e Insegurança no Mundo Contemporâneo

A nova era da instabilidade sistêmica. Um paralelo histórico: Revolução industrial e instabilidade global | Foto: reprodução

A sensação de que o mundo atual está em constante desordem não é inédita. Há momentos históricos em que mudanças tecnológicas e econômicas profundas abalam estruturas políticas, sociais e culturais, gerando ciclos de instabilidade e incerteza. Um desses momentos foi a Revolução Industrial, ocorrida principalmente entre o final do século XVIII e o século XIX, que alterou radicalmente a forma como sociedades humanas produziam riqueza, se organizavam e se relacionavam com o tempo e o espaço.

Assim como hoje, aquela época foi marcada por aceleração, disrupção e rupturas — embora em outro ritmo e escala. A transição do trabalho artesanal para a produção mecanizada, o surgimento das fábricas, o crescimento explosivo das cidades, a expansão das ferrovias, a industrialização da guerra e a reorganização das relações de trabalho produziram um mundo inteiramente novo, mas também profundamente instável.

Do ponto de vista geopolítico, a Revolução Industrial desequilibrou o sistema de poder global. A Grã-Bretanha, primeiro país a industrializar-se plenamente, tornou-se potência hegemônica no século XIX, exportando não apenas produtos, mas também instituições, normas, línguas e valores. Em paralelo, outras potências emergiram: a Alemanha unificada, os Estados Unidos industrializados e, mais tardiamente, o Japão modernizado. Esse novo eixo econômico e militar desestabilizou impérios antigos — como o Império Otomano, o Austro-Húngaro e o Czarismo Russo — que não conseguiram acompanhar a velocidade das mudanças. A Primeira Guerra Mundial (1914–1918) foi o estopim de colapsos imperiais acumulados e mal administrados.

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A industrialização não apenas gerou crescimento econômico sem precedentes, mas também profundas desigualdades, migrações em massa e protestos sociais. Cidades como Londres, Manchester, Paris, Berlim ou Nova York se tornaram centros de aglomeração populacional, com péssimas condições sanitárias, exploração trabalhista e ausência de regulação. O aumento das tensões sociais levou à emergência de ideologias revolucionárias — como o socialismo, o anarquismo e o marxismo — que propunham respostas radicais ao sofrimento das massas trabalhadoras.

Os movimentos luditas, que destruíam máquinas como forma de protesto contra o desemprego tecnológico, simbolizam uma reação visceral à transformação econômica. As Revoluções de 1848, que abalaram diversos países europeus, revelam o quanto a instabilidade social gerada por mudanças econômicas profundas pode se converter em crise política. Karl Marx e Friedrich Engels, ao escreverem o Manifesto Comunista, diziam que “tudo que é sólido se desmancha no ar” — uma frase que sintetiza não apenas a volatilidade de seu tempo, mas também a forma como o capitalismo dissolvia os vínculos sociais tradicionais.

A Segunda Revolução Industrial, entre 1870 e 1914, introduziu novos elementos: eletricidade, petróleo, aço, produção em massa. Ela consolidou uma economia mundial interconectada por finanças, comércio e comunicações. Mas também gerou um novo tipo de risco: o colapso sistêmico. A crise de 1929, a Grande Depressão e, em seguida, a Segunda Guerra Mundial revelaram que a globalização econômica sem mecanismos de regulação social e política pode se tornar altamente instável.

O economista e sociólogo Karl Polanyi, em A Grande Transformação (1944), argumentou que a tentativa de subordinar toda a vida social à lógica do mercado acabou destruindo os laços comunitários, produzindo insegurança e instabilidade em massa, e gerando reações autoritárias. Em suas palavras, “o liberalismo de mercado desfez o tecido social que mantinha a coesão das sociedades”, o que levou ao surgimento de regimes fascistas e à ascensão de sistemas totalitários como o nazismo e o stalinismo.

Esse ciclo de instabilidade – provocado por inovações tecnológicas mal integradas ao sistema político-social – tem ressonâncias evidentes com o presente.
Hoje, vivemos uma revolução digital tão transformadora quanto a revolução industrial, com inteligência artificial, automação, internet das coisas, criptomoedas, biotecnologia e energia limpa redesenhando as bases da produção e da convivência. E assim como naquela época, enfrentamos rupturas no emprego, crescimento de desigualdades, ansiedade social, erosão institucional e emergência de novos extremismos políticos.

As reações ao novo também assumem formas semelhantes: protestos de rua contra elites políticas e econômicas, surgimento de ideologias radicais à direita e à esquerda, nostalgia por um passado supostamente mais estável, rejeição ao globalismo. A diferença é que, hoje, essas transformações ocorrem em velocidade exponencial e em escala planetária, com consequências mais rápidas e abrangentes.

A lição histórica da Revolução Industrial é clara: transformações profundas na base econômica da sociedade exigem adaptações igualmente profundas nas instituições políticas, nas políticas sociais e nas culturas coletivas. Quando essa adaptação não ocorre — ou ocorre tardiamente —, os choques se acumulam até produzirem rupturas sistêmicas.

Diante da revolução tecnológica atual, da crise ambiental global e da desorganização da ordem internacional, a humanidade enfrenta um dilema análogo ao do século XIX: ou construímos instituições capazes de absorver e regular as transformações em curso, ou assistiremos a uma escalada de instabilidades que poderão culminar em guerras, colapsos ou novas formas de autoritarismo.


Élcio Batista é Cientista Social, Professor e Líder em Inovação. Coordenador do Programa Cidade +2°C do Centro de Estudos das Cidades | Laboratório Arq.Futuro | Insper


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Portal Terra da Luz. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, ou um outro artigo com suas ideias, envie sua sugestão de texto para portalterradaluz.


Élcio Batista | Foto: reprodução

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O editor responsável pelo Portal Terra da Luz é o jornalista Hermann Hesse, profissional reconhecido pela atuação na imprensa cearense desde 1990. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atuou durante quase 20 anos na TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo, como repórter, produtor, editor, apresentador, editor-chefe do jornal mais importante e de maior audiência do Ceará, o CETV. Em 2011, assumiu a Coordenadoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e, dois anos depois, foi Coordenador de Comunicação Institucional da Prefeitura de Fortaleza. Em janeiro de 2019, assumiu a direção de Jornalismo do Grupo Cidade de Comunicação, onde atuou por 2 anos e meio. No dia 12 julho de 2021 colocou no ar a primeira notícia e, desde então, é o responsável por todos os conteúdos publicados no Portal Terra da Luz. Entre agosto de 2022 e agosto de 2025 atuou, paralelamente, como diretor de Jornalismo da Band Ceará, emissora ligada diretamente à cabeça de rede, em São Paulo.

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