

Trilha na Reserva Florestal Sítio dos Macacos revela trecho preservado da Mata Atlântica e mostra uma dimensão pouco conhecida da Rocinha, no Rio de Janeiro | Foto: Thais Dutra/Agência Brasil
19 de julho de 2026 – Uma trilha de aproximadamente 20 minutos revela uma dimensão pouco conhecida da Rocinha, no Rio de Janeiro. Em meio à correria urbana e à imagem mais popular da comunidade, visitantes podem percorrer um trecho preservado da Mata Atlântica, conhecer nascentes, observar aves e entrar em contato com parte importante da história da recuperação ambiental da Floresta da Tijuca.
A experiência acontece na Reserva Florestal Sítio dos Macacos, na Estrada da Gávea, em um acesso entre a comunidade e o Parque Nacional da Tijuca. O roteiro integra o projeto Na Favela Turismo, iniciativa que valoriza o turismo de base comunitária e apresenta a Rocinha a partir de sua riqueza ambiental, cultural e histórica.
Poucos metros depois de deixar uma das vias mais movimentadas da comunidade, o cenário se transforma. O barulho do trânsito dá lugar ao canto de sabiás, sanhaços e bem-te-vis, enquanto nascentes de águas cristalinas acompanham o percurso entre árvores nativas e frutíferas.
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A trilha está inserida na Floresta da Tijuca, reconhecida como a maior floresta urbana replantada do mundo.
O local guarda um capítulo essencial da história ambiental brasileira. Em 1861, após o desmatamento das encostas para o cultivo do café comprometer o abastecimento de água da então capital do Império, Dom Pedro II determinou o início do reflorestamento da região.
Sob a coordenação do Major Manuel Gomes Archer, milhares de árvores foram plantadas para recuperar as nascentes que abasteciam a cidade do Rio de Janeiro.
Mais de um século e meio depois, esse legado permanece vivo e pode ser conhecido por visitantes que percorrem a Reserva Florestal Sítio dos Macacos.
Ao longo do caminho, a trilha permite observar a diversidade da Mata Atlântica e o contraste entre a paisagem verde e a rotina intensa da comunidade.
O roteiro inclui árvores nativas e frutíferas, como jaqueiras, jabuticabeiras, mangueiras, bananeiras e pitangueiras.
O ambiente também favorece a observação de aves e o contato direto com nascentes, reforçando a importância da preservação ambiental em áreas urbanas.
Para os visitantes, a experiência amplia a percepção sobre a Rocinha e mostra que a comunidade também abriga paisagens naturais, memória histórica e práticas de conservação.

Um dos pontos que mais chamam atenção durante o percurso é um antigo muro de pedras preservado em meio à floresta.
Tradicionalmente associado ao trabalho de 11 homens escravizados, o monumento integra a memória histórica do território e dá à visita um significado que vai além do contato com a natureza.
A presença dessa estrutura reforça a relação entre meio ambiente, história social e formação urbana do Rio de Janeiro.
O roteiro, portanto, também funciona como uma experiência de educação patrimonial, ao conectar os visitantes à memória de pessoas que participaram da construção e recuperação da área.
A Reserva Florestal Sítio dos Macacos também desenvolve ações voltadas à sustentabilidade.
Entre as práticas estão a produção de adubo orgânico a partir de resíduos vegetais e a manutenção de um viveiro de mudas de espécies ornamentais e nativas.
Essas iniciativas reforçam o compromisso do espaço com a conservação ambiental, o manejo consciente de resíduos e a valorização da biodiversidade local.
O passeio termina em uma piscina natural alimentada por nascentes, um dos pontos mais procurados pelos visitantes.
Para o criador do Na Favela Turismo, o empreendedor social Renan Monteiro, a proposta é apresentar uma Rocinha que surpreende quem pensa já conhecer a comunidade.
“A trilha do Sítio dos Macacos revela uma Rocinha que surpreende até quem pensa que já conhece a comunidade. É um encontro entre natureza, história e pertencimento, mostrando que a favela também preserva paisagens, memórias e experiências capazes de transformar a forma como as pessoas enxergam esse território”, afirmou Renan Monteiro.
Segundo ele, o turismo de base comunitária aproxima visitantes da riqueza ambiental e cultural da comunidade, ao mesmo tempo em que gera oportunidades para moradores.
“Cada passo na trilha do Sítio dos Macacos é um convite para descobrir a potência da Rocinha além dos estereótipos. Nosso propósito é conectar visitantes à riqueza ambiental e cultural da comunidade, gerando oportunidades para os moradores e fortalecendo um turismo que valoriza quem vive aqui”, destacou Renan Monteiro.
A iniciativa busca integrar conservação ambiental, valorização do patrimônio histórico e desenvolvimento local.
Para os organizadores, a proximidade entre a Rocinha e uma das áreas mais importantes da Floresta da Tijuca demonstra que a preservação ambiental também faz parte da identidade da comunidade.
O projeto reforça a importância de olhar para os territórios populares a partir de suas potencialidades, reconhecendo saberes locais, experiências comunitárias e caminhos sustentáveis para o turismo.
Ao reunir Mata Atlântica, história, memória social, educação ambiental e geração de renda, a trilha do Sítio dos Macacos se consolida como uma experiência de turismo que amplia narrativas sobre a Rocinha e valoriza quem vive no território.
Reserva Florestal Sítio dos Macacos
Local: Estrada da Gávea, acesso pela Rocinha, Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro
Visitação: trilha interpretativa de aproximadamente 20 minutos, com observação de aves, árvores frutíferas, patrimônio histórico, viveiro de mudas e banho em piscina natural
Recomendação: agendamento prévio e acompanhamento por condutores locais
Projeto: Na Favela Turismo
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