

Aplicativo Discord suspendeu temporariamente as transmissões ao vivo e o compartilhamento de vídeos no Brasil para cumprir determinação da ANPD. | Foto: Juca Varella/Agência Brasil
18 de agosto de 2026 – O Discord suspendeu, por tempo indeterminado, a funcionalidade de transmissões ao vivo e compartilhamento de vídeos para usuários no Brasil. A medida atende a uma determinação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que busca reforçar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma após a identificação de falhas na prevenção de conteúdos e práticas de risco.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (17), a empresa confirmou o cumprimento da decisão.
“Em cumprimento à determinação da ANPD, suspendemos os recursos de vídeo do Discord no Brasil”, informou a companhia.
O prazo estabelecido pela ANPD para que a plataforma implementasse a suspensão terminou nesta segunda-feira.
Segundo o Discord, a interrupção das transmissões ao vivo e do compartilhamento de vídeos não afeta os recursos de mensagens de texto, chamadas de áudio e demais funcionalidades disponíveis aos usuários brasileiros.
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A empresa também afirmou que mantém diálogo com a autoridade reguladora para encontrar uma solução que permita o restabelecimento do serviço de vídeo no país.
“O vídeo é uma parte importante e muito valorizada da experiência no Discord, permitindo que nossos usuários se comuniquem e criem conexões significativas ao compartilhar experiências, jogar juntos e manter contato com amigos e familiares”, destacou a plataforma.
Caso de adolescente motivou medida cautelar
A suspensão preventiva foi determinada pela ANPD após a repercussão do caso envolvendo uma adolescente de 13 anos, moradora de Naviraí (MS), que morreu em 22 de julho. Segundo a empresa, o episódio foi resultado de uma “campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas” digitais.
Conforme a Agência Brasil, a Superintendência de Fiscalização da ANPD identificou evidências de que o Discord não adotou medidas consideradas suficientes para prevenir riscos relacionados ao acesso, à exposição e à facilitação de contato com conteúdos potencialmente nocivos, especialmente para crianças e adolescentes.
Em nota, a ANPD explicou que a decisão foi baseada em indícios consistentes de falhas na proteção dos usuários menores de idade.
“A medida cautelar de suspensão da funcionalidade de lives foi determinada pela Superintendência de Fiscalização em função de evidências robustas de que a empresa não adotou medidas razoáveis para prevenir e mitigar riscos de acesso, exposição, recomendação ou facilitação de contato com conteúdos ou práticas que representem graves violações de direitos de crianças e adolescentes no âmbito do seu serviço”, informou a autoridade.
A ANPD é responsável por fiscalizar a aplicação da legislação de proteção de dados pessoais no Brasil, incluindo as normas previstas no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).
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