

Infraestrutura de data centers pode transformar o Brasil em um importante polo internacional de processamento de dados e inteligência artificial | Foto: reprodução/Tractebel
11 de julho de 2026 – O Brasil tem uma janela estratégica de aproximadamente três anos para se consolidar como destino internacional de grandes data centers, estruturas essenciais para o armazenamento, o processamento e a circulação de dados utilizados por empresas, governos e sistemas de inteligência artificial.
A avaliação é de representantes do setor de infraestrutura digital, que enxergam uma oportunidade provocada pelas dificuldades enfrentadas por mercados tradicionais, como Estados Unidos e países europeus. Nessas regiões, a conexão de novos centros de processamento às redes elétricas pode demorar entre cinco e sete anos, criando uma demanda temporariamente sem atendimento.
“Há uma janela de oportunidade de três anos. É a fila de conexão nos Estados Unidos e na Europa. Para você conseguir conectar um data center na infraestrutura energética, precisa de cinco a sete anos”, afirmou Luciano Fialho, vice-presidente sênior de Desenvolvimento Corporativo e Fusões e Aquisições da Scala Data Centers. Segundo ele, o Brasil precisa agir imediatamente para disputar esses investimentos.
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Os data centers exigem fornecimento contínuo e elevado de energia elétrica. O avanço da inteligência artificial ampliou ainda mais essa necessidade, porque o treinamento e a operação de modelos generativos utilizam grandes quantidades de capacidade computacional.
Nesse cenário, o Brasil apresenta uma vantagem relevante: uma matriz elétrica com forte participação de fontes renováveis, como hidrelétrica, eólica e solar. Além de reduzir a emissão de carbono associada aos empreendimentos, essa característica pode atrair empresas submetidas a metas ambientais e compromissos de sustentabilidade.
O desafio é garantir que a disponibilidade energética seja acompanhada por linhas de transmissão, estabilidade regulatória, segurança jurídica, conectividade de alta capacidade e processos de licenciamento eficientes. Um projeto de grande porte não depende apenas de terreno e eletricidade, mas também de infraestrutura de telecomunicações, mão de obra especializada e previsibilidade tributária.
Estudo elaborado pela FGV Projetos estima que um data center de 100 megawatts pode acrescentar cerca de R$ 1,5 bilhão ao Produto Interno Bruto brasileiro. Os efeitos econômicos ultrapassam a construção física do empreendimento e alcançam serviços de tecnologia, manutenção, energia, engenharia e formação profissional.
A presença dessas estruturas também pode facilitar a instalação de empresas de inteligência artificial, computação em nuvem, serviços financeiros, comércio eletrônico, saúde digital e pesquisa científica.
Quanto mais próxima estiver a capacidade de processamento, menor tende a ser a latência, ou seja, o tempo de resposta entre o envio e o recebimento de uma informação. Essa característica é decisiva em aplicações como veículos autônomos, cirurgias remotas, plataformas bancárias, sistemas de segurança e serviços públicos digitais.
Atualmente, uma parcela relevante dos dados utilizados no Brasil é processada ou armazenada no exterior, principalmente nos Estados Unidos. Para o setor, essa dependência representa risco econômico e estratégico.
“Se não fizermos essa infraestrutura aqui, outros países vão processar inclusive a demanda brasileira”, alertou Luciano Fialho. A discussão envolve soberania digital, proteção de dados e capacidade nacional de operar serviços essenciais.
Setores como finanças, saúde, educação, telecomunicações e administração pública dependem cada vez mais de redes digitais. Uma crise externa, falha de conexão ou disputa geopolítica pode comprometer sistemas mantidos fora do território nacional.
O Ceará possui condições para participar dessa expansão devido à sua posição geográfica, à disponibilidade de energia renovável e à presença de cabos submarinos de fibra óptica que conectam Fortaleza a outros continentes.
A capital cearense já funciona como importante ponto de conexão internacional de dados. A combinação entre energia eólica, solar, infraestrutura portuária e telecomunicações pode atrair novos investimentos e empregos qualificados.
Para aproveitar a oportunidade, será necessário integrar governo, universidades, centros de formação, empresas de energia e setor tecnológico. A corrida é global, e países como Argentina e Paraguai também buscam receber projetos semelhantes.
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