

Pesquisa da UFC identifica bisfenol A em comprovantes e recibos impressos em papel térmico e alerta para riscos à saúde. | Foto: PixaBay
17 de julho de 2026 – Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) confirmaram a presença de bisfenol A (BPA), substância considerada um desregulador hormonal, em papéis térmicos utilizados na impressão de comprovantes e recibos que circulam no Brasil. O estudo aponta que o composto pode ser absorvido pela pele durante o simples manuseio desses documentos, especialmente quando as mãos estão úmidas ou com álcool em gel ou cremes.
A pesquisa foi realizada no Laboratório de Produtos e Tecnologia em Processos (LPT), do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica da UFC, sob coordenação do professor Diego Lomonaco.
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Os papéis térmicos são amplamente utilizados em comprovantes de cartões, recibos de supermercados, senhas de atendimento e outros documentos emitidos por impressoras que utilizam calor em vez de tinta.
Segundo o professor Diego Lomonaco, o BPA é empregado como revelador químico responsável por fazer surgir a impressão no papel.
“Aqui no Brasil, não existe regulamentação específica nem fiscalização da composição química de papéis térmicos, e os fabricantes e fornecedores não têm obrigação de apresentar laudo ou certificado de composição”, informa o pesquisador.
De acordo com estudos anteriores, os níveis de bisfenol A encontrados em papéis térmicos comercializados no Brasil estão entre os mais elevados do mundo.
O estudo destaca que o BPA permanece solto na superfície do papel, facilitando sua transferência para a pele durante o contato.
“O BPA não está preso quimicamente ao papel, ele fica solto na superfície e se transfere para a pele por simples contato”, explica Diego Lomonaco.
Segundo o pesquisador, a absorção pode aumentar em até dez vezes quando a pessoa está com as mãos úmidas ou utiliza álcool em gel e cremes hidratantes.
“O que torna isso preocupante é que, quando o BPA entra pela pele, ele cai direto na corrente sanguínea em forma ativa, sem passar pelo fígado, que é o órgão que normalmente neutralizaria boa parte dele”, reforça.
O bisfenol A é reconhecido como um desregulador do sistema endócrino, podendo interferir na produção e no funcionamento dos hormônios.
Segundo o estudo, pesquisas científicas relacionam a exposição ao BPA a alterações no sistema imunológico, distúrbios reprodutivos, problemas metabólicos, alterações neurológicas e ao aumento do risco de alguns tipos de câncer, como os de próstata e mama.
O pesquisador também alerta para outros compostos da mesma família.
“Muitos papéis vendidos como ‘livres de BPA’ simplesmente substituíram o BPA por BPS, que apresenta riscos semelhantes”, destaca Lomonaco.
A pesquisa foi encomendada ao laboratório da UFC por um escritório de advocacia que representa trabalhadores do setor bancário, após denúncias relacionadas à exposição frequente ao material.
Além dos papéis térmicos, bisfenóis também podem estar presentes em embalagens plásticas, revestimentos internos de latas de alimentos, selantes dentários e outros produtos de uso cotidiano.
Para o pesquisador, empresas que utilizam esses materiais devem buscar análises laboratoriais para garantir maior segurança aos trabalhadores e consumidores.
“É importante que empresas que trabalham com esses materiais busquem análises em laboratórios capacitados, tanto para oferecer essa garantia aos seus clientes quanto para terem a tranquilidade de saber que o material com o qual trabalham está livre dessas substâncias”, recomenda Diego Lomonaco.
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