

Ossos, gordura, músculos e estruturas de sustentação também sofrem transformações ao longo dos anos, o que reforça a importância de uma avaliação individual antes de qualquer procedimento estético. | Foto: divulgação
27 de agosto de 2026 – Rugas, linhas de expressão e flacidez são sinais frequentemente associados ao envelhecimento facial. No entanto, as transformações provocadas pelo tempo acontecem em diferentes camadas do rosto e envolvem não apenas a pele, mas também ossos, compartimentos de gordura, músculos, ligamentos e outras estruturas de sustentação.
Estudos científicos apontam que essas mudanças podem modificar o contorno e a sustentação da face. Uma revisão científica publicada em 2026 identificou, entre os trabalhos analisados, aumento médio de 15% a 20% da abertura orbital até a sétima década de vida, redução de 8% a 15% da altura da maxila e alterações nos ângulos da mandíbula.
Essas transformações ajudam a explicar por que algumas pessoas percebem, com o passar dos anos, perda de projeção das maçãs do rosto, aprofundamento de sulcos, mudanças na região dos olhos e menor definição da mandíbula.
Para a biomédica Dra. Camila Bandeira, compreender a origem das alterações é fundamental antes da escolha de qualquer procedimento estético.
“Quando o paciente olha no espelho, ele percebe a mudança que surgiu externamente, mas nem sempre a origem está na pele. O envelhecimento acontece em diferentes planos, com alterações de gordura, músculos, sustentação e estrutura óssea. Por isso, é importante avaliar o que está acontecendo com aquela face antes de escolher um procedimento”, explica.
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Com a popularização dos procedimentos estéticos, o preenchimento passou a ser associado à correção de diferentes sinais do envelhecimento. Entretanto, as alterações faciais podem ter origens variadas e não existe uma abordagem única indicada para todos os pacientes.
O ácido hialurônico, por exemplo, pode ser utilizado para reposição de volume e suporte em regiões específicas, quando há indicação. Os bioestimuladores, por sua vez, são direcionados a processos relacionados à produção e remodelação do colágeno. Já a toxina botulínica atua sobre a atividade muscular e determinadas rugas de expressão.
Tecnologias baseadas em energia também podem fazer parte de estratégias destinadas à melhora da firmeza e da qualidade dos tecidos. A escolha depende da avaliação individual e da estrutura relacionada à queixa apresentada.
“Um dos equívocos é acreditar que toda flacidez ou mudança de contorno precisa ser corrigida com volume. Harmonização facial não é sinônimo de preenchimento. Dependendo do caso, a estratégia pode envolver qualidade da pele, estímulo de colágeno, atividade muscular ou suporte estrutural. Também existem situações em que determinado procedimento não é necessário”, afirma Dra. Camila.
Duas pessoas com a mesma idade podem apresentar características faciais bastante diferentes e, consequentemente, necessidades distintas. Genética, exposição solar, hábitos de vida, características anatômicas e histórico de intervenções estão entre os fatores que podem influenciar a maneira como o envelhecimento se manifesta.
Por isso, a avaliação individualizada é importante para identificar quais estruturas estão relacionadas às alterações observadas e evitar a adoção automática de um procedimento.
A discussão também ganha importância diante da quantidade de tendências estéticas disseminadas nas redes sociais. Imagens de “antes e depois” e procedimentos realizados por influenciadores podem levar pacientes a procurar uma técnica específica sem avaliar se ela é adequada à própria anatomia.
Para a especialista, referências encontradas nas redes não devem substituir a avaliação profissional.
“O tratamento não deveria partir da tentativa de reproduzir o rosto ou o protocolo de outra pessoa. É preciso considerar anatomia, proporções e características individuais. O objetivo deve ser compreender o processo de envelhecimento daquela face e definir uma abordagem compatível com ela”, explica.
A recomendação é que procedimentos estéticos sejam realizados somente após avaliação adequada, com profissional legalmente habilitado e utilização de produtos e equipamentos regularizados.
Compreender o envelhecimento facial como um processo que envolve diferentes estruturas pode contribuir para escolhas mais adequadas. A avaliação ampla também ajuda a evitar intervenções realizadas apenas para reproduzir tendências ou corrigir uma característica isolada sem identificar sua origem.
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