

As equipes de resgate enfrentam dificuldades para chegar às comunidades atingidas. A grande quantidade de lama e escombros bloqueia acessos e mantém vilarejos isolados. | Foto: Navesh Chitrakar/Reuters
27 de agosto de 2026 — O número de mortos nas enchentes e deslizamentos registrados na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, chegou a 332 nesta quinta-feira (27), segundo autoridades dos dois países. Mais de 1.500 pessoas continuam desaparecidas enquanto equipes de resgate trabalham em áreas cobertas por lama, pedras e escombros.
O desastre ocorreu na quarta-feira (26), depois que uma avalanche de gelo e rochas atingiu um rio e provocou uma enorme enxurrada de água, lama e destroços. A força da correnteza atingiu comunidades, estradas, pontes e estruturas de infraestrutura.
No Nepal, 823 pessoas permanecem desaparecidas, entre elas mais de 700 estrangeiros, de acordo com as autoridades. Na região do Tibete, outras 558 pessoas estão desaparecidas, incluindo 260 estrangeiros, segundo informações da imprensa estatal chinesa.
Entre os estrangeiros desaparecidos no Nepal estão 178 indianos, 65 americanos, 53 ucranianos, 51 malaios, 35 australianos, 33 britânicos e 25 canadenses.
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No Nepal, a enchente atingiu áreas próximas aos rios Trishuli e Bhote Koshi. A região de Gyirong, no Tibete, também foi afetada. Casas, estradas, pontes e instalações de energia foram danificadas ou destruídas.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira, e não por um terremoto. A queda de gelo e rochas atingiu o rio e desencadeou o fluxo de água e detritos que avançou pelas áreas habitadas.
As equipes de resgate enfrentam dificuldades para chegar às comunidades atingidas. A grande quantidade de lama e escombros bloqueia acessos e mantém vilarejos isolados.
O Exército nepalês realizou sobrevoos na região e resgatou dezenas de pessoas. Moradores de áreas próximas aos rios também receberam ordens para deixar suas casas diante do risco de novos deslizamentos e inundações.
Especialistas alertam para a possibilidade de uma nova inundação. Um bloqueio de detritos permanece em uma área mais alta do rio, na fronteira entre Nepal e China.
“Como ainda há um bloqueio na parte alta do rio fronteiriço entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que pode acontecer uma segunda inundação”, afirmou à AFP Qianggong Zhang, diretor de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD).
A presença de centenas de estrangeiros entre os desaparecidos aumentou a preocupação das autoridades dos países envolvidos. Muitos estavam na região como turistas ou participavam de peregrinações.
O Departamento de Turismo do Nepal informou que 517 estrangeiros estão entre as pessoas desaparecidas no país. A Índia aparece como o país com o maior número de cidadãos desaparecidos.
Os Estados Unidos anunciaram uma ajuda de US$ 500 mil, aproximadamente R$ 2,5 milhões, para apoiar as operações de emergência.
O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que a prioridade é localizar e resgatar as pessoas desaparecidas.
As chuvas de monção, que ocorrem entre junho e setembro, provocam inundações e deslizamentos em diferentes áreas do sul da Ásia. Cientistas também apontam que o aquecimento global pode aumentar a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos na região.
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