

Shakes, barras de proteína e outros produtos com apelo saudável podem fazer parte da alimentação, mas não devem substituir de forma recorrente refeições completas e variadas. | Foto: Freepik
19 de agosto de 2026 – A busca por praticidade aliada a uma alimentação considerada saudável tem levado consumidores a substituir refeições por shakes, barras de proteína e iogurtes com alto teor proteico. Apesar do apelo nutricional de muitos desses produtos, especialistas alertam que termos como “fit”, “zero açúcar” e “alto teor de proteína” não são, isoladamente, garantia de que um alimento seja saudável.
Segundo levantamento da Euromonitor, empresa especializada em inteligência de mercado, o mercado brasileiro de produtos naturais, orgânicos e funcionais movimenta mais de R$ 15 bilhões por ano. Dentro desse segmento, os alimentos proteicos representam cerca de R$ 2,1 bilhões e a projeção é que o mercado alcance R$ 3,1 bilhões até 2028.
Embora possam fazer parte da alimentação, esses produtos devem ser consumidos com moderação. Estudo publicado na revista científica The Lancet, intitulado Alimentos ultraprocessados e saúde humana: a tese principal e as evidências, associa o consumo frequente de ultraprocessados ao aumento do risco de doenças crônicas, incluindo obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
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A nutricionista Yuri Sato, coordenadora de Nutrição do grupo Care Plus, explica que alegações presentes nas embalagens não devem ser utilizadas como único critério para definir a qualidade nutricional de um produto.
A especialista recomenda observar o grau de processamento dos alimentos, conforme a classificação NOVA, além das orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira, documento oficial do Ministério da Saúde.
A leitura dos rótulos também é apontada como uma ferramenta importante para escolhas mais conscientes.
“Uma regra básica é: dê prioridade a alimentos in natura – como frutas, legumes, verduras e grãos – ou alimentos minimamente processados”, orienta Yuri Sato.
A nutricionista ressalta, porém, que não é necessário eliminar completamente os alimentos processados da alimentação. A recomendação é que sejam consumidos de maneira pontual e dentro de um planejamento alimentar individualizado, considerando as necessidades nutricionais, a rotina e os hábitos de cada pessoa.
Para quem tem uma rotina intensa, o planejamento das refeições pode ajudar a evitar que a praticidade se transforme em dependência de produtos industrializados.
O Guia Alimentar para a População Brasileira aponta a falta de tempo, a perda de habilidades culinárias e a publicidade como alguns dos obstáculos para a manutenção de uma alimentação equilibrada.
Nesse cenário, o acompanhamento de um profissional de Nutrição pode auxiliar na mudança de hábitos de acordo com a realidade de cada pessoa e contribuir para a organização das refeições.
Para Yuri Sato, o objetivo não deve ser simplesmente classificar os alimentos entre “bons” e “ruins”, mas desenvolver hábitos que possam ser mantidos no longo prazo.
“Produtos proteicos e outros alimentos industrializados não devem substituir, de forma recorrente, refeições completas e variadas”, afirma a nutricionista.
Ela reforça que uma alimentação equilibrada envolve planejamento, autonomia e valorização da culinária.
“Escolhas saudáveis dependem menos de produtos específicos e mais da construção de uma rotina alimentar equilibrada”, completa.
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