

A alergia a camarão pode provocar anafilaxia, reação grave que compromete a respiração e a circulação sanguínea. Especialistas alertam para a importância de reconhecer rapidamente os sintomas, evitar o contato cruzado entre alimentos e buscar atendimento de emergência | Foto: Redes sociais/Adobe Stock
23 de outubro de 2026 – A morte da enfermeira brasileira Amanda Marinho Nascimento, durante a lua de mel em Portugal, chama a atenção para os riscos da alergia alimentar, especialmente ao camarão. Em pessoas alérgicas, pequenas quantidades do alimento podem desencadear uma reação grave, conhecida como anafilaxia, capaz de comprometer a respiração, provocar queda acentuada da pressão arterial e levar à morte.
Amanda, que morava no Distrito Federal e trabalhava na UTI de um hospital particular em Taguatinga, morreu na quarta-feira (21). Segundo familiares, ela passou mal após almoçar em um restaurante português. O cunhado relatou que a enfermeira tinha alergia a frutos do mar e teria entendido, ao perguntar sobre os ingredientes, que o prato servido era peixe. A reação ocorreu aproximadamente duas horas depois da refeição, durante um passeio com o marido.
A médica Ariana Campos Yang, doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora de ambulatórios especializados em alergias do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica que a gravidade das reações é imprevisível. Pessoas que anteriormente apresentaram sintomas leves também podem desenvolver quadros graves.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A alergia ocorre quando o sistema imunológico identifica determinadas proteínas do camarão como uma ameaça e desencadeia uma resposta de defesa.
Durante esse processo, substâncias como a histamina são liberadas, podendo provocar dilatação dos vasos sanguíneos, queda da pressão arterial, estreitamento das vias respiratórias e inchaço da língua ou da garganta.
Nos casos mais graves, a circulação sanguínea pode ser comprometida, provocando choque anafilático e parada cardiorrespiratória.
Segundo Ariana Campos Yang, a intensidade de uma reação não pode ser prevista apenas pelo histórico do paciente ou pelos resultados dos exames. Por isso, o diagnóstico adequado e a existência de um plano de emergência são fundamentais.
Pessoas muito sensíveis podem apresentar reações graves mesmo após ingerir quantidades reduzidas das proteínas do camarão.
A presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), Fátima Rodrigues Fernandes, explica que não existe uma quantidade universalmente segura para todas as pessoas alérgicas.
O risco também envolve o contato cruzado, que ocorre quando alimentos aparentemente seguros são preparados em chapas, óleos ou utensílios anteriormente utilizados com camarão.
Assim, um peixe preparado na mesma superfície usada para cozinhar crustáceos pode conter proteínas capazes de desencadear uma reação alérgica.
As reações alérgicas imediatas ao camarão geralmente começam poucos minutos após a ingestão, mas também podem aparecer até duas horas depois. Em situações excepcionais, o intervalo pode ser maior.
Entre os principais sinais de alerta estão dificuldade para respirar, tosse persistente, rouquidão, sensação de fechamento da garganta, inchaço da língua, tontura intensa, desmaio, fraqueza súbita e vômitos repetidos.
A especialista Ariana Campos Yang ressalta que a anafilaxia pode ocorrer mesmo sem manchas vermelhas, coceira ou inchaço aparente na pele. Segundo ela, entre 10% e 20% dos episódios podem ocorrer sem manifestações cutâneas.
A adrenalina intramuscular é o medicamento de primeira escolha para tratar a anafilaxia, pois ajuda a reverter a queda da pressão arterial e o comprometimento das vias respiratórias.
Pessoas que possuem prescrição e acesso à caneta autoinjetável devem utilizá-la imediatamente, conforme orientação médica, diante de sinais de anafilaxia, e acionar o atendimento de emergência.
No Brasil, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser chamado pelo número 192.
Enquanto aguarda socorro, a pessoa deve evitar ficar em pé ou caminhar. Em geral, deve permanecer deitada, se tolerar essa posição. Em caso de dificuldade respiratória importante, pode permanecer sentada com as pernas estendidas.
Mesmo quando há melhora após a aplicação da adrenalina, é necessário procurar atendimento hospitalar.
Medicamentos antialérgicos podem aliviar sintomas como coceira e urticária, mas não substituem a adrenalina no tratamento da anafilaxia. Corticoides e broncodilatadores também não devem ser utilizados como substitutos.
Uma pessoa pode consumir camarão durante anos sem apresentar problemas e desenvolver alergia posteriormente.
Segundo Ariana Campos Yang, isso pode ocorrer após um período de sensibilização, no qual o organismo passa a produzir anticorpos contra proteínas do alimento.
Entre os fatores que podem contribuir para reações mais graves estão asma mal controlada, histórico de anafilaxia, infecções, exercícios físicos, determinados medicamentos e demora no tratamento.
A predisposição familiar também pode influenciar o desenvolvimento de doenças alérgicas, mas não significa que a alergia ao camarão seja transmitida diretamente de pais para filhos.
No Brasil, aproximadamente 5% da população apresenta algum tipo de alergia alimentar, segundo estimativa citada pela especialista.
A alergia a camarão não significa necessariamente que a pessoa seja alérgica a peixes ou a todos os frutos do mar.
Os crustáceos, como camarão, lagosta, siri e caranguejo, compartilham proteínas semelhantes, especialmente a tropomiosina, o que pode favorecer reações cruzadas.
Os moluscos, como ostras, mexilhões, polvos e lulas, pertencem a outro grupo. Já os peixes apresentam proteínas alergênicas diferentes.
A recomendação é investigar individualmente quais alimentos representam risco, com acompanhamento de um alergista, evitando restrições desnecessárias.
Pessoas com alergia alimentar diagnosticada devem informar claramente a condição aos funcionários do restaurante e verificar não apenas os ingredientes, mas também o modo de preparo dos pratos.
É importante perguntar sobre molhos, caldos, acompanhamentos e a possibilidade de compartilhamento de chapas, óleos e utensílios.
Quem tem risco de anafilaxia deve manter um plano individualizado para emergências e acesso à adrenalina autoinjetável quando prescrita.
No Brasil, o acesso às canetas de adrenalina ainda representa um desafio, pois os dispositivos dependem de importação, segundo as especialistas ouvidas pela reportagem original.
Fátima Rodrigues Fernandes defende a ampliação do acesso ao medicamento e o treinamento de pacientes e profissionais de saúde para reconhecer e tratar precocemente a anafilaxia.
Apesar da gravidade de alguns episódios, a maioria dos pacientes se recupera quando recebe tratamento adequado em tempo hábil. No caso de Amanda Marinho Nascimento, as informações disponíveis não permitem determinar quais fatores específicos levaram ao desfecho fatal.
Em caso de suspeita de anafilaxia: acione imediatamente o serviço de emergência.
Samu: 192.
Tratamento de primeira escolha: adrenalina intramuscular, administrada imediatamente conforme prescrição e protocolo de emergência.
Atenção: antialérgicos e corticoides não substituem a adrenalina. Mesmo após melhora dos sintomas, a avaliação médica de emergência é necessária.
Leia também | IPCA-15 sobe 0,32% em outubro, puxado por alimentos
Tags: Alergia alimentar, Alergia a camarão, Alergia a frutos do mar, Anafilaxia, Choque anafilático, Amanda Marinho Nascimento, Alergia grave, Reação alérgica, Adrenalina, Caneta de adrenalina, Saúde, Saúde pública, Emergência médica, Samu, Asbai, Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, Ariana Campos Yang, Fátima Rodrigues Fernandes, Crustáceos, Camarão, Frutos do mar, Segurança alimentar, Contato cruzado, Prevenção de alergias, Sintomas de anafilaxia, Alergista, Alergologia, Imunologia, Alergia na vida adulta, Atendimento de emergência, Portugal, Brasil, Bem-estar, Portal Terra Da Luz
O Manifesto Pró-Brasil reúne representantes de diferentes setores da sociedade em defesa da soberania nacional, da democracia e do desenvolvimento social. O movimento suprapartidário declara apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 | Foto: Ricardo Stuckert