

O primeiro trabalhador foi retirado do túnel durante uma operação conduzida pelo Exército nepalês. | Foto: Nepal Army via AP
04 de setembro de 2026 — Equipes de resgate do Nepal encontraram com vida dois trabalhadores que estavam presos em um túnel da usina hidrelétrica Trishul 3A, nove dias após uma avalanche histórica atingir a região. O desastre deixou pelo menos 1.287 mortos no país e mais de 5 mil desaparecidos, segundo autoridades.
O primeiro trabalhador foi retirado do túnel durante uma operação conduzida pelo Exército nepalês. Pouco depois, um parlamentar confirmou que uma segunda pessoa também havia sido localizada e resgatada com vida.
Imagens divulgadas pelo Exército mostram um dos sobreviventes coberto de lama e sendo carregado nos ombros por um integrante da equipe de resgate. Após ser retirado do local, ele recebeu atendimento médico. Os dois trabalhadores foram posteriormente encaminhados para um hospital em Katmandu.
“Não consigo explicar o que estamos sentindo neste momento. Estamos apenas gratos a Deus”, afirmou Amir Maharjan, irmão de um dos trabalhadores resgatados, à agência de notícias Associated Press (AP).
O ministro da Energia do Nepal, Biraj Bhakta Shrestha, disse à BBC que espera que outras pessoas possam ser encontradas com vida no local nas próximas horas.
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Pelo menos 557 trabalhadores continuam desaparecidos na área da usina Trishuli 3A, localizada às margens do rio Trishuli. De acordo com a Associação Independente de Produtores de Energia do Nepal, cerca de 115 pessoas podem estar presas no túnel principal.
As autoridades mantêm as buscas porque acreditam que outros trabalhadores ainda possam estar vivos. A operação é dificultada pela grande quantidade de lama e pelos danos provocados pela avalanche na estrutura da usina.
A tragédia ocorreu em 26 de agosto, quando o colapso de uma grande geleira no topo do Himalaia provocou uma avalanche na região da fronteira do Nepal com o Tibete. O desastre atingiu cidades, vales, estradas e instalações de infraestrutura.

As operações de resgate também prosseguem em outros pontos afetados pelo desastre. Estimativas das autoridades locais apontam que aproximadamente 900 trabalhadores estão desaparecidos em 12 usinas hidrelétricas. Cerca de 500 deles podem estar presos em túneis.
Além das perdas humanas, a avalanche provocou danos de grandes proporções à infraestrutura do país. Segundo Dharma Raj Upreti, chefe da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres, os prejuízos em imóveis, moradias e obras de infraestrutura são estimados em pelo menos US$ 2,56 bilhões, o equivalente a 387,5 bilhões de rúpias nepalesas.
O governo estima ainda que os custos iniciais de recuperação nos primeiros quatro meses cheguem a aproximadamente US$ 52,6 milhões, ou 7,95 bilhões de rúpias nepalesas.
Os recursos deverão ser destinados à reconstrução de estradas, instalação de abrigos temporários e recuperação dos serviços de água potável e energia elétrica.
Caso a estimativa seja confirmada, as enchentes e os deslizamentos provocados pelo desastre estarão entre as ocorrências naturais de maior impacto financeiro da história recente do Nepal.
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