

A proposta prevê a criação de uma rede de cooperação científica e acadêmica entre instituições dos três países. | Foto: Anna Shvets/Pexels
27 de outubro de 2026 – Pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (Uece) desenvolvem um estudo para tornar a criação de cabras e ovelhas mais resistente aos efeitos das mudanças climáticas. A iniciativa foi aprovada na Chamada Pública MCTI/CNPq nº 02/2026, vinculada ao Programa de Cooperação Latino-Americana e Caribenha em Ciência, Tecnologia e Inovação – PROSUL Pepe Mujica.
O projeto pretende desenvolver modelos de produção de ovinos e caprinos que contribuam para melhorar a produtividade, os resultados financeiros dos criadores e a sustentabilidade ambiental da atividade. A pesquisa reúne instituições do Brasil, da Argentina e do Uruguai.
Intitulada “Rede de pesquisa Brasil-Uruguay-Argentina sobre o uso de modelos sinérgicos no avanço da produção de pequenos ruminantes resiliente às mudanças climáticas”, a iniciativa é coordenada pelo professor Davide Rondina, do curso de Medicina Veterinária da Uece e cientista-chefe da Agropecuária do Ceará.
Também participam os professores Dárcio Ítalo Alves Teixeira e Ana Paula Rodrigues Ribeiro, vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias (PPGCV) da universidade.
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A proposta prevê a criação de uma rede de cooperação científica e acadêmica entre instituições dos três países. No Brasil, participam pesquisadores e organizações das regiões Nordeste, Norte e Sul.
Os estudos vão investigar aspectos relacionados à epigenética, ao metabolismo, ao comportamento e à reprodução dos pequenos ruminantes. A intenção é compreender como esses fatores podem contribuir para a adaptação dos animais às condições climáticas e para o aumento da eficiência dos sistemas de criação.
De acordo com o coordenador Davide Rondina, o desafio é produzir informações que ajudem os criadores a adotar práticas capazes de ampliar a resistência dos sistemas produtivos aos efeitos das mudanças climáticas.
A pesquisa também pretende contribuir para a captura de carbono e a redução das emissões de gases de efeito estufa associadas à atividade agropecuária.
Os resultados esperados poderão fornecer dados científicos para orientar o planejamento de ações e a definição de medidas que melhorem o desempenho ambiental da ovinocaprinocultura, atividade dedicada à criação de ovinos e caprinos.
A expectativa é que os conhecimentos produzidos contribuam para a sustentabilidade socioeconômica da cadeia produtiva, conciliando melhores resultados para os criadores com práticas ambientalmente mais sustentáveis.
Além dos impactos esperados para a produção agropecuária, o projeto busca ampliar a internacionalização da pós-graduação da Uece e fortalecer a colaboração científica entre os países participantes.
A professora Ana Paula Rodrigues Ribeiro, pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da universidade e integrante da equipe, destaca a importância da articulação internacional para ampliar a cooperação acadêmica e científica.
A Uece é a instituição executora da proposta, por meio do Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias, que possui nota 7 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a classificação mais alta da escala utilizada pela instituição.
No Brasil, a rede reúne ainda a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO). Na Argentina, participam instituições de pesquisa agropecuária e florestal. O Uruguai integra a iniciativa por meio da Universidad de la República.
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