

Nepal suspende buscas por causa do mau tempo e pede ajuda técnica estrangeira após enchentes devastadoras | Foto: Ani via Reuters
29 de agosto de 2026 – O Nepal suspendeu, neste sábado (29), as operações de busca e resgate por causa do mau tempo e informou que precisará de assistência técnica estrangeira para lidar com os efeitos da inundação devastadora que atingiu a região de fronteira com a China.
O pedido de ajuda ocorre após o país ter recusado apoio estrangeiro nas operações de busca e resgate, alegando que conseguia administrar os esforços por conta própria.
“A oferta de ajuda é natural. Nossas agências de segurança estão realizando a operação. Por enquanto, não precisamos desse tipo de ajuda”, disse, na sexta-feira (28), Lok Bahadur Chhetri, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A nação do Himalaia, com cerca de 30 milhões de habitantes, deve precisar de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões, para reconstruir áreas atingidas pela tragédia.
A estimativa foi apresentada pelo ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, à agência Reuters.
“Essa é apenas uma estimativa. As perdas e os danos ainda estão sendo avaliados”, afirmou Swarnim Wagle.
A inundação foi desencadeada pelo colapso de uma geleira, que provocou uma enorme enxurrada de rochas, gelo, lama e detritos.
A corrente avançou rapidamente pelos sistemas fluviais montanhosos na quarta-feira (26), destruindo edifícios, pontes e usinas de energia.
Ao menos 616 pessoas morreram.
Cerca de 2.500 pessoas continuam desaparecidas, incluindo pelo menos 540 estrangeiros, muitos deles peregrinos hindus da Índia.
As operações de busca e resgate foram interrompidas temporariamente em razão da chuva e do nevoeiro.
“As operações de busca e resgate foram temporariamente suspensas devido à chuva e ao nevoeiro”, disse à Reuters Narendra Pariyar, principal autoridade administrativa do distrito de Rasuwa, uma das áreas mais atingidas.
Segundo ele, o foco no momento é organizar transporte terrestre para levar peregrinos resgatados até a capital, Catmandu.
Como as mortes ocorreram há três dias, autoridades informaram que alguns corpos recuperados já apresentavam grau de decomposição que impossibilitava o reconhecimento.
Por causa de riscos sanitários e do receio de epidemias, esses corpos serão enterrados após o cumprimento das formalidades legais.
“Serão coletadas amostras de DNA e os corpos serão enterrados em um espaço aberto”, informou a administração do distrito de Chitwan, em comunicado.
Em Catmandu, familiares de desaparecidos se reuniram em frente ao Campus Médico de Maharajgunj, para onde alguns corpos foram levados.
Muitos tentavam identificar parentes por meio de fotografias dos corpos, expostas no portão e nos muros do local.
Segundo as autoridades, apenas sete dos 49 corpos levados ao hospital haviam sido identificados.
As autoridades também haviam suspendido brevemente as operações de resgate na sexta-feira (28), quando um lago formado na fronteira entre Nepal e China após a inundação começou a transbordar para os rios Lhende Khola e Trishuli.
Neste sábado, o risco de transbordamento diminuiu, segundo autoridades chinesas.
Imagens de satélite indicaram que a água estava escoando lentamente, reduzindo de forma gradual o volume do reservatório, informou a emissora estatal chinesa CCTV.
O lago é um dos dois situados a montante da área afetada e monitorados pelo Nepal.
Autoridades alertam que os riscos de inundação persistirão até que ambos estejam totalmente drenados.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, afirmou que o país não precisava de ajuda nas operações convencionais de busca e resgate, mas necessitava de assistência especializada.
Entre as demandas estão resgate de pessoas presas em túneis, restabelecimento de vias de transporte e comunicação em locais onde pontes foram destruídas, identificação de corpos, testes de DNA e armazenamento de corpos por períodos mais longos.
“Já solicitamos esses serviços especializados e assistência técnica para áreas onde não dispomos de experiência e conhecimento técnico suficientes”, disse Shisir Khanal à Reuters.
A Índia enviou três voos ao Nepal com cerca de 60 toneladas de suprimentos humanitários, incluindo cobertores, medicamentos, alimentos e pastilhas para purificação de água.
Nova Délhi também planeja enviar uma equipe de resgate em túneis e uma equipe médica.
O governo indiano ofereceu ainda sua força de resposta a desastres, pontes pré-fabricadas e equipes técnicas para ajudar a restabelecer as vias de acesso.
A China pediu o envio de ajuda emergencial para as áreas do Nepal atingidas pelo desastre e solicitou cooperação internacional nos resgates.
Pequim, no entanto, não detalhou o tipo de apoio que enviará ao país.
Autoridades chinesas também trabalham para localizar mais de 500 pessoas desaparecidas após a inundação.
Na sexta-feira (28), equipes de resgate chegaram ao complexo de fronteira de Gyirong, uma das áreas mais atingidas.
Os socorristas atravessaram montanhas e vales, usando cordas para transpor florestas e penhascos, já que as estradas de acesso ao local foram destruídas.
Imagens de câmeras de segurança do posto de fronteira mostraram enormes enxurradas de água e detritos invadindo edificações no momento em que a inundação atingiu a região, enquanto pessoas tentavam escapar.
A tragédia amplia a preocupação com desastres em áreas montanhosas do Himalaia, onde comunidades, rotas de peregrinação, usinas e pontes estão expostas a enchentes repentinas, deslizamentos e colapsos de geleiras.
Com milhares de desaparecidos, infraestrutura destruída e alto risco sanitário, o Nepal enfrenta agora uma crise humanitária que deve exigir apoio internacional, assistência técnica e recursos bilionários para reconstrução.
Leia também | Voluntariado leva conhecimento sobre a Caatinga a estudantes
Tags: Nepal, enchentes no Nepal, Himalaia, Catmandu, Rasuwa, Chitwan, Gyirong, China, Índia, geleira, colapso de geleira, enxurrada, desastres naturais, ajuda humanitária, assistência técnica, busca e resgate, desaparecidos, peregrinos, testes de DNA, Reuters, Shisir Khanal, Swarnim Wagle, Narendra Pariyar, Lok Bahadur Chhetri, mudanças climáticas, Portal Terra Da Luz