
Câmara dos Estados Unidos aprova resolução para limitar poderes de Donald Trump sobre ações militares no Irã | Foto: REUTERS/Kevin Lamarque
04 de junho de 2026 – A Câmara dos Estados Unidos aprovou, nesta quarta-feira (03/06), uma resolução para limitar os poderes do presidente Donald Trump sobre a guerra no Irã. A proposta foi aprovada por 215 votos a 208 e representa uma nova tentativa de parlamentares de reforçar o papel do Congresso em decisões militares no exterior.
A iniciativa foi impulsionada por democratas, que têm forçado votações sobre o tema tanto na Câmara quanto no Senado. Nas últimas semanas, a pressão ganhou apoio de parte dos republicanos, em meio a questionamentos sobre a duração da operação militar norte-americana e seus impactos econômicos e diplomáticos.
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Na votação, quatro republicanos romperam com a orientação do partido e apoiaram a medida: Thomas Massie, Brian Fitzpatrick, Tom Barrett e Warren Davidson. A resolução foi apresentada pelo deputado democrata Gregory Meeks, de Nova York, integrante de maior hierarquia da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.
A votação havia sido inicialmente marcada para 21 de maio, mas foi cancelada por líderes republicanos em um momento em que o partido poderia ser derrotado por causa de ausências no plenário.
À CNN, Meeks afirmou anteriormente que o presidente da Câmara, Mike Johnson, estaria tentando adiar a votação para proteger Trump.
“Muitos dos meus colegas republicanos estão sentindo a pressão em seus estados ao verem o preço dos alimentos e da gasolina”, disse ele, ao destacar os impactos do conflito no Oriente Médio.
“(Johnson) está sob pressão. Ele está tentando acobertar o presidente… Mas acho que o tempo em que ele consegue acobertar o presidente está se esgotando rapidamente”, acrescentou Meeks.
Antes da votação, o presidente da Câmara, Mike Johnson, defendeu a atuação de Trump e alertou que a resolução poderia ter impacto “muito negativo” nas negociações envolvendo o Irã.
“Acho que é uma perspectiva muito perigosa tirar da administração e do comandante-em-chefe, neste momento, a capacidade de negociar. É isso que acontece. Isso nos enfraquece, enfraquece nossa posição e nossa influência nas negociações de paz nessa situação. A ‘Operação Fúria Épica’ está concluída”, afirmou Johnson à CNN.
Segundo ele, os objetivos dos Estados Unidos no Irã estavam “bem definidos” e foram “alcançados”. Ainda assim, parlamentares, inclusive republicanos, têm cobrado mais informações do governo sobre a operação.
“O presidente está agora em processo de conclusão de um acordo de paz, e temos que lhe dar a liberdade necessária para isso. Penso que uma resolução sobre os poderes de guerra neste momento é muito inoportuna e extremamente negativa e perigosa para o país”, alegou.
Também nesta quarta-feira, inspetores-gerais do Pentágono, do Departamento de Estado e da USAID anunciaram uma revisão conjunta da guerra dos Estados Unidos contra o Irã.
Em comunicado, os órgãos informaram que são legalmente obrigados a investigar operações militares no exterior que ultrapassem 60 dias. O anúncio é considerado relevante porque indica que os órgãos de fiscalização entendem que, do ponto de vista legal, a guerra já dura mais de 60 dias desde o início, em 28 de fevereiro.
Pela Lei dos Poderes de Guerra, o presidente dos Estados Unidos não pode manter tropas americanas em hostilidades ativas por mais de 60 dias sem aprovação do Congresso.
O governo Trump não buscou autorização do Congresso para a Operação Fúria Épica, nome dado à campanha militar dos Estados Unidos contra o Irã.
No mês passado, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que, em seu entendimento, o prazo de 60 dias teria sido reiniciado quando Trump anunciou o cessar-fogo em abril.
A aprovação da resolução pela Câmara amplia o debate sobre os limites do poder presidencial em conflitos internacionais e sobre o papel do Congresso na autorização de ações militares prolongadas.
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