

Segundo o Fantástico, quadrilha desviou cerca de R$ 45 milhões de clientes da Caixa e recebeu informações sigilosas vazadas da Justiça Federal | Foto: Fantástico
03 de agosto de 2026 – Uma quadrilha especializada em fraudes bancárias desviou cerca de R$ 45 milhões de clientes da Caixa Econômica Federal e teve acesso antecipado a um documento sigiloso da Justiça Federal que autorizava uma operação contra o grupo, segundo reportagem do Fantástico, da TV Globo.
De acordo com a investigação, quase um mês antes de a Polícia Federal cumprir a operação contra os principais suspeitos, integrantes da quadrilha já apagavam arquivos, escondiam patrimônio e aguardavam a chegada dos agentes.
O grupo tentou eliminar provas dos crimes, mas deixou para trás justamente a pista que permitiu à PF rastrear o vazamento da decisão judicial.
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A investigação começou em 2025, a partir de informações sobre fraudes contra clientes da Caixa Econômica Federal.
Segundo a Polícia Federal, os criminosos invadiam contas bancárias e desviavam dinheiro das vítimas.
Entre os atingidos estavam beneficiários do FGTS e do auxílio emergencial.
O esquema movimentou ao menos R$ 45 milhões.
A PF afirma que houve vítimas que ficaram sem recursos para comprar remédios e comida, enquanto o dinheiro desviado sustentava o alto padrão de vida dos investigados.
O levantamento da Polícia Federal identificou dois núcleos de atuação da organização criminosa.
Em São Paulo, o casal Matheus Casado Natário e Isabely Alves de Sousa é apontado como responsável por coordenar fraudes e obter acesso às contas das vítimas.
Segundo a investigação, eles criaram uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, consideradas paraíso fiscal, para tentar dificultar a recuperação dos valores pelas autoridades brasileiras.
A PF também identificou que parte dos recursos desviados era mantida em criptomoedas, ativos considerados mais difíceis de rastrear.
No Rio de Janeiro, a investigação aponta Jader Henrique Areas de Almeida como chefe do grupo. Ele seria responsável por coordenar ações, confirmar golpes, definir datas e distribuir dados das vítimas aos comparsas.
Já Enzo Grillo Filho é apontado pela PF como operador financeiro da organização, atuando como testa de ferro de Jader e fazendo o dinheiro circular entre Rio de Janeiro e São Paulo.
A partir da análise dos celulares dos investigados, a Polícia Federal descobriu que a quadrilha teve acesso à íntegra da decisão judicial que autorizava a operação contra o grupo.
O documento estava sob segredo de Justiça e, por isso, deveria ser acessado apenas por juízes, investigadores e servidores autorizados da Justiça Federal.
Segundo a reportagem do Fantástico, o chefe da quadrilha apagou a mensagem que continha o documento, mas esqueceu uma cópia salva no bloco de notas do próprio celular.
A PF encontrou ainda uma conversa em que ele encaminhava o documento para um comparsa. O criminoso respondeu: “Que zica, hein… Blindar o patrimônio”.
Depois da descoberta, a investigação mudou de rumo.
O objetivo passou a ser entender como uma decisão protegida por sigilo judicial chegou ao celular do chefe da quadrilha.
A Polícia Federal refez o caminho do documento e identificou que o primeiro acesso à decisão teria sido feito por Jackson Cozendey, servidor da Justiça Federal.
Os investigadores afirmam que ele não tinha motivo funcional para consultar o processo e o apontam como principal responsável por repassar informações sigilosas à quadrilha em troca de pagamentos.
Em novas consultas, os registros indicaram que a conexão de internet utilizada estava instalada no escritório de advocacia onde trabalha a esposa dele, Gabrielle Cozendey.
A advogada declarou renda mensal de R$ 5.200, mas a PF apurou movimentação de R$ 1,74 milhão em seis meses.
A defesa do servidor da Justiça Federal Jackson Cozendey e de Gabrielle Cozendey afirmou que eles não possuem qualquer vinculação com os fatos apurados no processo.
Segundo o Fantástico, a Polícia Federal sustenta que houve atuação coordenada de três servidores para fazer a decisão sair de dentro da Justiça Federal.
As defesas de Matheus Casado Natário, Isabely Alves de Sousa e Jader Almeida não responderam ao contato da reportagem.
O Fantástico também informou que não conseguiu falar com os advogados de Enzo Grillo Filho.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal não quiseram gravar entrevista.
Em outro áudio encontrado pela Polícia Federal, Jader fala sobre a possibilidade de executar o delegado que seria responsável pela investigação, plano que, segundo a reportagem, não foi levado adiante.
“É um delegadozinho novo lá que tá botando os inquéritos tudo pra fora… O cara é xerife até um certo ponto. O dinheiro da pessoa, a pessoa segura aqui, segura ali, né, segura a delegacia, bumba. Manda matar. Faz essa bagunça, vocês sabem. Acabou essa p(*)”, diz Jader, em áudio obtido pela investigação.
A fala aumentou a gravidade do caso, que passou a envolver não apenas fraudes bancárias e vazamento de informações sigilosas, mas também uma possível ameaça contra autoridade policial.
De acordo com apuração do Fantástico, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal estão pedindo à Justiça Federal novos mandados de busca e apreensão.
A intenção é que as medidas sejam cumpridas dentro da própria Justiça Federal, em busca de elementos sobre o vazamento da decisão sigilosa.
O Fantástico informou ainda que procurou a Justiça Federal, mas o TRF não se pronunciou sobre a investigação.
O caso segue em apuração pelas autoridades competentes.
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