
Ministro Flávio Dino determinou que a União avalie regras de atuação da CVM em até 90 dias | Foto: Victor Piemonte/STF
20 de setembro de 2026 – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (20) que a União realize uma avaliação técnica sobre as regras de atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Na decisão, o magistrado mencionou possíveis falhas envolvendo o caso do Banco Master e fixou prazo de 90 dias para que o Ministério da Fazenda coordene a avaliação e apresente eventuais medidas.
De acordo com Dino, as dificuldades enfrentadas pela CVM “não se restringem às limitações orçamentárias”.
O ministro citou resoluções da Comissão que teriam permitido “flexibilizações” e mudanças regulatórias em 2021 e 2022.
A análise deverá avaliar instrumentos normativos da CVM e possíveis aperfeiçoamentos no marco regulatório aplicável ao mercado de valores mobiliários.
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Na decisão, Dino destacou uma norma de 2022 que, segundo ele, teria promovido uma “permissividade sistêmica” ao flexibilizar regras de investimento de fundos estruturados em cotas de outros fundos semelhantes.
Para o ministro, há dúvidas sobre a “suficiência” dos mecanismos atuais de rastreabilidade de operações e de acompanhamento de fluxos financeiros.
“Reitero que essas dificuldades acabam ampliando a atuação de organizações criminosas que se dedicam a gravíssimos delitos (narcotráfico; tráfico de armas; corrupção; desvio de emendas parlamentares; compra e venda de decisões judiciais envolvendo magistrados, assessores e advogados; fraude em licitações; mercado de precatórios ilegais, entre outros)”, afirmou Flávio Dino.
Em julho, o STF homologou o plano emergencial de reestruturação da CVM.
Segundo Dino, a própria União reconheceu a “pertinência da discussão sobre possíveis aperfeiçoamentos do marco regulatório aplicável”.
Apesar disso, o ministro apontou que o plano apresentado pela União não contemplou a avaliação dos instrumentos normativos.
Para o magistrado, há um “cenário de reduzida transparência na CVM” que pode contribuir para a “existência de condições que, em tese, contribuíram para a ocorrência de fraudes de expressiva repercussão econômica e para a utilização indevida do mercado regulado por estruturas criminosas”.
Na decisão, Dino também defendeu que a atuação integrada entre órgãos do Executivo, instituições de fiscalização, Banco Central e Polícia Federal é “relevante para evitar a criação de assimetrias regulatórias”.
A determinação ocorre em meio aos desdobramentos de investigações e discussões relacionadas ao caso Banco Master.
O ministro citou possíveis falhas regulatórias e a necessidade de examinar se as regras atuais da CVM são suficientes para prevenir o uso indevido do mercado regulado por estruturas criminosas.
A avaliação técnica deverá ser conduzida pelo Ministério da Fazenda dentro do prazo estabelecido pelo STF.
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