

Nova proposta aprovada pela ONU incentiva o uso de mapas que representem melhor as proporções reais entre continentes e países | Foto: reprodução / Ministério do Interior da França
05 de setembro de 2026 – A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução que incentiva a adoção de uma nova forma de representar o mapa-múndi, com menor distorção nas dimensões dos continentes.
A proposta foi aprovada por 164 votos e busca estimular governos, organizações internacionais e instituições a considerar projeções cartográficas que representem de maneira mais fiel as proporções entre as massas de terra.
A discussão envolve principalmente a projeção de Mercator, criada no século XVI para facilitar a navegação marítima, mas que faz regiões próximas aos polos parecerem muito maiores do que realmente são.
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Representar a Terra, que tem superfície esférica, em uma superfície plana, como uma folha de papel ou uma tela, exige algum tipo de adaptação.
Por isso, toda projeção cartográfica provoca distorções, que podem afetar o tamanho, a forma ou a localização dos países e continentes.
Na projeção de Mercator, a distorção aumenta conforme uma região se afasta da linha do Equador.
Com isso, áreas próximas aos polos aparecem ampliadas, enquanto regiões próximas ao Equador parecem proporcionalmente menores.
Um dos exemplos mais conhecidos é a comparação entre a África e a Groenlândia. Em muitos mapas tradicionais, a Groenlândia parece ter dimensão semelhante à do continente africano, embora a África seja cerca de 14 vezes maior.
Criada em 1569 pelo cartógrafo Gerardus Mercator, a projeção de Mercator foi desenvolvida para atender a uma necessidade prática da navegação.
O modelo permite que navegadores mantenham determinadas direções no mapa de acordo com a bússola, o que explica sua ampla utilização ao longo dos séculos.
Para cumprir essa função, no entanto, a projeção distorce progressivamente o tamanho das regiões conforme elas se afastam do Equador.
Os meridianos, que na realidade se encontram nos polos, aparecem como linhas paralelas e igualmente espaçadas.
O efeito visual faz com que regiões como Europa, Groenlândia e Alasca pareçam maiores em comparação com áreas próximas à linha do Equador, como África, América do Sul e parte da Ásia.
A distorção da projeção de Mercator aparece em comparações recorrentes.
A Groenlândia pode parecer próxima do tamanho da África, embora o continente africano seja cerca de 14 vezes maior.
Em algumas representações, Brasil e Alasca também aparecem com dimensões semelhantes, apesar de o território brasileiro ser cerca de cinco vezes maior.
Outra comparação frequente envolve a África e a América do Norte. Em mapas baseados na projeção de Mercator, o continente africano aparece proporcionalmente menor, embora tenha aproximadamente o triplo da extensão da América do Norte.
A projeção de Gall-Peters surgiu como alternativa por priorizar uma representação proporcional das áreas.
Ela foi desenhada originalmente pelo escocês James Gall, em 1855, e difundida posteriormente pelo historiador alemão Arno Peters.
Nesse modelo, os continentes aparecem com proporções de área mais próximas das reais.
A principal diferença visual em relação à Mercator é que regiões antes ampliadas, como a Europa, passam a ocupar área menor, enquanto a África aparece significativamente maior.
Isso não significa, porém, que Gall-Peters seja uma representação perfeita do planeta.
Assim como qualquer projeção cartográfica, ela também é uma tentativa de transformar uma superfície curva em uma superfície plana e, portanto, envolve outras distorções.
A resolução aprovada pela ONU incentiva o uso de modelos que representem melhor as dimensões reais das massas de terra.
A iniciativa é conhecida como “Corrija o mapa” e tem apoio da União Africana.
O modelo defendido pela campanha é o Equal Earth, chamado de “Terra Igual” no material da ONU.
A projeção busca preservar melhor as proporções entre os continentes e oferecer uma imagem mais próxima das áreas reais das diferentes regiões do planeta.
A proposta parte da compreensão de que os mapas não servem apenas para localizar países e continentes.
Eles também estão presentes em escolas, materiais didáticos, meios de comunicação, documentos oficiais e ferramentas digitais, influenciando a forma como as pessoas percebem o tamanho e a posição das regiões no mundo.
Segundo a resolução, distorções cartográficas podem gerar efeitos cognitivos, educacionais, culturais e geopolíticos.
A mudança defendida pela ONU busca estimular uma representação mais equilibrada das dimensões territoriais.
Na prática, a principal alteração está na forma como continentes e países passam a ser visualmente comparados.
Com projeções que preservam melhor as áreas, regiões próximas ao Equador, como África e América do Sul, passam a ocupar no mapa uma proporção mais próxima da realidade.
A aprovação da ONU não significa que a projeção de Mercator deixará de ser usada imediatamente.
A resolução funciona como um incentivo para que governos, organizações internacionais, instituições educacionais e outras entidades considerem projeções mais adequadas para representar o tamanho das massas de terra.
A mudança também não altera o tamanho real dos continentes.
O que muda é a forma como suas dimensões são apresentadas em um mapa plano.
Assim, uma pessoa que aprenda geografia por meio de uma projeção como a Equal Earth poderá visualizar de maneira mais fiel a diferença de tamanho entre países e continentes.
A África, por exemplo, deixa de parecer próxima em dimensão à Groenlândia e passa a ser apresentada com proporção muito maior.
A discussão mostra que não existe um único mapa capaz de reproduzir perfeitamente a Terra em uma superfície plana.
Cada projeção cartográfica faz escolhas e preserva determinadas características, enquanto distorce outras.
A projeção de Mercator favorece a navegação e a orientação, mas altera as proporções de área.
Já modelos como Gall-Peters e Equal Earth buscam representar melhor o tamanho das regiões, ainda que também apresentem limitações.
O debate aprovado pela ONU, portanto, não elimina o uso de outros mapas, mas chama atenção para a importância de escolher representações mais adequadas conforme o objetivo educacional, científico, político ou comunicacional.
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