

A medida está relacionada às exigências do bloco sobre o uso de antibióticos e outros medicamentos na criação de animais. | Foto: Wenderson Araujo/CNA
03 de setembro de 2026 – A União Europeia começa a suspender nesta quinta-feira (3) as importações de carne bovina, carne de aves e mel do Brasil. A medida foi adotada após a Comissão Europeia afirmar que o governo brasileiro não apresentou garantias consideradas suficientes de que o país cumpre as regras do bloco para o uso de antibióticos e outros medicamentos na criação de animais.
A restrição havia sido anunciada em maio, quando o Brasil foi retirado da lista de países autorizados a exportar esses produtos para o mercado europeu. Ainda não há prazo definido para que a medida seja suspensa.
Pelas normas da União Europeia, determinados medicamentos não podem ser utilizados para acelerar o crescimento dos animais ou aumentar a produção. O bloco também restringe o uso de alguns antibióticos destinados ao tratamento de infecções em seres humanos.
A preocupação das autoridades europeias está relacionada ao risco de resistência antimicrobiana. O uso excessivo ou inadequado de antibióticos pode contribuir para o surgimento de bactérias resistentes aos medicamentos, dificultando o tratamento de infecções.
A porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, afirmou que o bloco busca garantias relacionadas a todo o processo de criação dos animais.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
No caso das carnes de aves e do mel, especialistas europeus realizam uma auditoria no Brasil para verificar o cumprimento das exigências. O trabalho deve ser concluído até o fim desta semana.
Após a conclusão da auditoria, os resultados ainda passarão por análise antes de serem divulgados pelas autoridades europeias.
A suspensão das importações ocorre em meio às negociações entre autoridades brasileiras e europeias para que o país volte a cumprir os requisitos necessários para comercializar os produtos no mercado da União Europeia.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que o setor de carne bovina continua trabalhando para que o Brasil seja novamente incluído na lista de países autorizados a exportar para a União Europeia.
Segundo a entidade, o Ministério da Agricultura já apresentou garantias oficiais sobre o cumprimento das exigências europeias. A associação também informou que a cadeia produtiva da carne bovina adotou um protocolo próprio para monitorar o uso de antimicrobianos, desenvolvido em parceria com outras entidades do setor.
A Abiec afirma que a restrição está relacionada a uma exigência específica da União Europeia para países fornecedores e sustenta que a decisão não altera a qualidade, a segurança ou as condições sanitárias da carne bovina produzida no Brasil.
A entidade informou ainda que mantém diálogo com o governo brasileiro e representantes do setor para buscar a reinclusão do país entre os fornecedores autorizados ao mercado europeu.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também pediu uma reação do governo brasileiro à decisão europeia.
O presidente da entidade, João Martins, encaminhou um ofício ao Itamaraty solicitando o acionamento do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões. O instrumento permite ao Brasil buscar compensações comerciais diante de medidas que possam prejudicar produtos brasileiros.
Entre as alternativas avaliadas pela CNA está a suspensão de benefícios tarifários concedidos a produtos europeus. A entidade afirma que a decisão da União Europeia pode gerar prejuízos para o agronegócio brasileiro.
Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina e de frango para a União Europeia movimentaram aproximadamente US$ 1,8 bilhão.
Além de pedir providências relacionadas às carnes, a CNA solicitou ao Ministério da Agricultura uma investigação sobre a qualidade e a classificação dos azeites de oliva importados e comercializados no Brasil, especialmente os produtos vendidos como extravirgens.
O pedido não menciona diretamente a União Europeia. Entretanto, cerca de 89% das quase 90 mil toneladas de azeite importadas pelo Brasil em 2025 tiveram origem em países do bloco, principalmente Portugal, Espanha e Itália.
No mesmo período, as importações de azeite provenientes desses mercados movimentaram aproximadamente US$ 540 milhões.
Leia também | Ônibus terão 91 viagens extras no feriado da Independência
Tags: Portal Terra da Luz, União Europeia, UE, Brasil, carnes brasileiras, carne bovina, carne de frango, carne de aves, mel, exportações, importações, agronegócio, agronegócio brasileiro, comércio exterior, comércio internacional, economia, mercado europeu, mercado internacional, exportação de carne, exportação brasileira, carne brasileira, setor pecuário, pecuária brasileira, antibióticos, antimicrobianos, resistência antimicrobiana, medicamentos veterinários, Comissão Europeia, Ministério da Agricultura, Abiec, CNA, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Itamaraty, João Martins, Paula Pinho, azeite de oliva, azeite extravirgem, Portugal, Espanha, Itália, produtos europeus, relações comerciais, Brasil e União Europeia