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Economia: Focus mantém inflação alta e reduz PIB Boletim do Banco Central aponta IPCA de 5,22% para 2026, acima do teto da meta; mercado reduz expectativa de crescimento para 1,83% e mantém previsão da Selic em 13,25% ao fim do ano

Economia: Focus mantém inflação alta e reduz PIB

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (19) manteve em 5,22% a projeção da inflação para 2026 e reduziu a expectativa de crescimento do PIB para 1,83%. O mercado também prevê Selic de 13,25% ao fim do ano e dólar a R$ 5,12 | Foto: Ilustração

19 de outubro de 2026 – O mercado financeiro manteve em 5,22% a projeção para a inflação brasileira em 2026, percentual acima do limite máximo estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ao mesmo tempo, os analistas reduziram a expectativa de crescimento da economia, de 1,85% para 1,83%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central.

O levantamento, que reúne estimativas de instituições financeiras e consultorias econômicas, também manteve a previsão da taxa básica de juros, a Selic, em 13,25% ao ano no encerramento de 2026. Para o dólar, a expectativa caiu de R$ 5,15 para R$ 5,12.

Os números revelam um cenário de inflação persistente, desaceleração da atividade econômica e cautela dos investidores diante das eleições presidenciais, cujo segundo turno está marcado para 25 de outubro.

O ambiente político também influencia as expectativas sobre a condução das contas públicas e os rumos da política monetária a partir de 2027.

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Inflação permanece acima do teto da meta

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira, permaneceu em 5,22% para 2026, interrompendo uma sequência de quatro semanas de aumento nas estimativas.

Embora o percentual tenha ficado estável em relação ao boletim anterior, ele continua acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

A meta central de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Dessa forma, o limite superior é de 4,5%.

A expectativa de 5,22% supera esse teto em 0,72 ponto percentual.

O resultado indica que os analistas ainda enxergam dificuldades para a convergência dos preços aos níveis desejados pelo Banco Central.

A inflação elevada afeta o poder de compra das famílias, especialmente em despesas essenciais como alimentação, energia, transporte e serviços.

Para as empresas, a persistência dos aumentos de preços pode elevar custos operacionais e dificultar decisões de investimento.

É importante observar que os 5,22% representam uma projeção de inflação para o fechamento de 2026, e não o índice acumulado já confirmado até outubro.

Mercado eleva previsão de inflação para 2027

As estimativas para os anos seguintes mostram que a preocupação com a inflação não está restrita a 2026.

Para 2027, a projeção do IPCA subiu de 4,30% para 4,32%, aproximando-se do teto de tolerância.

Já para 2028, houve uma pequena melhora: a expectativa recuou de 3,79% para 3,75%.

Apesar da redução, o percentual projetado para 2028 continua acima da meta central de 3%.

O comportamento das estimativas demonstra que o mercado espera uma desaceleração gradual da inflação, mas não uma convergência imediata ao objetivo estabelecido pelo Banco Central.

A persistência dessas expectativas é acompanhada pelas autoridades monetárias porque pode influenciar negociações salariais, reajustes contratuais e decisões de preços.

Quanto mais resistentes forem as expectativas de inflação, maior poderá ser a necessidade de manutenção de uma política monetária restritiva.

Projeção do PIB cai para 1,83% em 2026

Além da inflação elevada, o Boletim Focus apresentou revisões negativas para o crescimento econômico.

A previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi reduzida de 1,85% para 1,83%.

O PIB representa a soma dos bens e serviços finais produzidos no país e é um dos principais indicadores utilizados para acompanhar a atividade econômica.

Embora a alteração seja pequena, de 0,02 ponto percentual, ela indica uma avaliação ligeiramente menos favorável para o encerramento do ano.

As expectativas também recuaram para 2027 e 2028.

Para 2027, o crescimento estimado passou de 1,40% para 1,32%. Já para 2028, a projeção caiu de 1,83% para 1,81%.

Esses números sinalizam uma expectativa de expansão moderada da economia brasileira nos próximos anos.

A desaceleração pode refletir diferentes fatores, incluindo o custo elevado do crédito, o comportamento do consumo, os investimentos empresariais e as incertezas econômicas e políticas.

Apesar das revisões negativas, os analistas continuam projetando crescimento positivo do PIB nos três anos considerados.

Confira as projeções do Boletim Focus

Expectativas do mercado — 19 de outubro de 2026

Indicador202620272028
Inflação (IPCA)5,22%4,32%3,75%
Crescimento do PIB1,83%1,32%1,81%
Selic ao fim do ano13,25%12,00%10,50%
Dólar ao fim do anoR$ 5,12R$ 5,22R$ 5,29

Fonte: Banco Central, Boletim Focus de 19 de outubro de 2026. Os valores representam expectativas do mercado financeiro, não resultados efetivamente realizados.

Selic deve encerrar 2026 em 13,25%

No campo dos juros, os analistas mantiveram a expectativa de que a taxa Selic termine 2026 em 13,25% ao ano.

Atualmente, a taxa básica está em 13,75%, o que indica a possibilidade de novas reduções até dezembro, caso se confirmem as projeções.

O mercado trabalha com a perspectiva de dois cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), previstas para novembro e dezembro.

Para 2027, a expectativa permaneceu em 12% ao ano, enquanto a projeção para 2028 continuou em 10,50%.

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando os juros estão elevados, empréstimos e financiamentos tendem a ficar mais caros, reduzindo o consumo e moderando a atividade econômica.

Por outro lado, a manutenção de juros elevados por períodos prolongados também pode limitar os investimentos produtivos e o crescimento.

O desafio da autoridade monetária é equilibrar o controle da inflação com as condições de funcionamento da economia.

As estimativas do Focus não representam decisões já tomadas pelo Copom, que considera o conjunto de indicadores disponíveis em cada reunião.

Eleições presidenciais aumentam cautela dos investidores

A proximidade do segundo turno presidencial também influencia as expectativas econômicas.

A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcada para 25 de outubro, mantém os investidores atentos às propostas de política fiscal, à trajetória da dívida pública e às perspectivas para os juros.

A definição sobre o próximo governo poderá afetar as expectativas relacionadas a gastos públicos, tributação, reformas econômicas e crescimento.

Em entrevista ao CNN Money, a economista Carla Argenta, da CM Capital, avaliou que parte dos agentes financeiros trabalha com a possibilidade de uma melhora na situação fiscal a partir de 2027.

“Existe o benefício da dúvida, existe uma crença, existe uma expectativa de que, em alguma magnitude, a situação das contas públicas irá melhorar e isso será refletido nos juros, mas a magnitude disso é completamente incerta”, afirmou.

A economista destacou, assim, que existe expectativa de mudanças, mas não é possível determinar antecipadamente a intensidade ou os efeitos das eventuais medidas.

O comportamento dos juros e do câmbio dependerá tanto das decisões do governo eleito quanto de fatores externos, incluindo a economia internacional e as condições do mercado financeiro.

Dólar recua nas projeções para os próximos anos

O relatório também apresentou redução nas expectativas para a cotação da moeda norte-americana.

Para o encerramento de 2026, a estimativa do dólar caiu de R$ 5,15 para R$ 5,12.

As projeções para os dois anos seguintes também registraram recuo, chegando a R$ 5,22 em 2027 e R$ 5,29 em 2028.

O dólar é acompanhado de perto por empresas importadoras e exportadoras, investidores e consumidores, uma vez que influencia os custos de produtos comercializados internacionalmente.

Uma valorização do real pode reduzir pressões sobre determinados preços importados, enquanto uma desvalorização cambial tende a elevar custos de insumos, combustíveis e mercadorias adquiridas no exterior.

Entretanto, o comportamento da moeda depende de diversos fatores, como taxas de juros internacionais, fluxo de capitais, preços de commodities e percepção de risco.

Os valores apresentados no Focus representam projeções para o fim de cada ano e não devem ser confundidos com a cotação efetiva registrada nas operações desta segunda-feira.

Inflação elevada e crescimento moderado desafiam o próximo governo

O conjunto de projeções apresentado pelo Banco Central revela os desafios econômicos que deverão marcar a transição para 2027.

O próximo governo terá de lidar com expectativas de inflação ainda superiores à meta central, crescimento econômico moderado e taxas de juros consideradas elevadas.

A condução da política fiscal será um dos elementos observados pelos investidores, especialmente diante das discussões sobre controle da dívida pública, revisão de despesas e arrecadação.

A evolução dos preços também dependerá de fatores como custos de energia, alimentos, combustíveis e condições climáticas, além das decisões de política monetária.

Para consumidores e empresas, a combinação entre inflação persistente e juros elevados pode significar menor poder de compra e dificuldades para financiar investimentos.

O Boletim Focus funciona como um termômetro das expectativas do mercado, permitindo acompanhar como os analistas revisam suas previsões diante de novos dados e acontecimentos.

A divulgação desta segunda-feira indica que, apesar da estabilidade da expectativa de inflação para 2026, o mercado continua cauteloso em relação ao crescimento e à velocidade da redução dos juros.

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O editor responsável pelo Portal Terra da Luz é o jornalista Hermann Hesse, profissional reconhecido pela atuação na imprensa cearense desde 1990. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atuou durante quase 20 anos na TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo, como repórter, produtor, editor, apresentador, editor-chefe do jornal mais importante e de maior audiência do Ceará, o CETV. Em 2011, assumiu a Coordenadoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e, dois anos depois, foi Coordenador de Comunicação Institucional da Prefeitura de Fortaleza. Em janeiro de 2019, assumiu a direção de Jornalismo do Grupo Cidade de Comunicação, onde atuou por 2 anos e meio. No dia 12 julho de 2021 colocou no ar a primeira notícia e, desde então, é o responsável por todos os conteúdos publicados no Portal Terra da Luz. Entre agosto de 2022 e agosto de 2025 atuou, paralelamente, como diretor de Jornalismo da Band Ceará, emissora ligada diretamente à cabeça de rede, em São Paulo.

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