

Brasil e Estados Unidos negociam impactos do tarifaço, enquanto governo brasileiro avalia exigências americanas para setores estratégicos da economia | Foto: Shutterstock
19 de julho de 2026 – O governo brasileiro ouviu de autoridades dos Estados Unidos que setores como bens industriais, químico, aeroespacial e automotivo deveriam ter tarifas zeradas para empresas americanas como condição para que o governo de Donald Trump considerasse ao menos reduzir o novo tarifaço contra o Brasil.
A proposta se somou a outras exigências apresentadas anteriormente pelos Estados Unidos em reuniões com representantes brasileiros, como zerar a tarifa do etanol, não regulamentar plataformas digitais e incluir o Pix nas negociações.
Segundo integrantes do governo brasileiro, a avaliação feita no Palácio do Planalto é que as exigências seriam “indignas” de negociação e “inaceitáveis”. A leitura é que, caso o Brasil aceitasse ceder aos pedidos, o impacto econômico poderia ser maior do que o causado pelas novas tarifas americanas.
As informações foram divulgadas pelo g1 e também aparecem em apurações de veículos como Folha, UOL e Exame, que relataram pedidos dos EUA para abertura do setor químico, tarifa zero para bens industriais e acesso ao mercado automotivo, entre outras demandas.
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Entre os setores citados nas conversas estão bens industriais, produtos químicos, aeroespacial e automotivo.
Na prática, a proposta significaria ampliar o acesso de empresas americanas ao mercado brasileiro em áreas consideradas estratégicas para a indústria nacional.
Na avaliação de auxiliares do governo Lula, a concessão poderia fragilizar cadeias produtivas brasileiras, reduzir instrumentos de proteção comercial e afetar setores com alto peso na geração de empregos, tecnologia e arrecadação.
O governo calcula inicialmente que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras para o mercado americano.
Além dos setores industriais, o governo brasileiro também afirma que os Estados Unidos manifestaram interesse em incluir o Pix nas negociações.
O sistema de pagamentos instantâneos é considerado uma infraestrutura estratégica do Brasil e um dos principais instrumentos de inclusão financeira, digitalização bancária e competição no mercado de pagamentos.
Para integrantes do governo, aceitar discutir o Pix em uma negociação comercial ligada a tarifas poderia abrir precedente sobre a soberania regulatória brasileira.
Outro ponto citado nas conversas foi a exigência de que o Brasil não avançasse na regulamentação de plataformas digitais.
Os Estados Unidos também teriam pedido tarifa zero para o etanol.
O tema é sensível para os dois países porque envolve interesses agrícolas, energéticos e comerciais.
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de etanol, ao lado dos Estados Unidos, e o setor tem importância estratégica para a transição energética, o agronegócio e a política de combustíveis.
Ao vincular a redução do tarifaço a concessões em diferentes áreas, Washington ampliou o escopo da negociação para além da discussão original sobre exportações brasileiras afetadas pelas novas taxas.
A decisão americana de impor nova taxa sobre produtos brasileiros abriu uma disputa sobre a responsabilidade pelo tarifaço.
Enquanto a oposição afirma que houve falhas na negociação e atribui o impasse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes do governo defendem que a medida tem caráter político e ideológico.
A nova taxa entra em vigor em 22 de julho.
Segundo levantamento da diplomacia brasileira, foram realizados mais de 30 contatos desde o anúncio do tarifaço original.
As conversas ocorreram por telefone, videoconferência e reuniões presenciais, envolvendo níveis presidencial, ministerial e técnico.
Apesar da avaliação negativa sobre as exigências americanas, o Palácio do Planalto pretende manter aberto o canal de negociação.
A orientação é buscar redução de danos para os setores afetados, sem aceitar propostas consideradas prejudiciais ao interesse nacional.
De acordo com interlocutores do governo, a estratégia brasileira será conduzir os próximos passos com cautela, sem permitir que a pressão política contamine a negociação econômica.
Um negociador brasileiro afirmou que a prioridade será observar os atores envolvidos nos Estados Unidos e evitar oferecer argumentos que possam ser usados contra o Brasil neste momento.
Interlocutores do governo Lula avaliam que o Departamento de Estado americano pode restringir a margem para avanços nas negociações ao longo do ano, em razão do calendário eleitoral brasileiro.
A leitura no Planalto é que o tema ganhou contornos políticos e pode ser explorado em disputas internas nos dois países.
Ao mesmo tempo, setores produtivos brasileiros acompanham com preocupação os efeitos das tarifas sobre exportações, contratos, custos e competitividade.
O governo busca evitar uma escalada diplomática que piore o ambiente comercial, mas também tenta sinalizar que não aceitará concessões consideradas desproporcionais.
A avaliação de uma ala do governo é que aceitar as exigências dos Estados Unidos poderia provocar prejuízos estruturais à economia brasileira.
A abertura ampla de setores como bens industriais, químico, automotivo e aeroespacial poderia afetar empresas nacionais, reduzir espaço de política industrial e ampliar a dependência de fornecedores estrangeiros.
Por isso, auxiliares do Planalto defendem que a negociação precisa considerar não apenas o impacto imediato do tarifaço, mas também as consequências de longo prazo de eventuais concessões.
Nesse cenário, o governo brasileiro tenta equilibrar dois objetivos: reduzir os danos às exportações e preservar setores considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional.
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