

O Agosto Lilás reforça a importância da prevenção à violência contra a mulher e do fortalecimento de ações educativas para combater o feminicídio antes que ele aconteça. | Foto: divulgação
17 de agosto de 2026 – O Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, reforça neste ano a necessidade de ampliar as ações de prevenção ao feminicídio. Apesar dos avanços nas legislações e no fortalecimento da rede de proteção às vítimas, especialistas alertam que a violência de gênero continua em níveis preocupantes e exige estratégias que atuem antes da ocorrência das agressões.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que cerca de 25% das mulheres entre 15 e 49 anos já sofreram violência física ou sexual praticada por um parceiro íntimo ao menos uma vez durante a vida. No Brasil, o cenário também preocupa. Segundo a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 1,5 mil mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, alta de 4% em relação ao ano anterior. O levantamento aponta uma média de quatro assassinatos por dia e uma taxa de 1,4 feminicídio para cada 100 mil mulheres.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
Para Suzana Coelho, fundadora do Instituto Afetto e especialista em diversidade, direitos humanos e desenvolvimento organizacional, o fortalecimento da rede de proteção é essencial, mas precisa ser acompanhado por ações preventivas.
“O país estruturou uma rede de proteção muito mais robusta para as mulheres, com legislações específicas, canais de denúncia, medidas protetivas e serviços especializados. Esses mecanismos são fundamentais e salvam vidas, mas os dados mostram que, sozinhos, eles ainda não conseguem interromper o ciclo da violência antes que chegue ao feminicídio”, afirma.
Segundo a especialista, é necessário ampliar as políticas públicas voltadas também para homens e meninos, promovendo educação sobre igualdade de gênero, reflexão sobre masculinidades e programas capazes de interromper o ciclo da violência antes da primeira agressão.
“Se 97% dos autores desses crimes são homens, precisamos ampliar o foco das políticas preventivas. Poucas políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero são desenhadas para atuar antes, com os homens e meninos: ações voltadas à prevenção primária, educação sobre masculinidades, responsabilização não exclusivamente punitiva, espaços de escuta e reeducação, programas capazes de interromper o ciclo de violência antes da primeira agressão, não apenas após a última”, analisa.
Suzana Coelho destaca que o feminicídio normalmente representa o desfecho de uma sequência de violências que incluem ameaças, perseguições, agressões psicológicas e físicas.
“O feminicídio é a última etapa de uma escalada de violência. Quando conseguimos identificar e interromper esse ciclo nos primeiros sinais, aumentamos significativamente as chances de preservar vidas”, explica.
Para a especialista, o debate promovido pelo Agosto Lilás deve ir além da divulgação dos canais de denúncia e das medidas protetivas, incorporando ações permanentes de educação e transformação cultural.
“O combate à violência contra a mulher não pode começar apenas quando ela procura ajuda. Construímos, como sociedade, um sistema quase inteiro voltado a proteger a mulher depois que o risco já apareceu, e atribuímos à mulher a responsabilidade por se proteger de uma violência que não produziu, deixando em segundo plano a análise sobre os fatores que levam um homem a chegar a esse desfecho. O combate à violência precisa começar muito antes, na formação das crianças, na maneira como educamos nossos meninos, nas relações que construímos e na forma como a sociedade encara a desigualdade de gênero. É essa mudança estrutural que poderá alterar, de forma consistente, os números que o país registra ano após ano”, conclui.
Leia também | Exposição UNA reúne 114 obras de Roberto Galvão
Tags: Agosto Lilás, violência contra a mulher, feminicídio, prevenção, direitos das mulheres, OMS, Organização Mundial da Saúde, Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Instituto Afetto, Suzana Coelho, violência de gênero, igualdade de gênero, masculinidades, políticas públicas, proteção às mulheres, combate ao feminicídio, segurança pública, Portal Terra da Luz