

Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que respeitará a escolha do povo brasileiro em eleições livres e justas | Foto: REUTERS/Joshua Roberts
09 de agosto de 2026 – Em meio às tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, fontes do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmaram que o governo americano respeitará a escolha do povo brasileiro em eleições livres e justas.
A declaração ocorre no contexto do impasse em torno da nomeação do político republicano Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, Washington tem histórico de manter relações bem-sucedidas com governos brasileiros de diferentes espectros políticos.
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Em nota, fontes do Departamento de Estado afirmaram que os Estados Unidos respeitam a soberania do eleitorado brasileiro.
“Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que eles escolham livremente por meio de eleições livres e justas no Brasil. E temos respeitado e mantido relações com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, e tivemos relações muito bem-sucedidas com eles”, diz a nota.
A manifestação busca reduzir a percepção de interferência em meio ao ambiente de tensão entre os dois países.
O ponto central da divergência envolve a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil.
Na sexta-feira (7), o Senado dos Estados Unidos aprovou a indicação de Perez para ocupar o posto diplomático.
No entanto, ainda falta o aval do governo brasileiro, conhecido no meio diplomático como agrément, para que ele possa assumir oficialmente a função.
Segundo as fontes americanas, o governo brasileiro indicou que provavelmente continuará adiando a decisão sobre o agrément até depois das eleições no Brasil.
Diplomatas dos Estados Unidos avaliam que o processo ainda deve demorar.
A nota também cita outros episódios recentes de tensão entre os dois países.
Em março, o Brasil negou vistos a uma delegação americana que participaria de um fórum sobre minerais críticos.
Mais recentemente, vistos de viagem de rotina também teriam sido negados a oficiais de alto escalão do Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL).
Esses episódios passaram a compor o ambiente de desgaste diplomático entre Brasília e Washington.
De acordo com o Departamento de Estado, a recusa de vistos brasileiros a diplomatas americanos e o atraso na concessão do agrément motivaram uma medida recíproca contra a embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.
A diplomata brasileira teve o visto revogado pelo governo americano.
Segundo a nota, a intenção da medida foi sinalizar que limitações impostas a diplomatas não podem funcionar de maneira unilateral.
Apesar do impasse, a declaração do Departamento de Estado reforça que os Estados Unidos pretendem manter relações institucionais com o governo brasileiro escolhido pelas urnas.
A relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos envolve temas estratégicos, como comércio, defesa, meio ambiente, energia, tecnologia, direitos humanos e cooperação internacional.
O episódio evidencia, porém, que a agenda diplomática entre os dois países atravessa um período de maior sensibilidade política.
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