
Espetáculo “Trabalha-se” usa a palhaçaria para refletir sobre emprego, produtividade, sobrevivência e saúde mental | Foto: divulgação
25 de agosto de 2026 – Uma palhaça entra em cena para fazer o que milhões de pessoas fazem todos os dias: trabalhar para sobreviver.
Entre boletos, demissões, contratações e a sensação permanente de que nunca se produz o suficiente, o espetáculo “Trabalha-se” transforma o universo do trabalho em matéria-prima para o humor, a poesia e a crítica social.
A montagem estreia na sexta-feira, 28 de agosto, às 19h, na Vila das Artes, em Fortaleza, com entrada gratuita e acessibilidade em Libras.
Criado e encenado pela artista Patrícia Teixeira, intérprete da palhaça Alecruda, o solo parte de uma pergunta presente na vida de muitos trabalhadores: o que, afinal, tem valor no mundo em que vivemos?
Em cena, Alecruda se comunica por meio de cambalhotas, mágicas, malabarismos e brincadeiras com a plateia.
Com o próprio corpo como ferramenta expressiva, a personagem aborda contradições de uma rotina em que a produtividade parece nunca ser suficiente para fazer as contas fecharem.
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O espetáculo dialoga com debates contemporâneos sobre emprego, produtividade, cansaço e sobrevivência.
A discussão também se aproxima de uma das pautas trabalhistas mais presentes no país atualmente: o fim da escala 6×1.
Em meio à reivindicação por mais tempo de descanso e convivência, cresce a reflexão sobre quanto da vida é consumido pelo trabalho.
Ao abordar esse universo pelo humor, “Trabalha-se” fala sobre instabilidade financeira, saúde mental e o direito de existir para além daquilo que se produz.
“O riso é uma forma de expurgar e refletir sobre certos sentimentos, conseguindo olhar de outro ponto de vista. Acredito que a palhaçaria seja uma ferramenta de transformação”, conta Patrícia Teixeira.
A montagem também propõe um olhar para uma categoria que muitas vezes fica fora dessa discussão: a classe artística.
Afinal, fazer arte também é trabalho.
Por trás de uma apresentação existem pesquisa, ensaio, criação, planejamento, preparação técnica e emocional, além de muitas horas que não aparecem quando o público vê o artista em cena.
Para produzir “Trabalha-se”, foram mais de seis meses de processo criativo.
“Eu quis colocar em cena uma parte da minha própria história enquanto artista de rua, educadora, mulher e trabalhadora brasileira, fui entendendo que falar sobre trabalho também era falar sobre a minha trajetória e sobre aquelas que me atravessaram. A palhaçaria permite olhar para tudo isso com humor e vulnerabilidade, mas também com crítica. Porque trabalhar é uma condição de sobrevivência, mas a nossa vida não pode ser reduzida àquilo que conseguimos produzir”, pontua a artista.
“Trabalha-se” é resultado do projeto “Criação e Abertura de Processo do Espetáculo da Palhaça Alecruda”, contemplado pelo X Edital das Artes de Fortaleza.
A montagem reúne uma equipe exclusivamente feminina, da dramaturgia à composição da trilha sonora, que é totalmente autoral.
Com humor e sensibilidade, o espetáculo propõe ao público uma reflexão sobre os sentidos do trabalho, os limites da produtividade e os impactos da rotina laboral na vida cotidiana.
Espetáculo: “Trabalha-se”
Data: sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Horário: 19h
Local: Vila das Artes
Endereço: Rua 24 de Maio, 1221, Centro, Fortaleza
Entrada: gratuita
Acessibilidade: Libras
Classificação: livre
Criação e atuação: Patrícia Teixeira
Personagem: palhaça Alecruda
Projeto: “Criação e Abertura de Processo do Espetáculo da Palhaça Alecruda”
Incentivo: X Edital das Artes de Fortaleza
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