

Criada pelos artistas cearenses Lucas Limeira, Mateus Fazeno Rock e Muriel Cruz (Mumutante), a obra investiga questões relacionadas à existência de pessoas negras, territórios, deslocamentos e pertencimento. | Foto: divulgação
25 de agosto de 2026 – O espetáculo experimental “Vira e Karuna”, criado pelos artistas cearenses Lucas Limeira, Mateus Fazeno Rock e Muriel Cruz (Mumutante), realiza uma abertura de processo nesta quinta-feira (27), às 19h30, na Casa Absurda, em Fortaleza.
Com entrada gratuita, classificação livre e intérprete de Libras, a atividade apresenta ao público parte dos materiais desenvolvidos ao longo de aproximadamente um ano de pesquisa. Depois da apresentação, os artistas participam de uma roda de conversa para compartilhar descobertas, perguntas e caminhos que ainda fazem parte da construção da obra.
A criação investiga questões relacionadas à existência de pessoas negras, seus territórios e os diferentes lugares por onde transitam. A pesquisa também aborda sentimentos como coragem e tristeza e observa como questões raciais e de gênero atravessam essas experiências.
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Lucas Limeira, Mateus Fazeno Rock e Muriel Cruz se conheceram a partir de suas trajetórias artísticas e, há cerca de três anos, passaram também a compartilhar uma moradia. A convivência se tornou um dos pontos de partida para a criação de “Vira e Karuna”.
Para Lucas Limeira, situações do cotidiano foram incorporadas ao processo de criação e aproximaram a vida compartilhada do trabalho desenvolvido nos ensaios.
“Às vezes estávamos fazendo um lanche juntos, surgia alguma ideia, começávamos a conversar e desenvolver aquilo e, depois, levávamos para experimentar no ensaio”, relata o artista.
Segundo ele, a própria casa passou a integrar a pesquisa e possibilitou o surgimento de aspectos da relação entre os três que dificilmente apareceriam em um espaço tradicional de ensaio.
“A convivência permite acessar diferentes camadas da pessoa, momentos que dificilmente apareceriam apenas em uma sala de ensaio”, afirma Lucas.
Na sinopse de “Vira e Karuna”, três figuras estranhas e míopes embarcam em um veículo que as levará, em velocidade vertiginosa, para longe da terra onde nasceram, agora destruída.
A imagem serve como ponto de partida para uma investigação sobre deslocamento, pertencimento e as relações construídas entre pessoas e territórios.
A proposta acompanha também as experiências dos próprios artistas e busca refletir sobre os lugares que ocupam, os territórios que atravessam e as relações que estabelecem ao longo dessas trajetórias.
A abertura de processo tem uma dinâmica diferente de uma apresentação convencional. Em vez de apresentar uma obra finalizada, os artistas compartilham materiais e experimentações que integram a construção do espetáculo.
Após a apresentação, será realizada uma roda de conversa com o público. A atividade busca criar um espaço de escuta e troca sobre o processo criativo e aproximar os espectadores das perguntas e descobertas que ainda estão em desenvolvimento.
Para Noá Bonoba, diretora e responsável pela orientação dramatúrgica, o contato com o público é fundamental para testar e desenvolver ideias que ainda não estão concluídas.
“É na abertura de processo que você experimenta o material pensado, as ideias, a visualização dessas ideias, sua concretização e materialização no contato com o público”, explica.
A diretora também destaca que cada criação exige uma metodologia própria.
“Cada trabalho exige de mim uma nova metodologia”, afirma Noá.
Em “Vira e Karuna”, ela passou a integrar um processo que já vinha sendo desenvolvido pelos três artistas. Sua atuação parte da escuta dos desejos e das experiências que deram origem ao projeto, buscando organizar e ampliar elementos que já estavam presentes na criação.
“Não me interessa chegar trazendo uma ideia que mine ou substitua aquilo que já estava sendo construído. Tento sempre trabalhar a partir do que era importante desde o começo, preservando e, ao mesmo tempo, ampliando as potências que já estavam presentes no trabalho”, destaca.
“Vira e Karuna” tem direção e orientação dramatúrgica de Noá Bonoba e elenco formado por Lucas Limeira, Mateus Fazeno Rock e Muriel Cruz. A trilha sonora é assinada por Mateus Fazeno Rock e Mumutante.
A cenografia e o figurino são desenvolvidos coletivamente. A maquiagem é de Yaryn e a iluminação é assinada por Angelo William.
O espetáculo também incorpora acessibilidade estética e poética em sua proposta de criação.
Abertura de processo do espetáculo “Vira e Karuna”
Quando: 27 de agosto, quinta-feira, às 19h30
Onde: Casa Absurda, sala de teatro, em Fortaleza
Endereço: Rua Isac Meyer, 108 – Aldeota, Fortaleza
Entrada: gratuita
Sessão: única
Classificação: livre
Acessibilidade: intérprete de Libras
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